Diversões noturnas, álcool e drogas preocupam cada vez mais os pais. Sobre esses temas é preferível prevenir com anos de antecedência do que tentar resolver o problema um dia depois de acontecer. Não pensar que ainda é cedo para abordar tais assuntos. Educar é manter diálogos serenos, afetuosos, abertos e adaptados à idade de cada filho, a fim de oferecer razões profundas que esclareçam a inteligência e estabeleçam limites firmes.
Há pais que procuram controlar os filhos, mas logo comprovam que isso não é educar, sendo que o mais eficaz é transmitir verdades e valores para que os filhos tomem decisões por si mesmos. Não controle, mas diga algo como: -“Estou aqui para te apoiar, não para te vigiar”. Quem cultivou a confiança com os filhos desde a infância, o diálogo na adolescência é natural.
Saídas para festas
Discussões sobre saídas nos fins de semana podem se tornar batalhas. Não se surpreender ao surgirem conflitos de obediência na adolescência, pois são anos em que se forma de modo especial o caráter e se firma a própria personalidade e maior independência: quem na adolescência não deu trabalho aos pais?
Não é fácil encontrar argumentos convincentes para dialogar sobre a hora de regressar para casa, local e quem estará na festa, enviar mensagem ao chegar ali, pedir para ligar a qualquer momento se precisarem e manter o celular com bateria… Como garantir que essa conversa não seja um interrogatório, mas diálogo?
Falar com o filho sobre modos de se divertir requer tempo e paciência. É importante manter diálogo aberto, calmo, afetuoso e inteligente para ajudar cada filho a crescer em valores para administrar positivamente sua liberdade. Antes de permitir que os filhos saiam para festas, há algumas conversas essenciais que podem garantir a segurança e a confiança mútuas. Fazer perceber que os direitos vão acompanhados dos deveres correspondentes, e que a permissão para saídas futuras dependerá da responsabilidade demonstrada no presente. Reforce a ideia de que a confiança se constrói com honestidade e respeito às regras combinadas.
Consequências do uso de álcool e drogas
A descarga de desinformação sobre seu filho é enorme e vem por todos os lados. Em seis meses muitas coisas mudam acerca desses temas. Os pais devem atualizar-se ao ler e acompanhar palestras sobre esses assuntos na internet, pois há bons educadores abordando com seriedade e profundidade tais temas.
Regras claras sobre álcool e drogas devem ser explicadas de forma direta e de acordo com a idade de cada filho. Deixe claro que não deve consumir álcool se for menor de idade; e se já atingiu a maior idade, fale da necessidade de viver a virtude da temperança ao ficar em um só chope ou cerveja, e que ao não repetir a dose fortalecerá a vontade para não se deixar levar por forças instintivas. A temperança é virtude que atrai ao demonstrar maturidade e autocontrole, e esse exemplo ajudará também os amigos a serem sóbrios. Explique como agir se alguém alcoolizado discutir de forma agressiva e não aceitar pressão para comportamentos inadequados, pois ninguém deve ser pressionado a beber, fumar ou a fazer algo que não quer. Ensine frases simples para dizer “não”:- “Agradeço, mas isso não me agrada”.
Fale de modo simples como álcool e drogas afetam a saúde, o comportamento e os objetivos pessoais, e ouça o que o seu filho pensa sobre isso. Demonstre com exemplos as consequências para a saúde e para a família sobre o uso de álcool ou drogas. Para a saúde corporal diga que prejudica a concentração, memória e raciocínio; afeta o sistema nervoso; compromete o coração e o fígado e rapidamente criam dependências porque o cérebro passa a necessitar mais e mais dessas substâncias, tornando difícil abandoná-las. Efeitos no comportamento também ocorrem: enfraquecem a vontade, pois a descarga de dopamina (neurotransmissor cerebral que provoca prazer para certas ações), provocada pelos vícios, faz perder o gosto por ideais ou atividades que requerem esforço (estudar, trabalhar, praticar esporte, levar adiante ideais de serviço aos demais); reduzem a capacidade de pensar com clareza, provocam comportamentos impulsivos e arriscados; promovem mudanças bruscas de humor, irritabilidade e tristeza sem motivos aparentes; aumentam os conflitos com familiares e amigos, além de promover o isolamento e a queda no desempenho escolar, profissional e social.
Diferença entre regras negociadas e simplesmente dizer “não”
Nenhuma palavra, gesto de carinho e esforço orientado à educação dos filhos deixará da dar frutos: tempo quantitativo no lar é feito de presença; tempo qualitativo são os momentos de intimidade que ajudam a criar harmonia e abordar temas profundos de forma descontraída.
Os adolescentes reclamam mais liberdade, mas é preciso ensinar-lhes a geri-la com equilíbrio e responsabilidade. Não os privar da autonomia, mas dar motivos para agir com inteligência. Partilhe a sua perspectiva: quando os pais revelam as próprias preocupações de forma transparente, a conversa torna-se mais equilibrada e humana. Explique o porquê de suas perguntas, pois os filhos colaboram quando entendem o motivo: – “Quero saber quem vai estar com você, porque sua segurança é importante para mim”, e dê espaço para falarem sem interrompê-los.
Algumas atitudes fazem toda a diferença: adote um tom calmo e curioso, não acusatório. Mostre interesse: – “Como você se sente em relação à festa?”, ao invés de “Com quem você vai, onde e a que horas?”. Faça perguntas abertas: – “O que pode ser mais desafiador nessa festa?”. Valide sentimentos e opiniões, mesmo que não concorde, reconheça: – “Percebo que você quer mais independência. Vamos tentar encontrar um equilíbrio”. Fugir da retórica do “sermão”, que é pouco eficaz. Evite listas de regras e prefira acordos em conjunto, pois aumentam o sentido de responsabilidade e confiança. Reforce as boas condutas com elogio e reconhecimento.
Conhecer melhor as amizades e os ambientes frequentados pelos filhos
A conhecida frase “somos a média das cinco pessoas com quem mais convivemos”, é uma metáfora muito usada para lembrar que o ambiente e as relações influenciam profundamente nossos comportamentos, escolhas e valores. Embora não seja regra matemática, a ideia faz sentido porque as pessoas com quem mais convivemos moldam a nossa forma de pensar, agir e motivar-se. A frase ajuda a refletir sobre o impacto que as pessoas com quem convivemos têm sobre nós, e nos incentiva a fazer escolhas mais conscientes em relação às amizades.
A construção da identidade faz o adolescente buscar a autoafirmação e ser mais independente da influência familiar. Os grupos definem padrões e o que consideram “normal” é rapidamente aceito, seja para estudar ou vadiar. A necessidade de pertença e o medo de ficar de fora pressionam para que imitem comportamentos. Que tipo de influências você quer para a vida do seu filho? Influências que ensinem a ser resiliente, que desenvolvam o gosto pelo estudo e esporte, que ajudem a aproveitar bem o tempo e fortaleça a vontade para abraçar ideais grandes, que estimulem hábitos de reflexão pessoal e o domínio sobre os sentimentos e paixões por meio de virtudes.
As companhias criam hábitos, atitudes e valores, moldam a linguagem e unificam opiniões ao funcionar como um espelho que podem ajudar ou confundir de forma profunda, mais do que os pais imaginam, porque crianças e adolescentes desejam ser aceitos pelos grupos, e estes podem favorecer ou dificultar comportamentos saudáveis, dependendo do tipo de influenciadores que há neles: de grupos saudáveis absorverão a fé; o gosto pelo estudo e por temas culturais, científicos e de atualidade; serão incentivados a praticar esportes e atividades sociais. De grupos tóxicos absorverão inseguranças, comportamentos viciosos, falta de gosto pelo estudo, perdas de tempo, busca pelo prazer constante e fuga do esforço por alcançar ideais maiores, faltas de respeito pelos pais e figuras de autoridade.
Mantenha convivência regular com as famílias dos amigos de seu filho, e troque ideias com elas sobre os locais que os filhos frequentam para ir pouco a pouco conhecendo esses ambientes. Convidar cada amigo do filho para almoçar em casa, a fim de conhecê-lo melhor; planeje atividades juntos nos fins de semana e férias.
Pessoas que mais influenciam seus filhos: pais, parentes próximos e treinadores continuam a ser referências emocionais, morais e comportamentais; irmãos partilham rotinas, brincadeiras e podem ser modelos positivos ou negativos; amigos da escola geralmente são os que mais influenciam comportamentos, linguagem e gostos, especialmente na adolescência; colegas de atividades extracurriculares como esporte, música, academia, viagens podem ter influências positivas ou negativas; influenciadores digitais e criadores de conteúdo têm influência real no humor, opiniões, hábitos e aspirações, mesmo sem a presença real.
Dica importante: dar aos filhos pouco dinheiro
Mantenha os filhos com pouco dinheiro e mostre quão difícil é ganhá-lo, assim não inventarão modas e não serão dominados pela lógica do consumo que fomenta hábitos individualistas. Aos filhos curtos de dinheiro não lhes passa pela cabeça desejar material esportivo caro, roupas da moda, eletrônicos de última geração. Há garotos que na escola compram doce, sanduiche e o refrigerante que desejam, e todas as vezes que o quiserem. Já as crianças curtas de dinheiro valorizam o pouco que possuem e passam a ser comedidas em seus desejos, o que as faz crescer em sobriedade, autodomínio e na ciência de saber esperar. Hoje em dia é fácil que os jovens trabalhem nas férias e ganhem dinheiro: animá-los a isso, não para financiar suas diversões, mas para contribuir com as necessidades familiares e ajudar em atividades sociais.
A indústria da diversão utiliza meios degradantes de cooptação: apelo sensual, consumo de álcool, vício do jogo, velocidade, lazeres e equipamentos caros, locais badalados… O lazer criativo é mais enriquecedor e faz contemplar a beleza por meio de atividades simples como excursões na natureza, visita a parques e exposições culturais e artísticas, bons vídeos e leituras. Educar os filhos para o lazer e melhor aproveitamento do tempo é um desafio para os pais, mas que será muito frutuoso. Não desistir desse esforço e empenho, que agradam a Deus e redundam em bem para os filhos. A educação faz parte da tarefa que Deus confiou aos pais e ninguém os pode substituir nisso. Vale a pena enfrentar essa tarefa com valentia, bom humor e com um otimismo cheio de esperança.
Os jovens são idealistas e capazes de se entusiasmar. João Paulo II, na XV Jornada Mundial da Juventude, dizia que Cristo ama a cada um de nós de um modo pessoal e único na vida concreta de cada dia: na família, entre os amigos, no estudo, no trabalho, no descanso e na diversão. E acrescentava que a nossa sociedade consumista e hedonista tem necessidade urgente de um testemunho de disponibilidade e sacrifício pelos outros: os jovens necessitam de Cristo mais do que nunca, afirmava o Papa, porque são tentados frequentemente pela ilusão de uma vida fácil e cômoda, pela droga e o hedonismo, que conduzem depois à espiral do desespero, do sem sentido, da violência.
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Texto elaborado por Ari Esteves
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