1 – A educação familiar é profunda e permanente. 2 – Os pais não podem transferir a missão de educar à escola. 3 – É na vida familiar que as virtudes começam a ser vividas.
1 – A educação familiar é profunda e permanente
A família é uma organização natural que chega ao mais profundo da pessoa: à intimidade. A escola não é organização natural, mas cultural e visa apoiar os pais ao transmitir cultura aos seus alunos. Se na família a pessoa é aceita pelo que é não pelo que faz, isso já não ocorre em outras organizações da sociedade, onde as pessoas são aceitas pela sua funcionalidade: um jogador de futebol é recebido enquanto cumprir sua função esportiva; na empresa, ao desenvolver a determinada função; na escola os alunos são aceitos enquanto cumprirem a missão de estudar.
2 – Os pais não podem transferir a missão de educar à escola
Os pais são os primeiros educadores dos seus filhos, pois ao gerá-los adquirem o intransferível dever de prepará-los para a vida. Para isso, devem ajudar os filhos a desenvolverem hábitos operativos bons, que são as virtudes humanas, a fim de que cresçam em maturidade, tenham estabilidade de ânimo, capacidade de tomar decisões ponderadas e fazer juízos retos sobre pessoas e acontecimentos. Não é correto que os pais deleguem a sua principal função à escola. O ideal seria que filhos chegassem às instituições de ensino com as virtudes desenvolvidas, para ali receberem somente cultura. Se isso não ocorre na realidade, a escola inteligente ajuda subsidiariamente os pais ao aproximar deles temas de orientação familiar e educação nas virtudes.
3 – É na vida familiar que as virtudes começam a ser vividas
Os pais devem aproveitar os acontecimentos cotidianos da vida familiar para ajudar os filhos a viverem as virtudes com intensidade e intenção reta, e não de modo medíocre: se querem que os filhos sejam generosos, que o sejam não apenas com os amigos, mas com pessoas realmente necessitadas; se vai doar um brinquedo a uma criança sem recursos, que o faça não para ficar bem diante dos familiares.
Para adquirir um hábito operativo bom ou virtude – ser laborioso ou ordenado, por exemplo – é preciso repetir muitas vezes esses atos nas pequenas ocasiões que surgem no dia a dia (estudar, cumprir os encargos, guardar as próprias roupas etc.). Atribuir tarefas às crianças para que cumpram diariamente, as torna felizes porque se sentem parte do time responsável por deixar o lar ordenado e aconchegante para o conforto de todos. A repetição desses afazeres gera hábitos ou virtudes que elas levarão pelo resto da vida. A reiteração desses atos pela criança acontece se houver algum tipo de exigência que promova a repetição de fazer algo (exigência operativa) ou de não fazer uma ação ruim (exigência preventiva). A exigência operativa é a base do desenvolvimento de muitas virtudes: ordem, constância, laboriosidade, perseverança, entre outras.
Texto produzido por Ari Esteves, com base no livro ”A educação das virtudes humanas e a sua avaliação”, de David Isaacs, Editora Quadrante, São Paulo, 2014.
Ariovaldo Esteves Roggerio
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