1 – Não há fórmulas mágicas para substituir o esforço. 2 – A necessidade é mãe de todas as invenções. 3 – É ilógico ofertar às crianças o desnecessário
1 – Não há fórmulas mágicas para substituir o esforço
Com base no esforço e na exigência pessoal foram gestadas as grandes obras artísticas e científicas. Ao ler a biografia de Michelangelo, Gaudi, Pasteur, Jérôme Lejeune, Thomás Edison, entre muitos outros, se descobre que, com dor e sofrimento, dedicaram milhares de horas de intensos trabalhos às suas criações.
Saber esforçar-se não vem de bate-pronto, mas de uma educação serena e persistente. É preciso que pais e educadores ensinem às crianças e adolescentes que não há fórmulas mágicas para o aprendizado sério. Para isso, evitar frases do tipo “aprenda divertindo-se”, “Não vai custar nada”, “Vai ser facinho…”. É bom critério educacional revelar às crianças que seus professores, músicos e esportistas que admiram gastaram muitas horas de aprendizado para dominar a matéria, instrumento musical ou técnica esportiva.
Pais que reclamam da escola porque passa muita lição de casa transmitem aos filhos a mensagem de que não precisam se esforçar. Os filhos em casa devem substituir as horas gastas em mídias sociais por horas de estudo e de leitura de obras literárias, jogos de inteligência (xadrez, quebra-cabeça…), encargos ou tarefas para o bom funcionamento do lar, vídeos selecionados… A família que possui horários fixos para as refeições, dormir e acordar – os pais devem dar exemplo ao cumprir esses horários – criará uma disciplina que favorecerá o aproveitamento do tempo e o consequente crescimento humano e cultural de todos.
2 – A necessidade é mãe de todas as invenções
As crianças nascem com um desejo inato de conhecer, investigar e entender o mecanismo das coisas ao seu redor. Se o ambiente que as cerca é favorável ao aprendizado, elas desenvolverão seus talentos e habilidades. Porém, se o estilo de vida familiar oferta tudo à criança ou ao adolescente, antes mesmo de necessitar, satura-o de estímulos artificiais e torna-o passivo e consumista. Então, a criança passa de pequena empreendedora para grande consumidora, pois se afasta do desejo de investigar e de inventar. Um carrinho elétrico já vem pronto, e basta apertar o botão para que funcione; porém, criar um ônibus com a caixinha vazia de leite e transformar tampinhas de pet em rodinhas desse veículo, exigirá que o botão da criatividade esteja dentro da criança, e não fora dela. Já foi dito que “A necessidade é mãe de todas as invenções”. A criança começa a ser criatividade ao se esforçar para ter o que não possui, mas se já possui antes mesmo de necessitar, não fará falta ser criativa.
3 – É ilógico ofertar às crianças o desnecessário
É na escassez de recursos onde a inteligência, vontade, imaginação e memória são estimuladas a suprir as carências. Isso de ter o que todo mundo tem é ir a reboque de modismos e deixar o essencial de lado. As estatísticas da moda não devem decidir pelos pais, nem criar hábitos de consumo, se desejam educar bem. Introduzir o celular na vida da criança é fazer o que muitos pais infelizmente fazem, e desatendem com isso valiosos critérios educacionais. A lógica de ofertar à criança o que não é necessário tem que ser quebrada desde a infância, a fim de não formar adolescentes que justificarão todo tipo de necessidades porque querem imitar seus colegas. Um garoto de uma escola da periferia da Capital de São Paulo perguntou ao professor se era correto comprar um tênis de grife, porém falsificado. A necessidade de aparentar certa opulência surgiu nesse adolescente porque não foi educado para outros valores, como desprendimento dos bens materiais, autenticidade para apresentar-se modesta e sobriamente entre seus iguais, não se deixar influenciar pelas falsas necessidades criadas pela propaganda comercial… As crianças precisam de poucas coisas, sendo mais saudável que aprendam também a viver desprendidas daquilo que possuem, a fim de serem mais livres.
O esforço é educativo e as crianças devem prová-lo desde cedo porque fortalece a vontade, faz descobrir as próprias limitações, torna-as pacientes e constantes, desenvolve nelas as capacidades e talentos naturais para melhor servir aos demais.
O texto acima foi adaptado por Ari Esteves com base no capítulo “O esforço, a austeridade e a simplicidade”, do livro “Educar na realidade”, de Catherine L’Ecuyer, Editora Fons Sapientiae, 2019. A imagem do menino é de Paola Roxanna Nemek.
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