Como tem sido sua experiência ao tentar conversar com seu filho? Pais reclamam que seu filho, antes comunicativo, passou a ser silencioso, monossilábico e com frases entrecortadas. Já os filhos se justificam ao afirmar que seus pais não deixam falar e logo começam com sermões, fazem afirmações que revelam não prestar atenção aos que eles dizem, disparam afirmações dogmáticas, traem a confiança deles ao expor uma confidência que fez, utilizam tom de voz e trejeitos julgadores e incriminatórios, só falam do que lhes interessa, ordenam e criticam e não deixam espaço para os filhos expressarem seus pensamentos e sentimentos.
O que fazer quando o diálogo parece impossível?
O verdadeiro diálogo tem equilíbrio: um fala e o outro ouve com verdadeiro interesse em compreender. Há pais sem sintonia com o filho e desconhecem suas preferências artísticas e culturais (músicas, vídeos, filmes…), assuntos técnicos ou científicos que aprecia…Os pais devem dar o primeiro passo para iniciar uma conversação grata, com temas que interessam ao filho: jogo de futebol que participou, o videogame preferido, músicas que aprecia, o ídolo que admira, o instrumento musical que almeja aprender a tocar… Mostrem interesse quando ele fala com palavras que demonstrem atenção ao que diz: “entendo”, “que bom”, “puxa, interessante!”, “verdade!”, “fico feliz em saber disso”, “compreendo o que você está me dizendo”. Não há pressa em querer falar, a ponto de cortar a fala dele. Ouçam de forma passiva, sem emitir juízos ou interromper a fala dele. Nunca se escandalizem com o que ele diz, e não lancem um torpedo do tipo “eu não falei; bem que avisei!”, mas dizer “acho que isso tem solução”, “nada acontece sem que Deus permita”, “a gente ganha experiência com nossos erros”… Evitar discussões ou atitudes de ataque e defesa que fazem ambos os lados se fecharem no orgulho.
O verdadeiro diálogo constrói pontes entre mentalidades diferentes, ao dar a conhecer a própria opinião com transparência, sem esconder o que se pensa para evitar conflitos, pois essa falsa atitude tornaria superficial convivência. O diálogo com o adolescente não deve ser professoral, mas testemunhal.As pessoas hoje dão mais importância ao testemunho pessoal do que ao tom professoral, do tipo “você precisa fazer isso”; “você tem que…”. O Papa Paulo VI disse que «o homem contemporâneo escuta com mais vontade aqueles que dão testemunho do que aqueles que ensinam», e continuava: «Se escutam os que ensinam, é porque eles dão testemunho».
Adolescentes não querem ser tratados como crianças
Os adolescentes querem ser tratados não como crianças, mas como adultos, e são muito sensíveis ao modo como são abordados pelos pais: um tom de voz paternalista ou autoritário lança por terra a tentativa de manter uma conversa. Falem descontraidamente com ele, e deem poucos conselhos, e só os mais importantes e necessários para não aborrecer com muitas indicações, que acabam perdendo força. Seu filho se abrirá ao não se sentir coagido a compartilhar sua intimidade. Não façam perguntas fechadas que podem ser respondidas com um “sim” ou “não”, mas abertas, a fim de saber o que pensa sobre um assunto e fomentar o diálogo: –“Que acha dessa notícia que saiu na imprensa?”.
Considerem seu filho digno de confiança; mostrem que vocês confiam nele ao pedir favores e dando-lhe privilégios: ajudar na educação do irmão menor, cuidar de certas gestões familiares (ir ao banco, pagar contas…), pois isso aumentará sua autoestima. Peçam a opinião dele sobre os projetos familiares e como solucionar determinada situação… Elogiem não só os mais novos, pois os adolescentes precisam de alento para se sentirem considerados.
A conversa com adolescentes deve chegar a ideias e não a fatos concretos, pois as ideias conduzem a ações práticas. Não critiquem o amigo dele, pois ele o defenderá com ardor, mas conversem com ele sobre o que pensa ser uma verdadeira amizade, e aproveite uma boa história literária (por exemplo, Pinóquio, de Carlo Collodi), e deixe-o concluir sozinho que o verdadeiro amigo está junto também nas horas amargas, os colegas só para se divertirem juntos e os cumplices para sugerir coisas erradas. Não dar sermões ou aconselhar desde uma cátedra e em tom professoral, mas conversar, ouvir, perguntar e deixar que concluam as coisas.
A verdadeira comunicação é uma estrada de duas mãos: falar com o filho é dialogar com ele; falar para o filho é monologar e não deixá-lo falar. Diálogos não restritos às notas escolares, questões polêmicas como festas, excesso de telas digitais e celulares, que podem ser deixadas para o momento em que estiverem bem-dispostos para conversar.
É muito humano iniciar uma conversa com temas simples, permeada de risos, pois fomenta a amizade: músicas que apreciam, a classificação do time de futebol preferido, como gostam de descansar… A conversa corriqueira age como gravetos que alimentam a fogueira para abordar temas mais profundos. Essa conversa é provocada não com perguntas fechadas que podem ser respondidas com “sim” ou “não”, mas aberta para provocar o diálogo e compreender como ele pensa: – Que acha dessa notícia que saiu na imprensa? Aproveitem os instantes juntos no carro e coloquem muita atenção ao que dizem, pois comentários descontraídos revelam o que há no coração e abrem horizontes educativos. Deixar de abordar temas mais profundos indicaria um clima familiar carente de objetivos e que não alcança valores mais altos: Deus, ideais de servir, escolha da profissão, aproveitamento do tempo, desenvolver as habilidades pessoais para melhor servir aos demais…
Nas conversas sinceras há espaço para discordar sem que isso abale o trato mútuo. A amizade não depende de esconder o que se pensa, porque necessita da autenticidade, desde que demonstrada com respeito e carinho. Num diálogo, quanto mais fiel for cada pessoa à sua consciência, mais autêntica será a unidade entre elas. Ser fiel às próprias convicções não impede a convivência, pelo contrário, faz crescer o respeito mútuo. Uma boa conversa leva à troca de sentimentos, ideias e experiências, e não apenas temas superficiais só para matar o tempo. Uma boa conversa leva pais e filhos abrirem a alma, porque se compreendem, sabem ouvir e não temem falar de temas profundos, como projetos pessoais, dificuldades, valores, fé, drogas, sexualidade.
Mudanças de interesse e identidade
Como você lida com as mudanças no modo de vestir, falar ou se divertir de seu filho? Consegue enxergar isso como parte natural da formação da identidade? Um adolescente não quer ser tratado como criança, mas como adulto. A maturidade é um tema importante, ligado à personalidade, ao modo estável de se relacionar consigo próprio, com os demais, e com o mundo. É natural no homem a autonomia, a independência, e deve ser educado para isso. Não prender os filhos em casa. É importante desenvolver a autonomia desde a infância, ao não fazer pelo filho aquilo que ele pode fazer sozinho.
Há pais e mães inseguros em tornar seus filhos independentes, pois os querem como eternas crianças fofinhas e engraçadas. Com isso, acabam substituindo os filhos em tudo o que eles deveriam fazer sozinhos, e os tornam moles, preguiçosos e sempre dependentes de que os demais façam tudo por eles. Pais que não querem ver o filho deixar de ser criança educam mal. Já se disse que à supermãe ou ao superpai corresponde um infrafilho, sem capacidade de voar por si só.
As dicas aqui expostas servem não apenas para o diálogo com os adolescentes, mas também com os amigos e colegas do trabalho e das relações sociais.
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Texto de Ari Esteves para o site www.ariesteves.com.br. Imagem ChatGpt
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