As milhares de horas que os adolescentes gastam com games e redes sociais, se forem incentivados a empregá-las em assunto mais útil que possam desenvolver com gosto e competência, logo estarão habilitados para melhor servir aos demais e visualizar a futura profissão.

         Por vezes, os adolescentes não percebem as qualidades ou capacidades que possuem. Alguns, por exemplo, com dificuldade em matemática, se sentem inferiorizados diante de colegas aptos nessa disciplina, e não percebem que possuem inteligência para redação, gramática ou outras matérias. O pior é quando seus pais os forçam a estudar horas a fio tal disciplina, contratam professores particulares e cursos extras, mas nada fazem para potencializá-los ainda mais nas suas verdadeiras competências, que certamente os destacarão na futura profissão. Logicamente, trata-se de animá-los a obter pontuação necessária para aprovação, que não precisa ser a máxima, e não se preocupem mais, pois seus filhos não serão futuros matemáticos, já que suas reais aptidões são outras.

         Os pais devem ajudar os filhos a terem autoestima, fazendo-os reconhecer as suas competências “que são aqueles comportamentos observáveis e habituais que facilitam o êxito em alguma atividade ou função, e são o resultado de características inatas, conhecimentos, motivações e habilidades da pessoa”, ensina Pablo Cardona, da Universidade de Navarra (https://www.unav.edu/web/tu-and-co).

         Os pais devem trocar impressões entre si para perceber as capacidades de seus filhos, além de buscar conselhos com professores, ler artigos, assistir no Youtube palestras ou áudios de psicólogos e profissionais de recursos humanos sobre como identificar as aptidões dos adolescentes, e animar os filhos a preencherem testes vocacionais gratuitos na internet. Se um jovem diz que quer ser jogador de futebol, militar ou piloto de avião, é preciso averiguar se se trata de mero desejo ou de um desejo acompanhado de talento. Gosto e aptidão podem seguir caminhos distintos: não basta gostar de piano para ser um bom pianista, mas ter as habilidades que esse instrumento requer. O gosto, que por vezes é inconsciente e não se sabe explicar a sua gênese, deve evoluir para uma deliberação racional-emocional para se transformar em opção vital consciente.

         Certas profissões exigem um tipo de inteligência relacional para entrosar-se com pessoas; outras, supõem inteligência mecânica pronta para destrinchar problemas práticos; há também as que requerem inteligência abstrata e dotada para estudos teóricos… Tais nuances vão se manifestando no dia a dia da vida familiar: saber consertar as coisas; capacidade para ouvir, aconselhar, fazer novas amizades; talento para prever e organizar; liderança, capacidade de manter atenção e aprofundar nos temas, etc.

         Além do conhecimento técnico, cujas habilidades são conhecidas como hard skills, as empresas valorizam hoje em dia os virtuosismos comportamentais, também chamados de soft skills. Estes, mais subjetivos, requerem o desenvolvimento interpessoal como empatia, capacidade de ouvir, habilidades para comunicação, interagir positivamente em equipes, entre outras. A união das habilidades soft com as hard skills qualificam altamente um profissional, que se destacará em sua área de atuação.

         Para o desenvolvimento das habilidades comportamentais (soft skills), os pais devem observar como os filhos cuidam de seus objetos, como reagem às contrariedades, se são responsáveis ou preguiçosos, corajosos ou covardes, indiferentes ou preocupados com os demais, respeitosos ou grosseiros, serviçais ou egoístas… Depois, trata-se de ajudá-los a desenvolver as virtudes que lhes faltam, e que se unirão aos talentos e habilidades técnicas que possuem para melhor servir aos demais. A Universidade de Navarra propõe 12 competências para a avaliação de profissionais, e tenho para mim que é possível adaptá-las e desenvolvê-las paulatinamente em adolescentes e jovens: ver https://www.unav.edu/web/tu-and-co.

         Abordar com os filhos seus temas de interesse e as aptidões que mais se destacam neles, e fazê-los perceber a importância de as colocarem ao serviço dos demais. Para isso, os pais devem fugir de sonhos irreais e imaturos de que seus filhos se tornem engenheiros ou médicos, isso ou aquilo, e auxiliá-los a descobrir suas verdadeiras capacidades, pois nestas encontrarão a profissão onde melhor atuarão. Ao tratar com os filhos temas relacionados à escolha da profissão, afastá-los da perspectiva econômica egoísta e material, e da que visa demonstrar suas capacidades e alimentar vaidades, e incentivá-los a analisar sob ótica do amor, da transcendência para aportar aos demais o melhor de si mesmos: a motivação transcendente os tornará mais felizes, e por atuarem em uma profissão que desempenharão com competência e amor, serão recompensados para viver economicamente dela.

         Sugerimos conhecer o Catálogo Nacional de Cursos Técnicos (CNCT), do Ministério da Educação http://cnct.mec.gov.br/, com centenas de profissões e ofícios de nível médio, e visitar o Portal Monitor de Profissões (MONP), também do Ministério da Educação, https://monp.abdi.com.br/home, com profissões de nível técnico e superior. Em ambas as plataformas encontra-se a descrição de cada atividade, os conhecimentos teóricos e práticos necessários, e as qualidades ou habilidades pessoais necessárias para o desempenho dela.

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