1 – A ociosidade não descansa. 2 – O descanso familiar criativo. 3 – Livros de literatura enriquecem o pensamento e descansam. 4 – Importância das tradicionais brincadeiras infantis. 5- Atividades para adolescentes nas férias
1 – A ociosidade não descansa
Descansar não é ficar sem fazer nada, mas distrair-se em atividades que exijam menos esforços (Caminho, n. 357). Trata-se de um bom conselho para os pais terem em conta nos meses de férias escolares de seus filhos, a fim de que aproveitem melhor o tempo e se enriqueçam humana e culturalmente: diz o velho refrão que a ociosidade é a mãe de todos os vícios! Com inteligência, perspicácia e criatividade, os pais devem incentivar o descanso dos filhos – sejam eles crianças, adolescentes ou jovens –, e fazê-los compreender que as muitas horas passadas diante de celulares, tabletes ou TV trazem enorme enfraquecimento intelectual e fraqueza da vontade, além de facilitar a entrada em sites inconvenientes e viciantes.
O primeiro passo para programar as atividades é ter horário de dormir e de acordar, de fazer as refeições, de findar o trabalho e retornar para casa… Um lar onde não há atividades fixas se torna um caos e favorece o empobrecimento humano e cultural de seus membros: chegar do trabalho ou da escola na hora que quiser, fazer as refeições diante da televisão ou no sofá, deixar os objetos pessoais em qualquer canto, descansar de forma isolada e não em família…. Com isso, a TV passa a ser a protagonista da casa e cria ocasiões de perdas de tempos, impede o silêncio necessário para as atividades criativas, e leva cada um a agir como bem entender.
2 – O descanso familiar criativo
Fins de semana, feriados e períodos de férias são oportunidades não apenas para descansar, mas para fomentar o diálogo familiar. Faz parte de uma boa rotina familiar sair aos domingos ao menos meio período, e uma vez por mês passar o dia fora.
Os pais devem promover a cultura familiar por meio de boas rotinas distribuídas ao longo do dia, da semana e do mês: tertúlias ou bate-papos após as refeições, audição de músicas de qualidade, sessões de vídeos culturais ou filmes selecionados, leitura de obras literárias e de contos para as crianças, jogos de sala, passeios em parques ou pelo campo para curtir a natureza; visitar museus, exposições artísticas, feiras de livros; ir ao teatro infantil; cozinhar em família… Essas iniciativas facilitam que os filhos abandonem celulares e telas digitais, e criam excelente ambiente no lar para ampliar os horizontes culturais de todos.
Em bairros periféricos das grandes cidades as crianças são forçadas a ouvir à exaustão o funk e o rap, que penetram nos lares de forma insistente através dos pancadões das vizinhanças. É importante que os pais sejam criativos e ampliem o gosto das crianças ao deslumbrá-las com outros gêneros musicais: MPB, música clássica própria para cada idade, chorinho, samba, sertanejo, blue, jaz, corais, orquestras, música instrumental… Isso pode ser feito com DVDs, pesquisa no Youtube, apresentações ao vivo…
Em nossa época, onde impera a cultura da emoção e da imagem, os pais podem contar com o cinema como grande aliado na educação dos sentimentos dos filhos. As cenas de filmes selecionados, por conter bons enredos, tocam os afetos ao abordarem aspectos essenciais da vida humana: coragem, honestidade, lealdade, fidelidade, o que leva cada um a refletir sobre o modo como conduz a própria vida. A afetividade, onde residem os sentimentos, emoções e paixões, não deve ser ignorada no processo educativo de adolescentes e jovens. Assim, para programar filmes que aportem valores ou modelos de conduta, sugerimos visitar o site https://pablogonzalezblasco.com.br/, que possui excelentes comentários e sugestões sobre bons filmes para serem vistos em família.
3 – Livros de literatura enriquecem o pensamento e descansam
Promover minutos diários para a leitura dos clássicos e das boas obras contemporâneas é excelente modo de descansar e de aproveitar o tempo. A leitura forja o caráter, cura as doenças da alma, resgata a autoestima, aumenta a preparação intelectual e cultural ao incidir diretamente sobre a inteligência, amplia o nível e o alcance do pensamento, enriquece o vocabulário, melhora a forma de expressar o pensamento escrito e ora, e faz ganhar com a experiência do outro (“escarmentar em cabeça alheia”, diz o ditado): “Sem a arte narrativa – e aí se enquadra o cinema – o ser humano teria que contar tão só com suas próprias experiências, o que significa que se veria obrigado a aprender tudo desde o princípio. Sem conhecer a Odisseia, o homem não saberia nada da fidelidade de Penélope; sem Shakespeare ignoraria as dúvidas de Hamlet, o amor de Romeu por Julieta. Sem Dom Quixote, teríamos que descobrir por conta própria a diferença entre ver o mundo como é e vê-lo como deveria ser” (Krzysztof Zanussi, filósofo e cineasta polonês).
É preciso nutrir a veia criativa das crianças por meio da contação de histórias e sessões de leitura para elas. Essas atividades deixam um legado para a vida toda, que é o gosto pela leitura. Na internet há vários vídeos com dicas sobre contação de histórias e leituras interativas.
No site https://www.ariesteves.com.br/literatura-infanto-juvenil/, há inúmeras sugestões de livros por idade. Caso o adolescente não esteja habituado a ler livros, sugerimos iniciar pela literatura infantil, tão apreciada também pelos adultos (o famoso filósofo C.S. Lewis, professor de Oxford, durante toda sua vida leu contos de fadas, duendes, animais que falam, reis e rainhas…).
4 – Importância das tradicionais brincadeiras infantis
Educar as crianças na realidade do dia a dia, e não na irrealidade das telas digitais, oferece oportunidades para incentivá-las a desenvolver bons hábitos ou virtudes. Surgem nas férias excelentes maneiras de fomentar as clássicas brincadeiras infantis, essenciais para o desenvolvimento motor e intelectual das crianças: criam novas habilidades, ajudam a explorar o imaginário com o “faz de conta”, fixam a atenção, desenvolvem a estratégia e o raciocínio lógico, sociabiliza e favorece o autodomínio… Infinitamente melhor do que ficar passivamente diante de telas são as brincadeiras de pular corda, amarelinha, pião, queimada, batata quente, pega-pega, bolinha de gude, passar anel, empinar pipa, esconde-esconde, cinco marias, telefone sem fio, stop ou adedanha, jogo da velha, bolinha de sabão, entre muitas outras. No site https://quindim.com.br/blog/jogos-e-brincadeiras-antigas/ há explicações de como promover essas brincadeiras.
Criar acampamento em casa, fazer sessões de história e de leitura, jogos de tabuleiro, brincadeira no jardim ou no parque de esguichar água um no outro, ginástica em grupo… Os jogos de inteligência, como o quebra-cabeça, xadrez, lego, damas, de memória, entre outros, resgatam as crianças das telas digitais. Passeios em parques, jardins ou campo são ótimas ocasiões para se conhecer os tipos de flores, árvores, pássaros e insetos que circulam nesses ambientes.
A ”oficina de brinquedos” solta a imaginação das crianças ao transformar em brinquedos garrafas pet, rolos de papel toalha, caixa de leite, embalagens descartáveis de produtos de cozinha e limpeza.
Visitar exposições de arte com crianças exige certa estratégia. Trata-se de criar uma espécie de jogo com elas. Antes de ir ao local, entrar no site da exposição e gravar ou imprimir os quadros ou esculturas que as crianças mais apreciaram. Depois, no local da exposição, pedir a elas que localizem as obras escolhidas (nunca diga que a escolha é feia, pois inibirá a espontaneidade da criança), e pergunte a cada uma, caso fosse a artista, que mais colocaria na obra de arte. Com isso, a criança fixará a atenção nos detalhes para imaginar o que mais poderia acrescentar.
5- Atividades para adolescentes nas férias
Sem horário de dormir e de acordar não se pode planejar nada seriamente, nem crescer em virtudes humanas. É medicamente comprovado que as pessoas em condições normais de saúde precisam de 7h30 a 8h de sono por dia, sem necessidade de tirar a sesta após o almoço, a fim de não ficarem preguiçosas e com ânimo arredio a qualquer esforço físico ou mental. Portanto, se um adolescente dorme às 22h, poderá pular da cama no horário fixado, por exemplo, às 6h30, para cumprir o planejado: tempo de asseio, café da manhã e iniciar as atividades programadas.
Quais ocupações os adolescentes podem se dedicar nas férias? Dependerá da situação de cada um: quem foi mal em algumas disciplinas do ensino fundamental ou médio, deverá dedicar uma ou duas horas diárias para melhorar o desempenho nessas matérias. Também poderá adiantar o estudo das disciplinas que cursará após as férias.
O aluno que passa muito tempo em games e redes sociais, certamente tem dificuldades com a redação, caligrafia discursiva (só escreve com letras de forma) e desconhece a grafia das palavras. A falta de leitura leva muitos adolescentes a reter apenas a sonoridade das palavras, e não sua grafia: ao invés de escreverem a “gente foi passear”, anotam “agente foi passear”, “seromano” e não “ser humano”. Soma-se a essa carência a de não saber colocar pontos finais no mesmo parágrafo ao concluir uma ideia, enchendo-o de vírgulas: Minha família é muito legal (caberia um ponto final após essa ideia), agente (a gente) se gosta muito (poderia ter outro ponto final), vamos passear e viajar junto (caberia colocar aqui outro ponto final e um “s” em junto), minha mãe e meu pai amo eles… As férias ofertam a possibilidade de mudar o triste panorama do analfabetismo funcional, onde adolescentes e jovens já não reconhecem as palavras e, por não compreender os textos que leem, não captam as ideias centrais para explicar o conteúdo do que foi lido.
Os pais, mesmo não sendo professores de português, devem perceber as dificuldades que os filhos têm para escrever. Para isso, basta pedir que redijam um texto curto (dez linhas, por exemplo) sobre um fato cotidiano, e depois ler ou apresentá-lo a um amigo que possa lê-lo e orientar sobre o modo de corrigir as carências apresentadas.
Uma sugestão para melhorar a escrita dos adolescentes e jovens, é a leitura do livro de contos “Brás, Bixiga e Barra Funda”, de Antonio de Alcântara Machado, que escreve frases curtas e com ponto final, fáceis para os adolescentes “pegarem” o jeito do autor e passar a imitá-lo, sem necessidade de enfrentar as complicadas regras gramaticais.
Na aritmética, muitos jovens falham nas contas de multiplicar e de dividir, e atribuem a culpa à pandemia ou à escola pública. Mas, se forem sinceros, deverão atribuir a culpa à falta de interesse em estudar por conta própria, seja em livros ou por meio de aulas gratuitas no Youtube. Aproveitar as férias para aprofundar nessa disciplina escolar.
O período de férias é excelente momento para o filho ou filha conferir a faculdade pública ou privada que pretende ingressar, e iniciar o preparo para o vestibular com um ou dois anos de antecedência, seja o ENEM, Fuvest ou outro. Para decidir sobre a carreira que pretende fazer, caso haja dúvida, é preciso examinar os dotes naturais e o gosto pessoal para depois escolher, entre as carreiras que utilizam tais competências, aquela que mais se ajusta ao gosto, e à qual poderá imaginar-se a trabalhar nela pelos próximos anos. Para isso, na dúvida entre um curso ou outro, a sugestão é verificar pelo site de cada instituição de ensino, as disciplinas que a carreira irá percorrer nos anos do curso, optando por aquela que mais se ajusta às preferências e competências pessoais.
As férias são também oportunidades para desenvolver algum hobby para o qual tenha talento: desenho, pintura, aprender um instrumento musical, treinar uma modalidade esportiva, xadrez, jardinagem, voluntariado em algum projeto social, aprender um idioma, iniciar alguma coleção.
Outra sugestão para evitar a dispersão em mil assuntos ou curiosidades oferecidas pela internet e redes sociais – o cérebro não consegue ordenar o excesso de informações desencontradas –, é concentrar o interesse dentro de um campo do saber. Para isso, dedicar-se mais profundamente a algum tema científico, cultural ou artístico, seja por meio de lives, vídeos, áudios, cursos online… Com conhecimento mais aprofundado em algum tema, poderá o jovem contribuir para a formação humana e cultural de familiares e amigos, além de poder colaborar com aulas e palestras em alguma ONG e enriquecer o debate cultural.
Texto produzido por Ari Esteves. Desenho de Charles Parker
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