1 – As crianças são induzidas a consumir. 2 – Os efeitos negativos do consumismo infantil. 3 – Os influenciadores do consumismo infantil. 4 – O papel orientador dos pais e professores. 5 – Os pais devem dar exemplo de sobriedade. 6 – Como orientar as crianças a não serem consumistas. 7 – A legislação protege as crianças.

1 – As crianças são induzidas a consumir

    Não nascemos consumistas. Trata-se de um hábito ideológico marcante da sociedade atual, ao qual todos estamos à mercê, inclusive as crianças, pois vivem uma fase de peculiar desenvolvimento que as tornam facilmente vulneráveis. Cada vez mais cedo as crianças são convidadas a imitar o universo dos adultos com sua complexidade e relações de consumo.

    As mídias de massa sabem impactar e estimular o consumismo inconsequente e supérfluo, servindo-se também das crianças ao perceber o quanto elas são mestras em insistir e determinar o que seus pais devem comprar.

2 – Os efeitos negativos do consumismo infantil

    Nas datas comemorativas ao longo do ano o apelo consumista se torna mais agressivo. Indefesas, as crianças sofrem cada vez mais os graves resultados desse consumismo: erotização precoce; perda da infância ao imitar os adultos em seus hábitos de consumo e estilo de vida; desaparecimento da criatividade infantil e incapacidade para inventar seus próprios brinquedos e diversões; submissão aos seus desejos imediatos; apego ao artificialismo das telas digitais e tédio ao retornar à vida real; falta de gosto para apreciar a beleza que a natureza oferece nos campos e parques (querem logo voltar às telas); sedentarismo, obesidade, passividade, consumo precoce de tabaco e álcool, banalização da violência, além de outras consequências.

3 – Os influenciadores do consumismo infantil

    A comunicação mercadológica tem se aprimorado cada vez mais. Os shoppings fascinam as crianças com suas lojas de brinquedos de todo tipo, salas de jogos, cores e luzes que estimulam o divertimento artificial. A publicidade infantil serve-se do apelo afetivo de músicas envolventes cantadas por crianças, efeitos especiais, produtos e serviços associados a personagens famosos, brindes, jogos, cartazes chamativos e sedutores.

    A publicidade da TV e internet são os influenciadores mais fortes do consumismo infantil, ao moldar o pensamento, desejos e o comportamento das crianças expostas a ela. A opinião dos amigos consumistas também tem forte influência.

    Dada a necessidade da pessoa humana ser aceita ou pertencer a um grupo, o ato de consumir se torna um modo de inclusão social pela via da imitação. Assim, a criança julga necessitar de determinados brinquedos ou roupas, e até de fazer os passeios consumidos pelo seu grupo.

4 – O papel orientador dos pais e professores

    Pais e professores têm papel imprescindível para evitar o consumismo infantil, desde que deem exemplo de sobriedade. Os pais devem esclarecer seus filhos, o quanto antes, sobre os aspectos e efeitos de uma vida consumista; e fazê-los perceber que o importante não é “ter” objetos, mas “ser” ricos interiormente ao apreciar outros valores que permanecerão sempre, e jamais serão esquecidos em caixas ou prateleiras após o uso: amar a boa literatura, poesia e bons filmes; saber contemplar a natureza com suas belezas; fazer trilhas pelos campos; dedicar tempo para novas e profundas amizades; apreciar a boa música e pintura; cultivar o silêncio e a relação amorosa com Deus; fazer visitas culturais com familiares e amigos a museus, apresentações musicais, teatro…

5 – Os pais devem dar exemplo de sobriedade

    Pais consumistas tornam seus filhos consumistas, porque o exemplo fala mais forte do que as palavras. Se o pai faz um carrinho de madeira para o filho ou utiliza embalagens vazias para criar divertidos brinquedos, passará conceitos e valores importantes para ele: cresce na amizade com o filho, torna-o agradecido ao ver que o pai dedica tempo a ele, incentiva-o a fazer seus próprios brinquedos.

    Não é bom que as crianças se acostumem a ganhar brinquedos com frequência, mas em época certa: Natal, aniversário ou por algum outro motivo relevante. É mais educativo que os pequenos utilizem a imaginação para criar brinquedos com embalagens e outros materiais caseiros.

    Necessitam os pais alertar os filhos − e cobrar isso da escola − sobre a influência negativa do “marquismo” ou propaganda que torna algumas marcas em “desejo de consumo” dos incautos. Pais que estimulam os filhos a não utilizar a mochila do ano anterior porque “saiu de moda”, ou que compram brinquedos e tênis influenciados pela propaganda, deformam o caráter da criança e fazem-na cativa e vítima dos métodos propagandistas.

6 – Como orientar as crianças a não serem consumistas

Algumas dicas para evitar que a criança seja consumista:

  • Fomente o gosto da criança para bens que não sejam apenas a posse de objetos: amor pela leitura de livros infantis; filmes para que descubra as atitudes dos personagens (converse com ela sobre isso, não interrompendo a explanação dela); saber apreciar a boa música; aprender algum instrumento musical.
  • Visite com a criança exposições de quadros ou esculturas. Prepare-a antes de ir não com palestras sobre estilos artísticos, mas transformando o passeio em jogo divertido. Para isso, veja com ela o acervo pelo site e deixe-a escolher as telas que deverá localizar no museu (talvez imprimi-las para facilitar a busca). Depois, pergunte sobre o quadro que ela mais gostou, sem demonstrar que teve ou não bom gosto porque o estilo não agradou a você. Pergunte a ela como o pintor poderia também ter apresentado a cena. Ao fixar a atenção nas pinturas, a criança desenvolve o senso de observação para os detalhes e o espírito de contemplação.
  • Seja firme diante da insistência da criança quando pede brinquedos, porque ela não sabe o que é melhor para si mesma. Não acostume-a com presentes fora de época, mas apenas nas datas especiais: aniversário, Natal ou outra ocasião que julgue importante.
  • Faça para a criança brinquedos de madeira ou embalagens vazias, pois ela terá carinho especial por aquele que o pai ou a mãe fez para ela.
  • Utilize o dinheiro da mesada da criança para repor ou consertar o que ela quebrou − seja um bibelô, vidro ou brinquedo do irmão −, a fim de que perceba o quanto as coisas custam.
  • Antes de ir ao supermercado, combine com a criança sobre os produtos que irão comprar, e o quanto poderão gastar. À medida que um produto vai para o carrinho, faça a conta de subtração junto com ela. Peça a ajuda dela para pesquisar nas prateleiras os produtos mais em conta.
  • Vá a peças de teatro infantil; informe-se antes de que a mensagem da peça não seja contrária aos seus valores. Participe de saraus, que são atividades lúdicas e recreativas para apresentação de músicas, recitação de poesias, leituras de livros ou outra atividade cultural.
  • Programe um passeio mensal para passar o dia fora, a fim de que a criança aprenda a contemplar a natureza: excursão pelo campo para fazer trilhas; chácaras, sítios ou fazendas temáticas com exposição de flores ou plantas; represas; parques; jardim botânico. O zoológico é muito atrativo para as crianças.

7 – A legislação protege as crianças

    Para finalizar, os pais e responsáveis devem saber que a Constituição Federal em seu artigo 227, ao abordar de forma geral a proteção da criança e do adolescente, serve de base legal para responsabilizar toda e qualquer a ação mercadológica que venha influenciar negativamente a criança. O Código de Defesa do Consumidor protege todos da propaganda enganosa, especialmente as crianças, e afirma que se mostra abusiva a comunicação que se aproveita da deficiência de julgamento e experiência delas. A Resolução 163/2014 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), que tem força de lei, proíbe a comunicação mercadológica que vise persuadir o público infanto-juvenil ao consumo de qualquer produto ou serviço utilizando expedientes que explorem a sua vulnerabilidade, imaturidade, ingenuidade e/ou suscetibilidade à sugestão. Utilizar linguagem infantil, músicas pertencentes a esse universo e cantada por crianças, efeitos especiais, entre outros, atingem-nas mais facilmente devido à sua condição de pessoas ainda em desenvolvimento psicológico.

    A venda casada, que é considerada abusiva pelo Código de Defesa do Consumidor, ocorre quando um produto é vendido juntamente com outro que desperte interesse ainda maior, não podendo ser adquirido em separado, o que condiciona o comprador a levar ambos os produtos. Por exemplo, na Páscoa pode haver ovos de chocolate voltados para o público infantil que trazem um bicho de pelúcia ou boneco de super-heróis, tornando os preços superiores aos demais.

Texto produzido por Ari Esteves

O Autor

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