Quando no lar não há regras ou elas mudam com frequência e ao sabor do humor dos pais, o cérebro da criança deixa de seguir padrões e entra em parafuso, pois deixa de entender a lógica de causa e efeito. É necessário previsibilidade para um desenvolvimento emocional sadio. Dizer ”não” hoje e “sim” amanhã sobre a mesma coisa, ou afirmar que haverá consequência para um comportamento desajustado e nada fazer quando este ocorre, desorganiza o sistema cerebral da criança, tal como ocorreria com um motorista numa cidade onde os semáforos funcionassem de forma aleatória, o vermelho por vezes significaria “siga em frente” e, noutras, “pare”.

         Coerência não é rigidez ou inflexibilidade, mas manter princípios claros e não ceder por cansaço ou pena: avisar a criança que não haverá sobremesa se rejeitar o almoço, a medida deve ser aplicada. Se o menino de 8 anos é agressivo, quebra as coisas, bate nos irmãos e desrespeita os pais, é porque não lhe foram estabelecidas consequências, ou não foram cumpridas. Afirmar ao garoto que ficará sem o videogame, e depois de meia hora de choro ceder ou dizer que não irão ao parque se não se comportar bem, e depois ir porque sentiram pena, o resultado é que cérebro da criança passará a concluir que as palavras dos pais não têm valor, que suas ameaças são vazias, que se insistir o suficiente eles cedem.

         Se os pais agirem com coerência serão mais consistentes e haverá para o cérebro infantil um mapa confiável para transitar, e a criança passará a compreender que as palavras dos pais são válidas, pois sempre cumprem o que dizem.

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