1 – As mídias tornam passivas as crianças e lhe roubam a imaginação. 2 – O contato com a natureza torna a criança contemplativa. 3 – Teste seu filho para saber se é dependente de mídias.
1 – As mídias tornam passivas as crianças e lhe roubam a imaginação
A criança desde o nascimento deve interagir sossegadamente com o ambiente que a cerca, a fim de se desenvolver física e psicologicamente. Tal como o trabalho desenvolve a personalidade do adulto, a da criança se desenvolve brincando, porque esse é seu trabalho. Quanto mais experiências tiver a criança de tocar, fazer, imaginar, recolher, levantar, reiniciar, mais se desenvolverá. Portanto, menos brinquedos eletrônicos, videogames e bonecas que falam, e mais objetos comuns; menos celulares e mais interação com seus familiares. A infância é mágica; não é necessário artificializá-la com mídias. A criança precisa de um estímulo mínimo, em ambiente normal e cheio de carinho: receber o sorriso de seus familiares, ouvir os ruídos da casa, sentir o cheiro de limpeza e o que vem da cozinha.
Expostas pelos pais ao excesso de mídias, s crianças têm a infância artificializada. Desenhos como Bob Esponja, Madagascar, Carros & Cia, Monstros SA, A era de gelo, entre outros, exibem em média 7,5 mudanças de cenas por minuto, o que não acontece na vida real das crianças. Hipnotizadas pelo excessivo movimento das telas, as crianças se tornam viciadas em níveis altos e artificiais de estímulos. Ao retornarem à vida real, se sentem entediadas e aborrecidas e desejam logo voltar à irrealidade das mídias.
Celulares e tabletes roubam a imaginação infantil. É melhor que a criança crie seus brinquedos ao transformar uma caixa de leite vazia em miniatura de ônibus, do que assistir passivamente a um desenho de carros; imaginar um barco com uma lata de sardinha ou um foguete com o tubo do papel celofane, do que ganhar um brinquedo pronto; entreter-se com bolinhas, figurinhas e brinquedos caseiros, do que gastar horas em desenhos animados. Com um lençol a criança cria uma cabana entre os móveis da sala; sentada no sofá imaginará pilotar um caminhão; fará de uma caixa de papelão o cockpit de sua máquina voadora.
2 – O contato com a natureza torna a criança contemplativa
É necessário educar os filhos na curiosidade pela realidade, que é fonte de verdadeiro conhecimento, e não no ritmo frenético das novas tecnologias. A criança necessita encontrar inspiração na beleza e contemplação do mundo que a cerca. Por isso, outra janela de curiosidade da criança é a natureza, que deve ser aproveitada pelos pais para educá-la. Ao correr, pular, pesquisar, subir nas árvores, ocultar-se atrás de arbustos, a criança interage com a natureza e ganha excelente controle motor. Dar alimentos a aves e peixes e rir das formigas que carregam fardos maiores do que elas próprias, são atitudes contemplativas. A criança aprenderá a ser paciente ao fixar os olhos no lento arrastar-se do caracol; aprenderá a esperar e não exigir tudo prontamente ao perceber que tudo na natureza tem seu tempo, tal como o broto da flor que se alça timidamente da terra. A criança deve deitar na grama com seus pais e sentir cócegas, sem medo de alergia, e olhar para o céu a fim de descobrir o que as nuvens desenham.
É curioso o medo que a natureza causa nos pais, medo transmitido às crianças: medo de que os filhos se arranhem, medo de se sujar, medo de que caiam de árvores, medo de alergia por pólen de flores. É espantoso ver como crianças fogem das gotas de chuva! Pais, não temam os dias chuvosos! A natureza tem muito a ensinar nesses dias: o cheiro da terra; as cores que se realçam; as gotas que escorrem pelas folhas ou ficam presas na teia de aranha; os pequenos habitantes do ecossistema que se deixam ver nesses dias: lesmas, caracóis, pererecas, sapos. Medo de resfriado? Diz Catherine L’Ecuyer*, que é um preconceito acreditar ser a chuva causa resfriado. Einstein disse que é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito.
Gaudí, o genial arquiteto do Templo da Sagrada Família, em Barcelona, disse que a natureza foi sua mestra vital. Desde pequeno teve ataques de reumatismo, que o afastaram das brincadeiras infantis. Então, sua mãe passava muitas horas com ele no campo, observando a natureza. Gaudí recordava sua infância entre flores, prados, videiras, oliveiras, pio dos pássaros, zumbido de insetos e montanhas ao fundo. Ele não precisou artificializar sua infância para criar uma das mais belas obras de arquitetura do mundo, onde as colunas imitam troncos de árvores. Sua infância foi um contemplar silencioso da natureza.
A Academia Americana de Pediatria diz que o frio não é causa de resfriado ou gripe; e que se as queixas são comuns no inverno, é porque as crianças ficam amontoadas em salas com pouca circulação de ar, o que facilita a propagação do vírus. Para ter crianças mais resistentes, é só deixá-las brincar ao ar livre em dias de chuva, usando botas e capa de chuva, tal como acontece nos países nórdicos, onde as crianças saem para se divertir com 20 °C negativos, ou em algumas cidades do Nordeste brasileiro, em que as crianças brincam na chuva. Que boa notícia é essa, quando você pensava que não havia alternativa para dias chuvosos, a não ser as telas!
3 – Teste seu filho para saber se é dependente de mídias
Certa professora levou um grupo de crianças “drogadas” pelas mídias a um passeio no campo, e constatou a falta de iniciativas delas para brincar na grama e entre as árvores. Passivas, desejavam ansiosamente voltar para casa e apertar botões para terem a ilusão de dominar a realidade, pois preferiam os insetos irreais. Teste seu filho! Leve-o a um parque sem celular ou tablete. Se não for capaz de desfrutar da natureza, porque deseja retornar logo para casa, onde tem à disposição várias mídias, é porque já está artificializado.
Texto produzido por Ari Esteves (www.ariesteves.com.br), com base nos livros “Educar na curiosidade” e “Educar na realidade”, de Catherine L’Ecuyer, publicado pela Fons Sapientiae.
Gostou deste Boletim?
Se puder contribuir com nosso trabalho, envie sua contribuição para o PIX:
ariesteves.pedagogo@gmail.com

Chave Pix copiada!