1 – Os olhos e os ouvidos são os porteiros da alma. 2 – Para ser mais profundo, selecionar os assuntos na internet. 3 – A mente preguiçosa foge dos livros. 4 – Nem tudo que gostamos deve ser feito. 5 – Saber distinguir o que é brilho falso
1 – Os olhos e os ouvidos são os porteiros da alma
Os sentidos externos (olhos, ouvidos…) são como que os porteiros da alma que permitem a entrada daquilo que nutre a inteligência, a vontade, a memória e a imaginação. Deixar os olhos e os ouvidos vagarem por qualquer lugar transforma a cabeça em depósito de futilidades, de quinquilharias.
As horas e horas consumidas na internet e em redes sociais, sem critério algum e apenas para se distrair, fazem desperdiçar um tempo valioso que poderia ser utilizado para desenvolver as próprias qualidades ou talentos pessoais, a fim de melhor servir aos demais. As mil imagens que passam diante dos olhos, feito água sobre pedra, e a enxurrada de informações desencontradas, nada oferecem de substancioso e deixam um acúmulo de conhecimentos inúteis que servem apenas para tornar a mente preguiçosa e arredia a qualquer esforço para se aprofundar em assuntos que valem a pena.
2 – Para ser mais profundo, selecionar os assuntos na internet
Somos seres limitados, sem tempo para fazer tudo o que gostaríamos. Por isso, temos que selecionar aquilo que vale a pena, seja no campo profissional, cultural ou de entretenimento.
Quem se aprofunda em um assunto que aprecia, ou para o qual se sente preparado, seja no campo artístico, literário ou cultural, saberá contemplar a beleza e a verdade com mais profundidade e poderá servir melhor aos demais com seus conhecimentos. Mas esse aprofundamento exigirá selecionar as buscas na internet, dando prioridade a palestras, vídeos e textos que abordem o assunto de preferência.
O homem moderno se mexe muito, mas anda na superfície de si. Sabe da vida de artistas e esportistas, mas desconhece a si próprio. Tudo se resume em curiosidades. O excesso de imagens que consome diariamente dá a ele a ilusão de que conhece tudo, mas não sabe processar tantas informações desencontradas. Vazio de ideias próprias, seu conhecimento é periférico e só tem a espessura das telas, e se apaga com ela com um clique: sua opinião é a das mídias, pois vive do consumismo de informações e imagens.
Ao temer refletir sobre si, o homem moderno foge do silêncio, pois este facilita o encontro consigo, e por isso almoça vendo telas, no carro liga o som em volume alto, nos transpores coletivos desperdiça um tempo para leituras com músicas no celular, ao chegar em casa se lança afoito ao controle da TV para ouvir vários noticiários. Nos fins de semana não aproveita o tempo para ler as boas obras literárias e fazer visitas culturais aos diferentes museus da cidade, pois prefere as baladas, festas, toneladas de vídeos e games para não estar em silêncio consigo. O barulho em torno de sua vida é ensurdecedor e impede a reflexão e a fala, mas isso não importa porque tem pouco a dizer. Sente tédio do domingo à tarde porque é obrigado a frear sua correria e encontrar-se consigo.
3 – A mente preguiçosa foge dos livros
A dispersão em mil imagens, torna fraca a capacidade de manter a atenção em algo que exija esforço, pois a mente se tornou preguiçosa e passiva, e assim, não enfrenta também as boas obras literárias. Quem gasta seis ou sete horas na semana em redes sociais, caso empregasse esse tempo para ler um bom livro, como “A morte de Ivan Ilyich”, de Tolstói, ou o “Pequeno Príncipe”, de Saint Exupéry, jamais esqueceria essas leituras, que são curtas. Porém, as horas gastas atrás de curiosidades na internet não serão recordadas no dia seguinte.
Os grandes mestres da literatura penetram com profundidade na alma humana, e seus personagens fornecem janelas que permitem a compreensão de si e dos demais. Um verdadeiro leitor não gasta seu tempo limitado rolando telas de celulares e tabletes a procura de frivolidades, nem “lendo mil livros medíocres que embotam seu senso crítico e ferem sua sensibilidade literária” (Nicolás Gómez Dávila).
Quem ouve uma aula ou palestra, lê um livro ou executa alguma tarefa, deve ter presente o sábio conselho “faz o que deves e está no que fazes“. Quando há luta pessoal para não dar rédeas soltas a caprichos e curiosidades, a fim de colocar os olhos, ouvidos, memória e imaginação naquilo que realiza (Tereza de Jesus dizia que a imaginação é a louca da casa), ganha rapidez de compreensão, fortalece a vontade e cresce na virtude da temperança, que sendo espírito senhoril, coloca freios na afetividade quando esta tenta desviar-se do cumprimento dos deveres.
4 – Nem tudo que gostamos deve ser feito
As sensações e caprichos que o corpo reclama não devem ficar à rédea solta, pois nem tudo que gostamos deve ser feito. É mais cômodo deixar-se arrastar pelos impulsos chamados primários ou naturais (comer, beber, descansar), do que enfrentar as responsabilidades. Mas ao ceder, vem a tristeza de não haver cumprido com o dever, e isso enfraquece a vontade, torna frívolo e superficial o caráter e alimenta os vícios da preguiça e comodidade, difíceis de arrancar quando se incrustam na alma.
A temperança, tal como o sal, dá sabor à vida porque torna a pessoa dona de si, ao lhe dar força de vontade para não gastar as horas com imagens e curiosidades vãs. A temperança não supõe limitação à liberdade, mas grandeza de alma, porque privação e escravidão se encontram na intemperança de se deixar arrastar pelo falso brilho e chacoalhar de latas que embotam a alma dos que navegam sem rumo pelas redes sociais e internet.
5 – Saber distinguir o que é brilho falso
Muitas coisas nas redes sociais e internet brilham como lantejoulas baratas. Para encontrar o ouro é preciso peneirar o cascalho ou arrancar a ganga. Quem não faz seleção do que vê, torna sua mente uma loja de briquebraque, de quinquilharias. Quem seleciona o que vale a pena, mesmo que custe esforço e desagrade no momento, percebe que o sacrifício foi apenas aparente, e que ao exigir-se ficou livre daqueles mil fiozinhos que prendem ou atam o coração e tornam a vida estéril. Daí a importância de buscar o que vale a pena, a fim de preparar-se melhor profissionalmente e participar com criatividade e preparo do debate cultural.
O ser humano se interessa por conhecer aquilo que ama, seja uma pessoa, uma profissão, um esporte, um hobby, um campo de conhecimento cultural ou artístico (literatura, pintura, teatro, escultura, música). Diz Fernando Sarráis, em seu livro “Maturidade psicológica”, que quando se ama algo bom, busca-se conhecer aquilo que é amado, e o amor aumenta mais o desejo desse conhecimento.
Podemos concluir das palavras acima que, se uma pessoa não sabe o que buscar na internet e redes sociais, com o fim de se aprofundar em algo para melhor utilizar seus dons e servir aos demais, não ama senão à própria preguiça ou comodidade, sendo esta a razão pela qual não se interessa por conhecer algo com maior fundura.
Texto de Ari Esteves para o site www.ariesteves.com.br.
Imagem de Aguida Medeiros (@aguidamedeiro).
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