Não nascemos para viver isolados e preocupados apenas com o nosso umbigo. O que mais custa ao homem moderno é desprender-se do próprio tempo para oferecê-lo aos outros, porque não compreende que felicidade não combina com o egoísmo, e que a liberdade humana se degrada ao se fechar em si mesma, tapando os olhos às carências materiais e espirituais das pessoas ao redor. O valor do dinheiro não pode tornar-se um bem absoluto ou principal da vida. Tal apego ofusca o olhar e o impede de reconhecer as necessidades dos outros. Nada é mais nocivo para uma pessoa ou comunidade do que ser ofuscada pelo ídolo da riqueza. Se há caridade, que é carinho humano e sobrenatural, torna-se mais fácil perceber as necessidades dos demais.
Ser generoso quando se espera retribuição é fácil. Mas, o egoísta não é verdadeiramente feliz porque nunca está satisfeito com o que possui, e deseja sempre mais: diz o ditado “tem mais quem precisa de menos”. A solidariedade, porém, é a capacidade de compreender o sofrimento dos demais, e agir para minimizar essas dores ou dificuldades, ao dar seu tempo aos demais.
A verdadeira atenção não é assistencialismo
Quais necessidades vejo no meu entorno: família, trabalho, vizinhos, escola, associação, etc.? Como poderia contribuir para ajudar aos demais? Há muita carência material e espiritual em todos os lugares, e para resolver isso não servem retóricas, mas arregaçar as mangas e pôr em prática a fé através de um envolvimento direto e não delegado a outros. “Nenhuma expressão de carinho, nem mesmo a menor delas, será esquecida, especialmente se dirigida a quem se encontra na dor, sozinho, necessitado como estava o Senhor naquela hora” (Papa Leão XIV, Exortação Apostólica Dilexi te). Todos podemos ter gestos concretos de afeto para com os mais necessitados, sabendo ver em cada um o próprio Jesus na Gruta de Belém.
A verdadeira atenção não é assistencialismo, mas doação sincera de tempo, reconhecendo como irmãos aquele que necessita de ajuda. O problema não está no dinheiro em si, mas na preocupação com os que sofrem, em ensinar, em aproximar os bens da saúde, do trabalho e da cultura àqueles que estão distantes deles… Ninguém pode eximir-se da responsabilidade pela justiça social, pois a miséria resulta da injustiça, da exploração e de uma lógica centrada apenas no lucro, que desumaniza e gera novas formas de escravidão.
A solidão é uma forma de pobreza
A “pobreza libertadora” é escolha consciente pelo essencial e fuga do supérfluo, capaz de libertar das ansiedades e da falsa riqueza. Há necessidade não apenas de ajuda material, mas de amor verdadeiro e gratuito. Há pessoas materialmente resolvidas, mas que estão só, necessitadas de amor, companhia e compreensão.
São João Crisóstomo e São Paulo ensinam que a pobreza de Cristo nos torna ricos, pois a verdadeira riqueza está no amor, na justiça, na santificação e na vida partilhada. Seguir a Cristo implica assumir esta pobreza por amor, partilhar a própria vida e o pão com os mais necessitados, para libertar os pobres da miséria e os ricos da vaidade, restaurando a dignidade humana.
Educar para a generosidade
A educação para a generosidade deve ser ensinada às crianças desde as primeiras idades, ao serem estimuladas a realizarem tarefas ou encargos não apenas para si, mas de interesse de todos no lar, e adaptadas à idade e à capacidade de cada uma. As crianças se tornam sensíveis e conscientes de suas obrigações, movidas pelo desejo de servir. Chegará um momento em que não será necessário pedir a elas para ajudar, pois fará tudo por vontade própria.
Ajudar os filhos a perceberem seus hábitos egoístas: meus jogos, minhas coisas, meus planos, meu esporte, meus vídeos, meu, meu, meu. Mostrar satisfação ao observar que o filho teve atitude compreensiva em relação a outra pessoa, ou desaprová-lo se foi insensível. Estimular os adolescentes a organizar atividades de formação humana, social ou cultural àqueles que necessitam, contando com a ajuda de seus amigos. Incentivar os filhos, desde pequenos, a doarem a crianças carentes, brinquedos em bom estado que já não utilizam mais; ir junto com eles a asilos ou orfanatos.
Ter ânsias de servir com os dons pessoais
Todo adolescente sonha alto e tem pensamentos de aventura, de triunfo! Canalizar essa força para fazer o bem a tantas pessoas necessitadas, fomentando neles ambições nobres ao serviço dos demais. Um livro de leitura agradável, e que aborda a preocupação que um garoto de 7 anos tinha pelos demais é “O pequeno lorde”, da escritora inglesa Frances Hodgson Burnett, traduzido para o português.
Aspirar a algo valioso dá sentido à própria existência. Ter um ideal nobre já na adolescência faz aproveitar melhor o tempo. Por isso, ajudar os filhos a descobrirem suas aptidões e habilidades artísticas, técnicas ou científicas, não para motivações egoístas, mas para servir aos demais. Quando um ideal nobre se apodera de um jovem, seus desejos, afetos e ações são canalizados para motivações transcendentes, não egoístas, e com isso ele descobrirá a felicidade, porque o amor verdadeiro não está em receber, mas em doar-se. Pesquisar na internet vídeos e podcasts sobre como descobrir as aptidões dos filhos adolescentes, e incentivá-los a aproveitar melhor o tempo, não com divertimentos frívolos, mas aprofundando-se naquele tema com o qual melhor poderá servir aos demais, e que certamente será o de sua futura profissão.
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Texto produzido por Ari Esteves. Imagem: ChatGPT
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