A partir da filosofia de García Hoz, a educação personalizada parte do princípio da singularidade: cada pessoa é única em seu modo de aprender, crescer e se relacionar. Quando falamos em diferenças entre meninos e meninas, não estamos nos referindo apenas a aspectos físicos ou hormonais, mas a tendências gerais no ritmo de maturação neurológica, expressão emocional, interesses e formas de interação com o conhecimento.
Estudos como os de Park et al. (2016) e Riordan (2015) mostram que, em média:
- Meninos tendem a maior impulsividade, resposta motora e interesse por desafios físicos e mecânicos.
- Meninas, por sua vez, tendem a melhor desempenho inicial em linguagem, maior sensibilidade social e foco em tarefas estruturadas.
Essas tendências não determinam o destino de ninguém, mas oferecem pistas para práticas pedagógicas mais eficazes, pois permitem aplicar metodologias específicas que respeitam as diferenças sem fomentar competição precoce entre os gêneros. Como ressalta Jennifer Wimer (2011), isso favorece o desenvolvimento moral em um ritmo mais adequado à maturação de cada grupo.
Alfonso Aguiló diz que meninos e meninas apresentam diferenças no ritmo de desenvolvimento, na forma de aprender, no processamento de emoções, nas motivações e interesses. O ensino ao se adaptar à forma de aprender peculiar de cada sexo, torna a igualdade de oportunidades uma possibilidade mais real.
A seguir, relacionamos sete dicas para a educação de meninos e de meninas, oferecidas por Gabriel Sestrem, jornalista da Gazeta do Povo:
7 dicas para incentivar a masculinidade nos meninos
1. Desenvolva a responsabilidade desde cedo: dê pequenas tarefas físicas em casa, como carregar sacolas, ajudar em reparos simples e cuidar do jardim. Lembre-se de fazer com que ele se sinta realmente útil com frases como “Que bom que você me ajudou nisso”, ou “Se eu fizesse sozinho, demoraria muito mais”. Isso faz com que ele desenvolva o senso de proteção e serviço.
2. Incentive atividades físicas e desafios: praticar esportes, aprender a se defender (se possível, matricule-o em uma boa academia para aprender uma arte marcial) e testar os próprios limites, o que ajuda a desenvolver coragem, disciplina e força.
3. Ensine respeito, liderança e hierarquia: aproveite situações do dia a dia para ensiná-lo a proteger os mais fracos, respeitar mulheres e idosos, tomar iniciativa e liderar em situações cotidianas. Homens valorizam muito a hierarquia; ensine-o a entender o seu lugar em cada ambiente.
4. Valorize a firmeza emocional: ensine que é normal sentir emoções como medo ou angústia, mas que a masculinidade envolve autocontrole e resolução racional dos problemas. Incentive-o a enfrentar os medos e a resolver problemas, e comemore toda pequena conquista.
5. Ensine sobre honra e palavra: o “fio do bigode” é algo que se perdeu com o tempo. Seu filho precisa saber que um homem deve ser confiável e que a palavra tem valor.
6. Cultive um espírito aventureiro: brincadeiras físicas, exploração ao ar livre, superação de desafios físicos e participação em competições são muito úteis para fortalecer a identidade masculina.
7. Reforce sempre o papel de provedor e protetor: mostre, pelo exemplo e ensino, que homens devem cuidar da família, proteger aqueles que amam e ser trabalhadores responsáveis.
7 dicas para incentivar a feminilidade nas meninas
1. Incentive a delicadeza e a gentileza: ensine boas maneiras, tom de voz agradável (evitando gritos e palavrões), a importância do sorriso e da postura cuidadosa. Pequenos gestos, como ajudar um irmão menor a se vestir, ajudam a desenvolver um comportamento acolhedor e atencioso.
2. Valorize o cuidado com a aparência: ensine sobre roupas femininas, higiene pessoal, cabelo bem cuidado e elegância natural. Isso fortalece a autoestima e reforça o valor da feminilidade como algo belo e natural.
3. Desenvolva habilidades domésticas e de organização: ensine a cozinhar, cuidar de casa, organizar o espaço e receber bem as pessoas. Desde cedo, as meninas podem aprender que manter um ambiente bonito e organizado é uma forma de carinho pela família.
4. Encoraje a valorização da maternidade: mostre como a maternidade é bela e significativa. O clássico brincar de boneca deve ser estimulado, já que ajuda a desenvolver o senso de cuidado e proteção. Ter contato com bebês também é muito positivo.
5. Ensine sobre a importância do casamento e da família: converse sobre a construção de um lar, a parceria com o marido e o papel da mulher na estabilidade familiar. Isso a ajudará a ver o casamento não como um fardo, mas como uma missão honrosa e gratificante.
6. Fomente interesses como artes, decoração, moda, literatura clássica, música, culinária e hospitalidade, pois são áreas que ajudam a enriquecer a feminilidade.
7. Incentive-a a aprender defesa pessoal: esse item pode parecer estranho, pois não tem a ver diretamente com feminilidade. Mas feminilidade não significa fragilidade. Se para um homem é importante ter noções de defesa pessoal, para uma mulher isso é mais do que essencial. Se possível, matricule-a em uma arte marcial – de preferência, jiu-jitsu.
Por fim, diz Sestrem, o mais importante é que os pais sejam exemplos vivos do que ensinam. O menino precisa ver o pai como um homem forte e confiável, e a menina precisa enxergar a mãe como uma mulher graciosa e segura. O ambiente familiar molda a identidade das crianças muito mais do que palavras. Faça sua parte!
Sugerimos assistir o vídeo da Dra. María Calvo, que resume bem as ideias apresentadas por diferentes autores sobre o tema deste boletim: Claves de la Educación Diferenciada – María Calvo (15min44s). Explica como meninos e meninas aprendem de forma diferente e como o modelo single-sex potencializa isso com intencionalidade formativa.
Indicação bibliográfica: “Educação single-sex”, de Alfonso Aguiló, Editora Quadrante, São Paulo, 2015.
Texto elaborado por Ari Esteves com base no artigo de Gabriel Sestrem, jornalista, publicado no site da Gazeta do Povo, dia 16-03-2025, com o título “Como incentivar a masculinidade nos filhos e a feminilidade nas filhas”. Imagem de Marta Wave.
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