As escolas não estão preparadas para suprir os pais no desenvolvimento de hábitos operativos bons – também chamados de virtudes humanas –, pois carecem da confiança que os filhos depositam nos pais, não conseguem dar uma educação personalizada a cada criança, estão distantes dos acontecimentos cotidianos da vida familiar que ofertam aos pais inúmeras oportunidades para conhecer profundamente o temperamento e o caráter de cada filho, entre outros motivos. As escolas não são organizações naturais, mas culturais que apoiam os pais na formação acadêmica dos alunos, que devem chegar às instituições de ensino providos de virtudes ou bons hábitos comportamentais adquiridos no lar.

         Ensina David Isaacs, em seu livro “A educação das virtudes humanas”, que em várias instituições, as pessoas são aceitas pela sua funcionalidade: na empresa é pelo que faz ou produz; na escola é pelo aproveitamento do estudo; no time de futebol é pelos gols que marca ou defende. Porém, na família a pessoa é aceita pelo que é.

         Sendo a família a organização natural que mais profundamente se relaciona com cada pessoa, torna-se razão suficiente para que os pais se prepararem com entusiasmo e sentido profissional, a fim de oferecer uma educação integral que envolva não apenas a educação da inteligência, mas também a da vontade e da afetividade.

         Ganha-se um hábito bom ou virtude por meio da repetição de atos próprios de cada virtude: aprende-se a ser ordenado mantendo as coisas pessoais nos devidos lugares, um dia e outro; aprende-se a ter autocontrole e a ser temperado ao não abrir a geladeira fora de hora e ao ter horários para iniciar e terminar cada atividade. Com paciência, carinho e bom-humor, os pais devem exigir que os filhos repitam os atos positivos até que estes façam parte de seus hábitos. Ao ajudá-los a compreender o motivo para agir de determinado modo, os filhos vão interiorizando pouco a pouco os ensinamentos e assumirão como próprias as ações indicadas, sem necessidade de que sejam lembrados disso. O exemplo dos pais também é importante, e como ninguém é perfeito, o que se espera dos pais é que lutem também para superar seus defeitos ou maus hábitos.

         Algumas virtudes a serem desenvolvidas nas diferentes idades, sugeridas por David Isaacs:

         Virtudes até os 7 anos: obediência, sinceridade, ordem. Até essa idade a criança não tem pleno uso da razão, sendo melhor obedecer a seus pais, não por medo, mas por amor e confiança neles. A sinceridade exige coerência entre o que se pensa e o que se diz. A ordem nos objetos materiais e a ordem temporal (ter horário para brincar, cumprir encargos, banho, refeições, dormir), devem ser desenvolvidas o quanto antes… Sábio é o ditado que diz: “pau que nasce torto morre torto”, pois sinaliza a dificuldade de ganhar bons hábitos quem não os desenvolveu desde criança.

         Virtudes dos 8 aos 12 anos: fortaleza, perseverança, laboriosidade, paciência, responsabilidade, justiça, generosidade. Com o advento da puberdade, as crianças passam por mudanças biológicas e psicológicas, sendo necessário fortalecer nelas o caráter, que é fortalecer a vontade para aguentar as dificuldades, cumprir suas responsabilidades e perseverar no esforço das tarefas iniciadas. Nessas idades, os adolescentes começam a tomar decisões pessoais, mas precisam de critérios para conferir se agem adequadamente.

         Virtudes dos 13 aos 15 anos: pudor, sobriedade, simplicidade, sociabilidade, amizade, respeito, patriotismo. As virtudes ligadas à temperança fortalecem a vontade para conduzir as paixões e sentimentos, quando estes se desordenam. A proteção da intimidade do corpo, sentimentos, alma e pensamentos estão unidas à temperança. As virtudes da sociabilidade, amizade, respeito e patriotismo estão ligadas ao bem dos demais.

         Virtudes dos 16 aos 18 anos: prudência, flexibilidade, compreensão, lealdade, audácia, humildade, otimismo. Nessas idades, o jovem possui maior capacidade intelectual e pode desenvolver as virtudes ligadas ao pensamento profundido, em colher informações para decidir melhor, ao ponderar sobre as consequências de suas ações antes de tomar uma decisão, em proteger os valores que julgam importantes para a sua vida. O otimismo é necessário para lutar por adquirir as virtudes com espírito esportivo, que leva a começar e recomeçar cada vez que ocorra uma falha, tal como os atletas que nunca desistem de melhorar suas capacidades.

         Dado que há um princípio de unidade na pessoa humana, quando se melhora em determinada virtude, melhoram-se em todas as demais. Por isso, os pais devem encher-se de esperança e paciência, e nunca desistir de ajudar os filhos a serem melhores. A insistência carinhosa, oportuna e bem-humorada, um dia e outro, fará que um dia os filhos passem a atuar em conformidade com as indicações dos pais, de modo tão natural que nem mesmo eles perceberão a mudança ocorrida.

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