1 – O subconsciente pode ser utilizado para incentivas boas ações. 2 – O subconsciente e a sensibilidade humana. 3 – O subconsciente nas ações agradáveis. 4 – O sonambulismo e o subconsciente.
1 – O subconsciente pode ser utilizado para incentivas boas ações
O subconsciente é chave nas motivações da pessoa, e pode ser utilizado para incentivar as boas ações. Quando o cérebro trabalha fora do nível da consciência, ou em atividades não governadas pelas ações de livre escolha, se diz que trabalha a nível subconsciente. No seio materno começam as primeiras conexões neurais, e o cérebro inicia as atividades do subconsciente. Ao nascer, enquanto a criança não é livre para decidir, seu cérebro é governado pelo subconsciente, de modo que seus atos ainda não podem ser avaliados como moralmente bons ou maus. Quando a liberdade passa a atuar pelo ato da vontade, a pessoa torna-se capaz de escolher, fazendo ceder o subconsciente.
O subconsciente atua também em adultos: nos sonhos, pesadelos, sonambulismo, na busca involuntária de lembranças. À noite, durante o sono, o subconsciente continua a trabalhar e por vezes se desperta com a resposta de um problema que ocupou o dia da pessoa. Neste caso, é bom levantar e anotar a ideia para descarregar a pressão do subconsciente, ou porque se não anotar a resposta, esta ficará no subconsciente e não será lembrada. O subconsciente também atua como despertador quando, por exemplo, a pessoa está preocupada em não acordar e perder o horário de ir para o aeroporto: acordará antes do relógio despertar.
2 – O subconsciente e a sensibilidade humana
O subconsciente atua com maior força na área da sensibilidade humana, onde os sentimentos de agrado ou desagrado atuam mais: o subconsciente é atraído pelo carinho, pela alegria ou bem-estar, e recusa-se ao medo, tristeza e a dor. Quando uma criança faz uma boa ação e recebe carinho, o subconsciente (e também o consciente) a anima a repetir a ação para receber mais carinho, pois é muito sensível a esses estímulos. Por isso, se a criança fez uma ação má, e não é corrigida, mas tratada com carinho, o subconsciente guardará impresso esse fato e tenderá a repetir a ação má para receber mais carinho. Isso ocorre porque o subconsciente não avalia o bem ou o mal das ações, mas apenas registra o agradável ou desagradável das ações. O mais recomendável em tais casos é oferecer razões à criança para informar ao seu nível consciente sobre o desacerto da ação praticada, sem dar mostras de carinho. Assim, tanto o consciente atuará em favor dos pais, quanto o subconsciente, que não entrará em contradição porque não recebeu estímulos de agrado.
3 – O subconsciente nas ações agradáveis
Há relatos de casos que sinalizam fortemente a ação do subconsciente: Uma idosa de 90 anos telefona de madrugada à filha dizendo que tem dores de reumatismo e pede que venha atendê-la. A filha vai à casa da mãe e a trata com muito carinho, lhe dá os remédios de sempre, espera que a dor passe e volta para casa. Os remédios tiraram a dor da mãe, mas o subconsciente registrou os momentos sensíveis de carinho. No dia seguinte o subconsciente fez a mãe reproduzir as mesmas dores, sem que existissem realmente, e a mãe tornou a chamar a filha para que viesse atendê-la. É o típico caso de receber carinho por algo ruim, o reumatismo.
Outro relato: um bebe de dois meses ficou em posição incômoda no berço e se pôs a chorar. A mãe o posicionou melhor e o encheu de beijos e carícias. O subconsciente processou que graças ao choro recebeu carinho. Quanto mais a mãe o acariciar por deixá-lo sozinho, mais irá chorar motivado pelo subconsciente.
Uma menina de três anos só se alimentava se a mãe lhe desse de comer. Mesmo estando o prato à sua frente ela poderia passar horas sem provar a comida, pois seu subconsciente sabia que a mãe lhe daria a comida. Em uma ocasião, a mãe se ausentou e o pai e os irmãos viram a menina comer sozinha. Ao retornar a mãe no final da tarde, a menina se esqueceu de comer outra vez.
4 – O sonambulismo e o subconsciente
Um caso de sonambulismo: um menino de cinco anos assistiu por descuido dos pais a um filme de terror na televisão. Depois do jantar a criança foi dormir e logo pegou no sono porque o sangue ao se concentrar mais no estômago faz a pressão sanguínea do cérebro diminuir, induzindo rapidamente ao sono. Porém, de madrugada a criança acordou chorando e assustada, pois seu subconsciente estava repleto de monstros e cenas de horror, e a tensão lhe interrompeu o sono. A mãe foi ao quarto do filho e o encheu de beijos e carícias afirmando que monstros não existiam, levando-o para a cama dela. A partir desse dia o menino levantava de sua cama e ia dormindo ao quarto dos pais, sem lembrar-se de nada no dia seguinte, pois passou a ser um trabalho do subconsciente que gravou o fato de que graças aos monstros recebia beijos e era levado à cama dos pais. A mãe conscientizou o filho de que não era bom que ele fosse para a cama dela, pois seus amigos ao saberem disso iriam rir dele; e o pior seria se ele fosse dormir na casa de um primo ou amigo e repetisse essas cenas. Depois explicou ao garoto sobre o funcionamento do subconsciente, e que este deveria ser corrigido. Então combinou um plano com o filho, tendo ele concordado que monstros não existiam. Na noite seguinte ela fechou a porta do quarto pelo lado do corredor, e o pequeno sonâmbulo tentou abrir a porta, que ao estar fechada o fez chorar. Ao despertar pelo próprio choro, o garoto se lembrou do plano estabelecido com a mãe e retornou à própria cama. O subconsciente pelo fato de ter recebido uma resposta negativa -acordar sem receber beijos e carícias- arquivou a façanha noturna nos confins de seus múltiplos fólios.
Texto produzido por Ari Esteves, com base no livro “Educar en positivo”, de Fernando Corominas, Coleccion Hacer Familia, Espanha
Ariovaldo Esteves Roggerio
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