Entre 2 e 6 anos as crianças estão descobrindo o mundo, e testando seus próprios limites. Nessa fase elas estão dispostas a aprender, colaborar e agradar os pais em tudo. Por isso essa fase é chamada de período áureo da educação, e os pais devem aproveitar para orientá-las com paciência, a fim de que desenvolvam hábitos que logo se transformarão em virtudes que as acompanharão por toda a vida.
A criança não nasce ordenada ou desordenada por natureza, pois não se trata de algo genético, mas porque no momento oportuno teve ou não a ajuda necessária para tal. Entretanto, há no interior dela a pré-disposição natural para a ordem, pois o período sensitivo (não voluntário) em que o organismo tende intuitivamente a realizar ações ordenadas, é entre um e três anos de idade. Por meio do instinto-guia ou conhecimento primário, tem a criança a capacidade de realizar ações apenas por observação e imitação, tal como caminhar ou ordenar coisas; também realizam ações quando são orientadas a fazer algo. A ânsia de repetir as mesmas ações faz parte do chamado período sensitivo da criança. Porém, com a mesma facilidade de ser ordenada, poderá ser desordenada se não for orientada ou porque vê os mais velhos não darem bom exemplo.
Ser metódica e ordenada é um processo que a criança aprende com grande facilidade, sempre que for ensinada e tenha em seus pais um modelo a seguir. A ordem vivida de forma rítmica nos horários de refeições, sono, brincadeiras, asseio, saídas para passeios, ajudará no desenvolvimento físico, psíquico e espiritual da criança, além de facilitar a aquisição de muitas outras virtudes. Daí, a importância de se ter uma disciplinar familiar, também para os pais. Respeitar a ordem e os horários da criança é atitude fundamental para os pais não as desnortearem ou deseducarem.
Ser pessoa ordenada não é tarefa mecânica, mas modo de crescer em diversas virtudes: ordem, constância, resiliência, domínio dos sentimentos ao parar uma atividade para atender outra e não permanecer apenas naquilo que se gosta de fazer; é atender as responsabilidades que fazem parte do dia a dia de qualquer pessoa, inclusive das crianças, tais como arrumar a cama, guardar as próprias roupas e brinquedos, ajudar a colocar os pratos sobre a mesa e tirá-los depois das refeições, enxugar o banheiro após o banho… Essas tarefas, entre outras, quando assumidas desde a infância ajuda a criança a não se fechar apenas em suas coisas e crescer em espírito de serviço e solidariedade. Além disso, é uma questão de justiça, pois todos na casa – também as crianças –, devem se sentir parte de uma equipe e colaborar na ordem, limpeza e harmonia da casa e da vida familiar.
Como se pode concluir, disciplina não significa castigo. A criança necessita de orientações, rotinas claras, limites firmes e respeitosos. Dizer “não” quando necessário é um ato de amor: pais que só dizem “sim” para evitar trabalhos e confrontos com a criança, logo se arrependem por não ter estabelecido limites às ações do filho, que se transforma em adolescente egoísta, desrespeitoso, insensível para as necessidades dos demais, preguiçoso e fraco para enfrentar seus próprios problemas.
Dicas práticas: dar aos pequenos tarefas simples para que aos poucos cresçam em autoconfiança e autonomia, e insista com paciência: “– Antes de brincar arrume a sua cama e guarde suas roupas”. A criança aprende com a repetição das mensagens e com o exemplo dos pais, que também devem ser organizados. E lembrem-se: cada vitória, por menor que pareça, deve ser celebrada, pois o elogio sincero anima a ser constante e disciplinado: “– Você guardou tudo sozinho! Muito bom!”.
Texto produzido por Ari Esteves para o site www.ariesteves.com.br. Imagem de RDNE Stock project;
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