1 – As telas produzem mais efeitos negativos do que positivos. 2 – Crianças pequenas aprendem interagindo com pessoas e não com telas. 3 – O excesso de telas torna a mente preguiçosa.

1 – As telas produzem mais efeitos negativos do que positivos

    Catherine L’Ecuyer cita diversas pesquisas de cientistas e institutos americanos e europeus que revelam os problemas que as telas digitais vêm causando às crianças e adolescentes*. Diz que a Academia Americana de Pediatria recomenda que se evite telas até os 2 anos, por considerar que vários estudos indicam que elas produzem mais efeitos negativos do que positivos. Para crianças acima de 2 anos, a Academia recomenda limitar o tempo de exposição às telas a menos de duas horas por dia, tendo o máximo de cuidados com os conteúdos que assistem. Porém, esses critérios sanitários são colocados como regras mínimas e não de excelência educacional.

2 – Crianças pequenas aprendem interagindo com pessoas e não com telas

    Para o bom desenvolvimento da personalidade, as crianças precisam, desde seus primeiros anos, de relações interpessoais com seu principal cuidador. O tempo passado no mundo virtual rouba das crianças as experiências humanas que deveriam ter. A tela se converte em obstáculo inclusive para a criação de laços afetivos. A criança que substitui as atividades reais pelas virtuais terá diminuído o seu bom desenvolvimento como pessoa em muitos aspectos: motor, cognitivo, comportamental e de relações com outras pessoas…

    As crianças necessitam vivenciar realidades concretas, e quando pequenas aprendem por meio de interações com humanos, e não com telas: precisam do olhar dos pais e dos professores para calibrarem a realidade. Imaginemos, por exemplo, que em uma sala de educação infantil entra um funcionário para substituir a lâmpada queimada, e ao subir na escada para trocá-la deixa cair a ferramenta e solta um palavrão. As crianças não olharão nem para a ferramenta e nem para o operário, mas para a professora. Se a professora não der importância, elas também não darão; se a professora franzir a testa, indicando que aquilo não se deve dizer, elas chegarão à mesma conclusão; se a mestra rir, elas farão o mesmo. E à noite, irão contar aos pais o episódio ocorrido na sala de aula, e adotarão as mesmas reações da professora, que neste caso foi a intermediária entre a criança e a realidade, dando sentido à aprendizagem. Uma tela não pode substituir o papel do cuidador, porque não faz a calibragem viva, real, da informação à criança. O déficit de realidade ou de aprendizagem ao vivo vem trazendo diminuição até no vocabulário dos bebês e no desenvolvimento motor e cognitivo destes. Há forte relação entre o acesso às telas durante os três primeiros anos da criança e os problemas de atenção aos sete anos.

3 – O excesso de telas torna a mente preguiçosa

    Um estudo realizado ao longo de dez anos, estabeleceu relação entre o consumo de televisão por crianças de 29 e de 53 meses, com redução da motivação para aprender na escola, diminuição nos resultados de matemática, aumento das vítimas de assédio escolar e da massa corporal em crianças de até 10 anos. Outro estudo estabeleceu a relação entre o consumo de televisão por crianças de 5 anos com problemas de atenção e concentração aos 11 anos. Esses estudos indicam que os efeitos da televisão prejudicam não apenas crianças abaixo de 2 anos, mas perduram no tempo. As telas não vêm contribuindo para o bom desenvolvimento das crianças pequenas, pois as afasta do aprendizado vivencial que as realidades oferecem.

*O texto acima foi adaptado por Ari Esteves com base no capítulo “Telas na primeira infância”, do livro “Educar na realidade”, de Catherine L’Ecuyer, editora Fons Sapientiae, 2019. Nessa obra, a autora indica dezenas de links e menciona vários artigos com as experiências científicas que lastreiam suas afirmações. O Autor do primeiro desenho (Crianças versus telas digitais) é David Plat.

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