Os sentimentos e afetos humanos – popularmente chamados de paixões – fazem a ponte entre a vida sensível e a espiritual, assim como os sentidos externos (visão, audição, olfato, paladar e tato) são caminhos para o conhecimento intelectual do mundo exterior.
As paixões, como o amor, o ódio, o desejo, a tristeza, o temor ou a audácia, influenciam profundamente nossas ações. O amor tende à união com o amado; o ódio, ao afastamento do que é nocivo; o desejo impulsiona à conquista de um bem distante; a tristeza revela um mal presente; a audácia enfrenta os obstáculos que se opõem à conquista de um bem; o temor faz evitar os perigos.
Em si mesmas, as paixões não são boas nem más: tornam-se ordenadas ou desordenadas, boas ou más, conforme a direção dada a elas. O amor, por exemplo, é bom quando se volta ao verdadeiro bem; é nocivo se busca apenas o prazer egoísta; a alegria é paixão que motiva para o trabalho diligente; o temor afasta as escolhas imprudentes.
Educar não é suprimir as paixões: é iluminá-las com a razão; é corrigi-las com a vontade fortalecida pelas virtudes que eliminam os egoísmos, vícios e preguiças que impedem a busca do bem e da verdade… A personalidade madura não suprime os afetos, mas os purifica e os coloca ao serviço de bens maiores: família, trabalho, amizades, ideais elevados…
É possível e necessário endereçar as paixões para o bem:
- O amor, para a família, os amigos e as grandes causas.
- O ódio, contra o pecado, os vícios e as injustiças.
- O desejo, para organizar obras sociais em prol dos mais necessitados.
- A aversão, para afastar-se do que impede a realização do bem.
- A esperança, para impulsionar a busca por ideais grandes, mas alcançáveis com esforço.
- A desesperança, transformada em desconfiança pessoal para apoiar-se na fortaleza de Deus.
- A audácia, como intrepidez e valentia para crescer nas virtudes contrárias aos defeitos pessoais.
- O temor, para fugir das ocasiões de praticar o mal.
- A ira, como indignação diante das injustiças.
Ignorar os afetos empobrece a ação humana. Deus nos criou com inteligência, vontade e coração, e a formação integral supõe o equilíbrio dessas capacidades, tal como na orquestra os diferentes instrumentos soam em harmonia. Se as condutas humanas fossem unicamente racionais, frias, e ignorassem a vertente afetiva ou do coração, não viveríamos integramente como Deus nos criou.
Texto elaborado por Ari Esteves com base no livro “Para chegar ao porto”, de Francisco Fernández-Carvajal, Editora Cultor de livros.
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