1 – A beleza salvará o mundo. 2 – Bom gosto não é questão de dinheiro. 3 – Casa simples, limpa e ordenada. 4 – Elegância no vestir-se. 5 – O modo de se vestir reflete a personalidade. 6 – As roupas devem adequar-se a cada situação. 7 – A moda é para vestir e não despir
1 – A beleza salvará o mundo
Dostoievski disse que a beleza salvará o mundo, mas para os utilitaristas buscar o belo não parece ser útil, pois o importante para eles é a funcionalidade das coisas. Como prova de que a beleza anda de mãos dadas com o bem e a verdade, vale a pena assistir o vídeo “Por que a beleza importa?”, de Roger Scruton, no Youtube, onde o narrador mostra vários edifícios europeus abandonados devido à feiura deles, apesar de terem sido pensados para serem funcionais. O mal não é belo, mas incoerente. A natureza humana necessita do belo, que é um valor que traz harmonia e dignidade à pessoa e ao seu entorno.
2 – Bom gosto não é questão de dinheiro
Bom gosto e elegância não são qualidades arbitrárias ou de ostentação, mas de simplicidade e humildade ao admitir que em tudo deve haver harmonia, equilíbrio e proporção. Elegância e bom gosto não dependem de ser rico ou pobre, mas de saber escolher, pois há ambientes luxuosos e decorados com péssimo gosto, onde vários estilos se misturam e se chocam; e há ambientes simples, mas decorados com objetos bem escolhidos em brechós, e que imprimem um toque de harmonia e elegância ao local.
3 – Casa simples, limpa e ordenada
O bom gosto está nos pequenos detalhes que tornam amável a vida de família; está no cuidado com as pequenas coisas, está no afã de servir aos demais. Se cada membro da família − dos adultos às crianças − colabora para que o lar esteja limpo, ordenado e decorado com simplicidade e bom gosto, torna-se uma maravilha retornar para casa no final de cada dia. Faz parte do bom gosto cuidar dos pormenores da casa: consertar o quanto antes a fiação elétrica exposta, a torneira pingando, as tomadas soltas; trocar a vidraça quebrada; recuperar ou substituir os móveis com defeitos, manter nos armários os objetos que se usam no dia a dia; decorar o ambiente com vasos, flores e quadros… Na periferia das grandes cidades é possível ver desde fora casas simples com paredes externas rebocadas, sem umidade e pintadas; janelas com seus caixilhos de madeira também pintados, vasos de flores que ornamentam a entrada e demonstram que naquele lar há bom gosto e respeito pelos seus moradores… Aliás, tal visual incentiva a que os vizinhos façam o mesmo, pois a beleza é contagiante, difusiva.
4 – Elegância no vestir-se
Elegância e bom gosto devem estar presentes também no vestir-se, e para isso não é preciso gastar mais dinheiro, mas saber combinar as cores e os padrões dos tecidos (listrado, estampado ou liso). Revela elegância e harmonia utilizar uma das peças de cor escura (a calça, por exemplo), com outra (a camisa) de cor clara (ou vice e versa), sendo que ambas devem combinar os tons. Se a camisa é listrada ou com estampas, não utilizar uma jaqueta ou blazer também listrado, pois o visual com tantos riscos chega a embaralhar a vista e causará tontura ou labirintite a quem vê (o ideal será que uma das peças seja de estampa lisa). Uma roupa de tom azul dificilmente combinará com a de tom marrom; nem a de tom cinza combinará com o amarelo ou cenoura… A mesma roupa não deve ser utilizada por dois dias seguidos. Em geral, camisas, meias e peças de baixo devem ser usadas apenas uma vez por dia, e ser deixadas para lavar: utilizar por dias seguidos a mesma camisa encarde o colarinho e obriga a lavar com mais intensidade, desgastando rapidamente o tecido.
Para aprender a combinar as cores, uma sugestão é observar as vitrines das lojas de roupas dos shoppings, onde o bom gosto de muitos vitrinistas sabe adequar os tons das indumentárias de seus manequins (bem, nem sempre…). Outra sugestão é pesquisar na internet sites como o www.vivadecora.com.br/pro/mistura-de-cores/, ou outros, que ajudam a combinar as cores não apenas das roupas, mas para qualquer ambiente da casa ou oficina.
5 – O modo de se vestir reflete a personalidade
A roupa revela aos demais o que somos e como somos; transmite o que queremos comunicar. Embora afirme-se que as aparências enganam, em muitas ocasiões elas transmitem verdades: podem revelar a profissão, idade, pulcritude, bom gosto, sensibilidade… Pode-se até fazer uma sutil alteração no conhecido refrão “Dize-me com quem andas, e te direi quem és”, para “Dize-me como andas e te direi quem és”. Há um equilíbrio profundo entre as roupas que se utiliza e a personalidade, pois a imagem externa de uma pessoa espelha a riqueza ou pobreza de seu interior: a mulher que deseja ser fatal procura mostrar “as armas da mulher”, e não se vestirá como a que quer ser apreciada pelo seu recato, elegância, distinção, cultura ou competência profissional. A anciã não se vestirá como uma jovem.
Cada pessoa veste-se de acordo com seus ideais e aspirações. Um guarda-roupa revela se a pessoa sabe combinar as cores, se é dominada pela tendência do momento, ou se busca o equilíbrio entre beleza e funcionalidade. Para enfrentar o mercado de trabalho, as mulheres não necessitam masculinizar-se, pois o mundo laboral necessita de sua feminilidade, de sua atenção aos detalhes, dos modos empáticos e delicados de agir.
6 – As roupas devem adequar-se a cada situação
A roupa apropriada para cada ocasião torna atraente a pessoa, que se apresenta como alguém que respeita a si e aos demais, o que dá mais peso e credibilidade à sua personalidade, e ao que faz. A roupa tem uma dimensão social, e deve respeitar os valores que cada situação exige: ir ao casamento do amigo com agasalho esportivo ou com calça Jean revela que não se dá à ocasião a importância que ela tem, seja para o amigo ou para os demais convidados que se vestem elegantemente.
Saber qual é a roupa apropriada para cada ocasião − passeio, trabalho, cerimônia social ou religiosa, esporte – demonstra sensibilidade. No lar, o estilo casual simples e elegante repercute na pessoa e no ambiente familiar (evitar andar de calção e sem camisa); no esporte, ao não usar roupas extravagantes para chamar a atenção e mostrar os detalhes anatômicos do corpo, indica que a pessoa é rica interiormente e não necessita evidenciar-se (ler o boletim Educar para o pudor). Na atividade profissional, a roupa revela bom gosto, respeito a si, ao ambiente, aos colegas de trabalho e aos clientes: trabalhar de jeans na área de apoio às redes de computadores está bem, mas não seria o ideal atender de jeans os clientes de uma agência bancária.
7 – A moda é para vestir e não despir
A moda não pode ser frívola, feita apenas para ser vista, porque trata-se de uma realidade cultural, moral e artística que reflete a história do momento e a personalidade dos que a criam e a dos que a adotam. A moda deve embelezar o corpo, mas sendo capaz de expressar a grandeza da alma: a dimensão e finalidade da moda pode ser lida em “La moda. ¿La conoces en toda su dimensión? (A moda: conhece-a em toda sua dimensão?), de Encarnita Ortega.
Diz Sofia Carluccio, conhecida desenhista de moda no Uruguai, que alguns procuram conceber ou utilizar modelos chamativos, buscando atrair a atenção ao apelar para o recurso fácil do provocante. “Uma coisa que vejo muito claramente é que a moda é para vestir e não para despir: isso é como um “leit motiv”. Diz ela que na hora de desenhar não procura simplesmente que as pessoas estejam na moda, mas que combinem modéstia com elegância através de pequenos detalhes e acessórios. Cada peça de roupa é pensada até os mínimos detalhes.
Texto elaborado por Ari Esteves para o site www.ariesteves.com.br. Sugestão de leitura: “La moda: entre a ética y la estética”, de Ana Sanches de la Nieta Hernández, traduzido por Manuel Alves de Sá, Diel Editora, Lisboa, Portugal. Imagem de hissetmehurriyeti.
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