1 – Fase pré-natal. 2 – De zero aos três anos. 3 – Dos quatro aos sete anos. 4 – Dos oito aos nove anos. 5 – Dos dez aos doze anos
1 – Fase pré-natal
Conhecer a realidade das crianças de acordo com cada fase é a melhor forma de oferecer uma excelente educação. A passagem de uma etapa para outra geralmente é manifestada por aspectos notórios. Existe a fase pré-natal (no útero materno), onde já ocorrem aspectos fisiológicos e psicológicos: uma forte tensão emocional ou estresse da mãe liberam hormônios alterados que chegarão ao feto e criarão na futura criança tendência à ansiedade ou angústia; um lar com ruídos fortes provocados pelas múltiplas mídias, discussões, chegam à audição do feto a partir da décima semana, e prejudica a bioquímica do cérebro e do coração. Por isso, um lar sereno, a seleção de boas músicas – melhor se for cantada suavemente pela mãe -, fará a criança captar esses sons agradáveis que influirão no futuro bebê.
2 – De zero aos três anos
Com a saída do útero a criança penetra num ambiente muito diferente, que poderá trazer a ela aspectos positivos ou negativos, caso não seja atendida devidamente, tanto nos aspectos fisiológicos, manifestados pelas necessidades básicas naturais (comer, dormir, ouvir sons) e pela hereditariedade, quanto nos psicológicos: sentimento de acolhimento, harmonia, tranquilidade e segurança desde os primeiros meses; ou de medo e insegurança.
A normalidade sentimental ou afetiva da criança (sentimentos, emoções e paixões) é a primeira e mais importante educação a ser oferecida pelos pais, e não pela escola. As falhas nesse âmbito dificultarão a educação da vontade e da inteligência, consideradas faculdades superiores, pois o bom desenvolvimento destas apoia-se no autocontrole e domínio emocional.
Toda criança está centrada em si mesma não por egoísmo, mas por necessidade da natureza. Aos poucos o bebê vai percebendo a vida ao seu redor, sendo importante para ele a boa relação com a mãe, pai e irmãos. Nessa fase a criança aprenderá através da imitação, e não por raciocínio: imitará o sorriso, gestos, ritos e atitudes das pessoas a quem ama. O bom relacionamento dos pais entre si é fundamental para a criança nessa fase para se sentir segura, pois do contrário se assustará e somatizará os desentendimentos dos pais. Por isso, o lar deve ser sem limpo, cheiroso (a criança começará a sentir os bons odores do seu lar), e sem estridências, pois os sons da casa serão captados desde o berço. Se os horários do lar estiverem bem determinados, o bebê e a criança até três anos vivenciarão com alegria as rotinas, pois sente segurança ao repetir sempre as mesmas coisas e nos mesmos horários: banhos, refeições, brincadeiras, luzes apagadas à noite e sono… Tudo isso dará a elas sentimentos de segurança, ternura, alegria e autonomia ao vivenciar o ritmo de cada etapa do dia. Mais adiante, a criança de três anos ficará entretida em seus brinquedos e pensará em voz alta, sendo importante não a interromper para resolver os pequenos problemas dela, nem oferecer a ela o celular ou o tablete (atitude dos adultos que merece chibatadas!). Mais adiante essa criança será ordenada e saberá concentrar-se para cumprir suas tarefas, sem que a fiquem cobrando para isso.
3 – Dos quatro aos sete anos
Neste período a criança é muito ativa e deseja conhecer o mundo que a circunda, e inicia fase dos “porquês”, ao desejar saber a utilidade prática das coisas (poderá até quebrar objetos para ver o que acontece). O mundo vivo e o inerte são para ela uma coisa só. Começa certo movimento de oposição (dizer não), de impor seu gosto e de certa exibição do eu para se autoafirmar. Inicia a saída do âmbito familiar para adentrar no da escola, festas e outras atividades fora de casa; terá novos amigos e gostará de brincar e jogar com eles, e não mais só. Entre os seis e sete anos começa a raciocinar sobre o concreto e não sobre o conceitual e abstrato. Desperta a consciência moral para a compreensão do que é certo ou errado, mas sendo seu raciocínio muito concreto, a leitura dos contos clássicos terá importante papel ao materializar para a criança o bem e o mal por meios dos personagens das histórias. Nesta fase o exemplo das pessoas com as quais convive é intensamente absorvido e imitado: modos de agir e de falar; hábitos de ordem ou desordem e de aproveitamento ou perdas de tempo; espírito de serviço ou falta de preocupação pelos demais; de ser solidaria e colaborar para com a ordem e limpeza da casa ou viver só para si e suas coisas…
O prazer que as crianças nessas idades têm de ouvir contos, histórias e narrativas oferece de mão beijada aos pais a melhor oportunidade de fazê-las amar os livros e se verem livres de perder o tempo com celulares, tabletes e excesso de TV. Se no início dessa fase os pais e os irmãos lerem para elas os clássicos contos infantis (ver nossa lista de contos infantis), ficarão felizes e aguardarão ansiosamente esse momento, desejando aprender a ler para viajarem sozinhas pelo mundo das letras. Quem lê para crianças pequenas deve armar-se de paciência, pois elas pedem para repetir incansavelmente as histórias que apreciaram, sem cansar-se de ouvi-las.
As atividades ao ar livre são maravilhosas para as crianças de quatro a sete anos, acostumando-as a não depender de celulares e tablets para se divertir (crianças viciadas em telas digitais ficam entediadas com o mundo real, pois acostumaram-se a apertar botões para ver apenas o irreal). Jardins botânicos, parques e zoológicos as fazem contemplar ao vivo a maravilhosa ordem estabelecida por Deus na Criação: animais e aves com seus pares, plantas e flores de todas formas e cores revelam a existência de uma ordem ou inteligência na natureza… Passeios pelo campo fazem as crianças conhecerem as plantas e os seus nomes, além dos pequenos animais e insetos que ali vivem. Os pais não devem temer que subam em árvores ou se deitem na grama para olhar as figuras desenhadas pelas nuvens. Em dias de chuvosos, mais do que socar as crianças dentro de uma sala, onde facilmente contraem gripes e resfriados, é melhor vesti-las com roupa impermeável para brincar na chuva e apreciar o ecossistema desses dias, bem diferentes dos ensolarados: o cheiro de terra molhada, o brilho das folhas, as multidões de pequenos insetos que passam a circular nas folhagens úmidas (caracóis, lesmas, entre outros) permitem novas descobertas.
Aos sete anos inicia a idade escolar com sua carga de horários, provas e tarefas com prazos pré-fixados, que ajudarão a crescer no sentido de responsabilidade, e a não fazer apenas o agradável ou gostoso. Se os pais exigiram desde os três anos de idade a que cumprissem seus pequenos encargos familiares e aos horários estabelecidos, terão adquirido hábitos que agora, na infância, permitirão agir com soltura, determinação e sem manhas, choradeiras ou preguiças.
4 – Dos oito aos nove anos
Nesta fase, e até um pouco antes, o sentido de oposição, independência e de opinião são mais veementes (pretendem fazer e decidir sozinhos). Cresce nas crianças a necessidade de socialização e multiplica-se o número de amigos, pois são capazes de cultivar amizades mais conscientemente. O modo de pensar continua a ser concreto, mas a consciência moral desponta, fazendo a criança se sentir incomodada diante de más ações, próprias ou praticadas por outros. Aumenta o sentido de responsabilidade, e passa a compreender melhor as necessidades dos demais, sendo um ótimo momento para ganhar hábitos de solidariedade, de combater egoísmos ou de desejar encerrar-se em suas coisas (meu tempo, meus jogos…): visitar orfanatos junto com o pai para doar brinquedos bons, não mais utilizados; levar bolo aos idosos de um asilo; ajudar irmãos e amigos com dificuldade escolares; visitar amigos doentes…
Trata-se de um período em que a criança é capaz de contemplar, escutar, assimilar, interiorizar e maravilhar-se. Mas não é capaz de ouvir por muito tempo, e nem de trabalhar isoladamente por longos períodos. Aflora com veemência a criatividade de inventar jogos e regras, de construir objetos e imaginar brincadeiras em equipe, entre outras iniciativas, desde que não tenham adquirido o vício de celulares e telas eletrônicas, que lhes sugam a imaginação e engenhosidade, resumidas em apertar botões e se satisfazer com isso.
As crianças nesta fase são facilmente introduzidas no mundo da cultura e da arte. Para lhes ampliar o gosto estético, visitar com elas museus e exposições de quadros e esculturas; percorrer feiras de livros ou livrarias; inscrevê-las na biblioteca pública mais próxima da residência; levá-las a salas de contação de história ou de recitação de poesias e de leitura, ir ao teatro infantil… As apresentações musicais ao vivo ou em vídeos, com diferentes gêneros musicai, aguçará o sentido estético para fugir dos pobres gêneros impostos pelas mídias atuais. Muitas crianças nesta fase se interessam por aprender a tocar um instrumento musical ou a desenvolver um hobbie artístico que as fará aproveitar melhor as horas livres.
5 – Dos dez aos doze anos
É a idade prática, do gosto pelo jogo, aventura e da vivência em grupo. Desejam possuir e dominar o mundo, julgam-se autossuficientes, mas continuam com dificuldades para captar o abstrato e pouco se conhecem a si mesmos. Aceitam as leis e as regras como parte de um jogo (inclusive as inventam para suas brincadeiras e disputas). Os hábitos bons ou ruins se cristalizam com facilidade nestas idades, e serão levados para fase seguinte (da juventude): terão bons hábitos se os pais exigirem com paciência a que cumpram os encargos e as tarefas que lhes cabem; que tenham horários de dormir e acordar; de jogar e de cumprir suas tarefas e encargos. As rotinas, atividades pré-fixadas e fórmulas prontas lhes facilitam a vida e trazem mais segurança: uniformes, horários estabelecidos para todos na vida familiar, nas atividades escolares e outros compromissos.
Nestas idades, se não foram educados em valores ou modelos de conduta, facilmente se deixarão influenciar pelos amigos (roupas, modos de agir e de dizer, hábitos…), razão pela qual os pais devem esclarecer bem a inteligência deles para que possam fundamentar uma opinião contrária à dos demais sobre a sexualidade humana, imagens pornográficas, drogas, roupas e materiais esportivos caros…
Caracterizam também esta fase a boa memória, o aprendizado fácil, o aprofundamento na noção de tempo e de causa. Possuem capacidade para se esforçar, se não adquiriram o vício da preguiça na fase anterior por falta de exigência dos pais. Idealistas, aceitam os desafios para metas que estejam dentro de suas capacidades, mesmo que exijam esforços por alcançá-las. Aprendem com facilidade por meio de exposições ou palestras vivas, concretas e criativas: encenações, gestos, cantos, cartazes e vídeos bem selecionados. O gosto pela ficção científica e pela aventura podem levá-los a ações temerárias. Influenciados pelos amigos podem aceitar certas formas de agressão e crueldade com os animais. Tendem a viver em torno de seus planos e manifestam frieza e indiferença para com as pessoas, se não foram iniciados em casa para a solidariedade, espírito de serviço e preocupação pelos demais. Podem desobedecer com facilidade, seja por preguiça, teimosia ou autoafirmação. Têm capacidade para avaliar moralmente suas ações, possuem senso de justiça e se revoltam diante de injustiças praticadas contra os menos favorecidos. São suscetíveis, magoam-se facilmente e afastam-se dos pais, caso estes não compreendam suas razões.
Esta fase pode ser bem aproveitada para a transmissão de valores ou modelos de conduta: solidariedade ou preocupação pelos demais, buscar ideais altos com os quais possam servir com suas qualidades pessoais, não mentir e ser honestos e verazes, a não se corromperem por dinheiro ou outras facilidades…
Texto produzido por Ari Esteves para o site www.ariesteves.com.br, inspirado pelo artigo “Educação das crianças”, de Nilva Brugnera, no livro “Como educar hoje” – Reflexões e propostas para uma educação integral”, Editora Mundo e Missão, São Paulo (SP), 2003. Imagens de Pavel Danilyuk.
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