1 – Não atrasar a escolha da profissão. 2 – Como ajudar seu filho a escolher uma carreira. 3 – As qualidades pessoais estão para servir aos demais. 4 – Fomentar a autoestima do adolescente indeciso. 5 – Evitar o sentido utilitarista da vida.
1 – Não atrasar a escolha de uma profissão
Muitos adolescentes e jovens, já no ensino médio, estão indecisos acerca da carreira universitária que pretendem fazer. Ao buscar a orientação ouvem de alguns pais o ingênuo conselho de que ainda são muitos jovens para decidir. Com isso, franqueiam as vagas não para seus filhos, mas para aqueles que já na primeira série do ensino médio, principalmente das escolas particulares, vêm se preparando para o vestibular do ENEM, Fuvest ou outros, com vários simulados por ano.
Ao não tomarem providências o quanto antes, muitos jovens do ensino médio das deficientes escolas públicas poucas chances terão de passar no vestibular das concorridas universidades públicas – gratuitas –, pois com a desculpa de que ainda não sabem que carreira seguir, malbarateiam o tempo ao gastar seis horas diárias com games e redes sociais, ao invés de enfrentarem o desafio da escolha de um curso ao pesquisar na internet as diferentes carreiras e disciplinas dos anos de graduação dos cursos aos quais têm dúvidas, a pontuação média exigida para todas as disciplinas do ENEM e a mínima das disciplinas consideradas mais importantes para cada curso, a fim de refletir se terão condições intelectuais e gosto pela carreira. Trata-se de uma tarefa que devem enfrentar o quanto antes, e não na metade do ensino médio, quando já não terão tempo suficiente de se prepararem bem para o vestibular.
2 – Como ajudar seu filho a escolher uma carreira
Os pais podem ajudar o filho indeciso a se decidir livremente por uma carreira. Para isso, mais que viajar na maionese, começar por fazê-lo perceber os talentos ou capacidades que possui, pois são essas que permitirão a ele realizar mais facilmente determinado curso. Ao contrário, a escolha de uma carreira para a qual não se tenha talento exigirá um esforço maior, com o risco de não se destacar ao desempenhá-la com imperfeição. A carreira deve quadrar-se com o gosto e as aptidões pessoais, pois só assim seu filho se tornará um profissional competente.
Refletir sobre as qualidades ou talentos naturais que se possui é necessário. O exercício de autorreflexão, que os pais devem estimular a que cada filho faça, ajudará a que decida por si próprio sobre a carreira que pretende seguir. Analise com o filho os pontos fortes e fracos que ele possui, e ajude-o a centrar-se em suas melhores qualidades, pois nela possivelmente se aloja a profissão dele. Por exemplo, se ele é mediano ou fraco em matemática, mas excelente em português, gosta de escrever contos e redações, deverá ser incentivado a aproveitar essas qualidades, já que a matemática lhe é uma limitação natural, e mesmo que dedique muito tempo a essa ciência, certamente nunca chegará ao desempenho ideal. Porém, poderá ser dar muito bem em carreiras onde o ato de escrever esteja fortemente presente: direito, jornalismo, letras, entre muitas outras… Trata-se, portanto, de desenvolver ou fortalecer aquilo que seu filho faz bem e se destaca em relação às demais pessoas.
Dedicar-se com gosto a uma atividade que faz a pessoa se energizar e trabalhar nela durante horas seguidas, é indício de algum talento. Valorize até as pequenas coisas que seu filho aprecia, pois atrás de alguma delas estará a profissão dele. Faça-o perceber que tipo de ajuda os parentes e amigos pedem a ele, porque percebem que as realiza com facilidade e melhor que os demais. Há hobbies que não estão distantes de uma opção profissional: gosto por ler livros de literatura ou técnicos, cuidar de plantas e animais, preparar refeições para a família, aconselhar os amigos, destreza manual…
Como foi dito, os talentos permitem realizar com facilidade e prazer determinadas atividades, que podem direcionar a escolha mais acertada de uma profissão. Toda pessoa nasce com algum talento ou qualidade que irá destacá-la no serviço que poderá prestar aos demais: facilidade para falar diante dos colegas da sala de aula, aptidão para números, jeito com crianças, cuidar de idosos, cozinhar, capacidade de concentração…
Onde há fumaça há fogo, diz o ditado. Um talento pode se manifestar com naturalidade desde a infância, e continua a se desenvolver na juventude ao dar prazer em realizá-lo: desenhar, pintar, escrever, habilidade ou destreza manual para montagens, liderar no esporte, aconselhar, ter empatia, organizar atividades, falar diante dos colegas da classe, pesquisar com prazer para realizar trabalhos escolares, facilidade para cálculos ou idiomas, consertar objetos… O adolescente que fala em público com desenvoltura pode ser um futuro professor, palestrante ou advogado; se gosta de escrever poderá ser escritor, jornalista, historiador, redator. Há os desinibidos que apreciam o contato com pessoas, gerenciar atividades, planejar, resolver demandas…
Se a dúvida sobre a escolha de uma carreira profissional persistir, depois de se ter fixado nas percepções mais à mão, surge então a necessidade de fazer testes vocacionais. Na internet há ensaios gratuitos, com perguntas e afirmações que podem identificar habilidades ou indício para determinadas carreiras. Porém, se não forem suficientes, então o ideal será realizar testes em institutos oficiais, conduzidos por profissionais especializados e conhecedores de técnicas para o autoconhecimento.
3 – As qualidades pessoais estão para servir aos demais
Não nascemos para viver isolados, e necessitamos uns dos outros. Há infinitos talentos, o que torna a humanidade interessante ao fazer com que uns uns se apoiem em outros: o que seria se cada pessoa tivesse que fazer as próprias roupas, criar ou consertar os aparelhos que utiliza, diagnosticar e tratar suas enfermidades, cozinhar, cortar o próprio cabelo…
Os talentos ou qualidades devem ser colocadas ao serviço dos demais, e não para satisfazer egoísmos pessoais; devem ser continuamente aprimorados pelo esforço do estudo, da prática e pela ajuda que os demais podem oferecer, pois a formação nunca deve parar. Quem utiliza bem seus talentos pessoais colabora com a melhoria da sociedade, seja através dos serviços que presta para o desenvolvimento social, ou por meio das ideias que aporta no debate cultural, profissional, político, científico ou artístico. Sem perder o entusiasmo de colocar em prática as qualidades próprias, é necessário depois ser constante e paciente para continuar a se desenvolver. Mas se o romantismo da primeira hora diminuir, então, pedir a Deus força emprestada dEle para perseverar, pois o verdadeiro amor está em servir aos demais com as qualidades que Ele deu a cada um.
4 – Fomentar a autoestima do adolescente
Há jovens que se subestimam ao conviver com familiares ou pessoas de certas áreas profissionais, às quais percebem não ter as qualidades necessárias para elas. Outros minusvalorizam-se porque não possuem as aptidões que percebem em seus colegas de escola. Os pais devem estar atentos a esses desajustes que a inexperiência da vida pode trazer, e ajudar os filhos a se conscientizarem de suas verdadeiras qualidades, que são diferentes das outras pessoas, mas que devem valorizar porque nasceram para realizar com elas outras atividades, certamente com maior competência que os demais.
Por vezes, os jovens não percebem que realizam bem determinadas tarefas porque julgam que é algo natural e que todos as realizam também, o que não é verdade! Trata-se, então, de fazê-los perceber que desenhar, falar em público, ser sociável, gostar de ler, saber preparar pratos, entre muitas outras atividades, nem todo mundo faz com facilidade.
5 – Evitar o sentido utilitarista da vida
Tratamos neste boletim acerca das capacidades pessoais que podem ser descobertas e desenvolvidas, a fim de colocá-las ao serviço dos outros. Entretanto, para evitar o sentido utilitarista da vida, deve ficar bem claro que a dignidade humana não deriva das qualidades que se possui, mas do fato de que cada pessoa tem sua alma criada diretamente por Deus, e à imagem e semelhança (os pais colaboraram com o corpo), cuja sabedoria é infinita e não mede as pessoas pelo que sabem ou não fazer, mas porque ama infinitamente cada um dos seus filhos, e deseja ser amado por eles. Se um dia alguém vier a perder suas capacidades por acidente, velhice ou doença, jamais deixará de ter a grande dignidade de ser amada por Deus. Pense nisso.
Texto de Ari Esteves para o site www.ariesteves.com.br. Imagem de Kindel Media.
Siga-nos no Telegram, pois nele também há links para todos os boletins publicados: https://t.me/ariesteves_pedagogo
Gostou deste Boletim?
Se puder contribuir com nosso trabalho, envie sua contribuição para o PIX:
ariesteves.pedagogo@gmail.com

Chave Pix copiada!