Uma das maiores provas de amor dos pais é preparar o filho a fim de que não precise deles para tudo. Há pais que fazem pelo filho aquilo que ele já poderia fazer sozinho.

         Arrumar a cama, guardar os brinquedos, preparar a mochila e o lanche, organizar a própria gaveta de roupas, colocar a mesa para as refeições é tarefa de cada um. Quando se poupa o filho desses encargos, logo os pais perceberão que o filho cresceu e continua exigindo que seja levado e trazido de todo lugar, e sempre espera que alguém faça por ele o que deveria fazer sozinho

         Não é falta de amor. Muitas vezes é justamente o contrário: os pais querem poupar o filho das dificuldades. O problema é que, ao retirar todas as dificuldades do caminho, também se retira as oportunidades de crescimento, a capacidade de crescer em fortaleza, resiliência e espírito de serviço.

         Na Família Larleto, cada filho tem responsabilidades dentro de casa. Cada um cuida de suas coisas e participa das tarefas domésticas. A cama precisa ser arrumada, o guarda-roupa organizado, os objetos pessoais cuidados, limpar a sujeira que faz o pet, levar o lixo para fora? Então, as tarefas são distribuídas entre todos.

         A lógica é simples: quem vive numa família precisa contribuir para que ela funcione com harmonia, limpeza, ordem. Isso ensina algo que nenhuma palestra ou discurso consegue ensinar tão bem: responsabilidade.

         Uma criança que aprende a cuidar de seus objetos está dando os primeiros passos para aprender a cuidar de seus compromissos. Quem aprende a esperar sua vez dentro de casa terá mais facilidade para conviver fora dela.

         Quem aprende a ajudar sem receber pagamento por cada pequeno serviço começa a descobrir que nem tudo na vida é troca ou recompensa.

         Educar para a autonomia não significa abandonar a criança à própria sorte. Significa acompanhar, ensinar, exigir e, gradualmente, deixar que ela realize sozinha aquilo que já pode fazer.

         Talvez devêssemos fazer hoje uma pergunta simples: O que meu filho já consegue fazer sozinho, mas que ainda estou fazendo por ele?

         Essa pode ser uma boa pergunta para a família inteira.

O Autor

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