Virtude vem do grego areté e do latim vis, que significa força. “As virtudes humanas ou morais são atitudes firmes, disposições estáveis, perfeições habituais da inteligência e vontade que regulam nossos atos, ordenam nossas paixões e guiam nossas ações. Elas dão facilidade, domínio e alegria para levar uma vida moralmente boa, e são adquiridas mediante a prática de atos bons” (CIC 1804).

         Entre as virtudes humanas há quatro chamadas cardeais (palavra de origem latina que significa eixo, por exemplo, o eixo da fechadura que sustenta e faz girar a porta), porque todas as demais virtudes se agrupam em torno delas: prudência, justiça, fortaleza e temperança.

         A prudência é a virtude que ilumina a razão prática para discernir, nas diferentes circunstâncias, o verdadeiro bem e ajuda a escolher os meios adequados para realizá-lo.

         A justiça é a virtude moral que consiste na vontade constante e firme de dar a Deus e ao próximo o que lhes é devido.

         A fortaleza é a virtude moral que dá segurança nas dificuldades, firmeza e constância na procura do bem. Ela mantém a resolução de resistir às mas inclinações e a superar os obstáculos na vida moral. A virtude da fortaleza nos torna capazes de vencer o medo, inclusive o da morte, e a suportar provações e perseguições. Dispõe a pessoa a aceitar até a renúncia e o sacrifício de sua própria vida para defender uma causa justa, ensina o Catecismo da Igreja Católica, n 1808.

         A temperança, também conhecida por sobriedade, é a virtude moral que modera a atração pelos prazeres e procura o equilíbrio no uso dos bens criados. Ela assegura o domínio da vontade sobre os instintos, paixões e sentimentos desordenados. A pessoa temperada orienta para o bem seus apetites sensíveis, e não se deixa arrastar por eles quando se desorbitam.

         Com respeito às virtudes humanas, afirma-se que in medio virtus: a virtude está no meio entre um defeito e um excesso. Por exemplo, a fortaleza está no meio, entre o defeito da covardia e do excesso da temeridade. In medio virtus não é uma chamada à mediocridade; não é o meio-termo entre dois ou mais vícios, mas a retidão da vontade que se dirige a um cume e se opõe aos abismos dos vícios.

         Algumas virtudes humanas: humildade, sinceridade, temperança, obediência, castidade, sobriedade (também na educação das crianças), pobreza; sinceridade conosco mesmos, com Deus e com os demais (ser pessoa de uma só peça); naturalidade ou coerência, sem ostentar ser o que não se é; laboriosidade, aproveitamento do tempo: “faz o que deves e está no que fazes”; diligência em acabar as coisas com perfeição e trabalhar bem e muito; ordem, pois sem ordem não há virtude: ela multiplica o tempo e permite trabalhar mais (ordem interior, nos pensamentos e afetos; e exterior, no horário, nas coisas materiais, etc).

         Outras virtudes: otimismo, visão positiva: sem fechar os olhos, ver o lado bom das coisas, pois “tudo concorre para o bem dos que amam a Deus”. Rijeza faz perseverar no cumprimento do dever e não medir o valor de uma tarefa exclusivamente pelos benefícios que nos traz, mas pelo serviço que prestamos aos outros. Valentia: não ter nunca medo de nada nem de ninguém, pois somos filhos de um Pai Onipotente. Alegria, como parte integrante do caminho de quem procura servir aos demais (o egoísmo leva à tristeza). Audácia: não temer a realização de grandes ideais: sofrer e resistir para levá-lo a cabo. Lealdade, base da fidelidade, que é felicidade: lealdade com Deus e com os demais. Desprendimento das coisas materiais para estar livre das ataduras do consumismo e do bombardeamento publicitário que faz criar falsas necessidades; desprendimento dos nossos sentimentos quando nos levam a distanciarmos das pessoas, a criar antipatias, a isolar-nos em nossas coisas.

         Em conclusão, podemos afirmar que a virtude é um hábito, um comportamento estável adquirido por meio de atos bons e repetidos (os vícios se formam pela repetição de atos ruins). Conquistar uma virtude requer esforço, e uma vez adquirida torna-se mais fácil repetir seus atos, porque o hábito preserva a posição conquistada com o esforço das ações anteriores. A pessoa virtuosa faz o bem e sente prazer em fazê-lo: ou seja, o faz com satisfação.

         A força das virtudes reside na compreensão de que, ao agirmos bem em cada situação, passaremos a realizar esses atos com mais facilidade e prontamente, sem que para isso sejam necessários maiores raciocínios, pensar demais, pois passa-se a ter certa conaturalidade com o bem, e isso dá prontidão e facilidade à vontade para realizá-los.

O Autor

Gostou deste Boletim?

Se puder contribuir com nosso trabalho, envie sua contribuição para o PIX: 

ariesteves.pedagogo@gmail.com