O empobrecimento das relações familiares tem reduzido as conversas entre pais e filhos a diálogos breves e superficiais. Muitos pais vivem preocupados em pagar as contas e oferecer conforto material à família, mas frequentemente se esquecem de que os bens materiais não são a herança mais importante. Mais valioso é ajudar os filhos a utilizar bem a liberdade para construir o caráter, desenvolver a personalidade e adquirir virtudes e valores que iluminem a inteligência e fortaleçam a vontade para buscar ideais mais elevados.

         Temas como álcool, drogas, sexualidade precoce, pornografia, jogos, saídas noturnas, consumismo exagerado provocado pela publicidade, vida moral, são assuntos para os quais os pais devem estar preparados para orientar. Além de bons artigos e livros publicados por editoras que apoiam a família, há na internet excelentes vídeos e áudios onde psicólogos, pedagogos, orientadores familiares e neurocientistas com doutrina segura, aportam conteúdos que ajudam os pais a aprofundar em argumentos que esclarecerão os filhos sobre todos esses temas.

         Educar os filhos hoje exige uma verdadeira mentalidade profissional. Não bastam improvisações, nem a mera confiança no senso comum ou a esperança de que os problemas se resolverão com o tempo. A acomodação torna-se uma bomba-relógio cujas consequências aparecem mais cedo do que se pensa.

         Atualmente, o pouco tempo que os pais conseguem dedicar aos filhos, deve ser um tempo de qualidade, pois não é suficiente apenas a presença física. É necessário estudar os assuntos para dialogar e oferecer aos filhos argumentos que esclareçam a inteligência e movam a vontade para desejar o bem. Também é necessário conhecer os traços temperamentais e de caráter dos filhos, identificando o que precisa ser fortalecido ou corrigido por meio de um plano de ação educativo.

         Ao ter presente que não existe verdadeira formação humana sem liberdade, torna-se necessária uma educação que esclareça a inteligência e mova a vontade para querer o bem. Isso porque liberdade não é simplesmente fazer escolhas, mas autodeterminar-se para orientar a vida em busca do bem por meio das próprias decisões. Respeitar a liberdade dos filhos não significa considerar válida qualquer escolha, mas oferecer conhecimentos intelectuais e morais que lhes permitam querer o bem por iniciativa própria. Amar os filhos é amar a sua liberdade, correndo os riscos inerentes ao crescimento e tendo a coragem de corrigir quando necessário.

         Se o trabalho do estudante é o estudo, espera-se do filho que seja um bom estudante, e se auto exija como qualquer bom profissional por meio da concentração, ordem, constância, espírito de sacrifício e aproveitamento do tempo. A esse empenho dá-se o nome de virtude da laboriosidade, que deve ser aprendida desde cedo por meio de rotinas familiares que fazem crescer em disciplina e responsabilidade: horários para dormir, acordar, estudar, fazer as refeições; horários para realizar as tarefas no lar; horários para um lazer criativo…

         Muitas das dificuldades atuais na formação dos jovens decorrem da superproteção. Ao serem poupados dos esforços e responsabilidades adequados à idade, tornam-se dependentes, inseguros e pouco perseverantes nas dificuldades. Acostumam-se a esperar que os outros resolvam seus problemas, apresentam baixa tolerância às frustrações e revelam pouca iniciativa e exagerado egoísmo que os fazem a não se preocupar com os demais e a se dedicar exclusivamente às coisas pessoais. Por isso, os pais não devem substituir os filhos naquilo que eles são capazes de fazer.

         Outro obstáculo é o excesso de distrações. Muitos jovens consomem horas em redes sociais, vídeos, músicas e jogos eletrônicos, sem perceber que utilizam mal a liberdade ao dirigi-la apenas para o entretenimento. Esse hábito enfraquece a vontade, torna a inteligência preguiçosa para o pensamento profundo, dificulta a definição de metas e favorece uma postura passiva diante da vida. O resultado disso é que deixam de refletir sobre questões fundamentais, como o projeto de vida que pretendem construir e a profissão que desejam seguir com a consequente preparação para enfrentar a concorrência pelos bons cursos.

         A formação dos filhos requer exigência. Não se deve ter medo de atribuir responsabilidades e tarefas adequadas à idade de cada um. Uma conduta madura é fruto de inúmeras orientações e correções realizadas com prudência, firmeza e amor. Como afirmava Victor García Hoz, a educação familiar possui três grandes finalidades: cultivar a personalidade, preparar a pessoa para a vida familiar e social e educar a vontade para o bem. Um lar verdadeiramente formador cultiva a ordem por meio das rotinas, promove o espírito de serviço mediante a participação de todos nas tarefas familiares e favorece o crescimento humano e espiritual, criando oportunidades de encontro com a verdade, a bondade e a beleza.

         Por fim, toda educação precisa de um propósito, de direção. Desde a adolescência, é importante que o jovem tenha ideais e metas que orientem sua existência, baseados no conhecimento de suas qualidades ou habilidades pessoais. Quem não sabe responder sobre o que é uma vida sensata, está à deriva e deixará que o acaso ou outras pessoas decidam por si. Um ideal dá direção à vida, organiza os sentimentos, disciplina e fortalece a determinação para superar dificuldades e perseverar no bem.

         Educar, portanto, é muito mais do que alimentar, proteger e garantir conforto material: é formar pessoas livres, responsáveis e com ideais de servir aos demais com seus talentos e qualidades pessoais.

O Autor

Gostou deste Boletim?

Se puder contribuir com nosso trabalho, envie sua contribuição para o PIX: 

ariesteves.pedagogo@gmail.com