O sentimentalismo é um mal

     O sentimentalismo é a predisposição ou atitude de permitir que a vida seja comandada pelo mundo interior dos afetos ou emoções, e não pelo conhecimento da realidade externa.
     O sentimental se deixa influenciar pelo que sente, e foge de examinar prudentemente a realidade que o cerca fugindo, assim, de agir em consequência desse conhecimento. Sua ação fica condicionada ao comando automático dos chips dos sentimentos, que aos poucos acabam por bloquear a compreensão da realidade. Com isso, o sentimental só atua para satisfazer a si mesmo.

Os sentimentos podem bloquear conhecimento da realidade

     A conduta humana deve estar motivada não pelos sentimentos, mas pelo conhecimento do valor intrínseco de cada realidade. Depois, ao praticar a ação, é necessário ter reta intenção, já que se pode ter a percepção correta da realidade (ajudar alguém) e a intenção não ser reta, mas para ficar bem diante de outras pessoas, ou por amor a si mesmo e não ao que carece de ajuda.

Os afetos podem nos atraiçoar

     Por que não se deixar comandar pela sensibilidade? Aristóteles dizia que os sentimentos são como o gato doméstico: pode-se amestrar, mas não confiar nele porque pode nos atacar. Platão se referia analogamente aos sentimentos como grandes companheiros do homem, mas semelhantes a crianças pequenas e irresponsáveis (são companheiros quando apoiam a ação correta).

Devo fazer algo contrário aos meus sentimentos?   

     Uma coisa é sentir (os sentimentos são atos internos), e outra são os atos que se colocam em prática – e pelos quais cada um é responsável –, tendo em vista o conhecimento da realidade. Posso ter desejos contrários frente ao que me pede uma situação: se tenho sentimentos de nojo e repulsa diante de alguém que exala mal cheiro porque está sujo e coberto de pústulas, importa superar esses afetos e pensar no bem dessa pessoa e atuar por amor a ela – se tenho fé, por amor a Alguém maior do que todos nós –, e levá-la a um hospital.

O sentimental muda facilmente de planos

     Ao preferir acompanhar suas afeições ou desafeições, o emotivista se sente obrigado a mudar de planos quando seus afetos alteram a direção inicial, o que acontece com frequência, pois eles são cambiantes. Assim, sua vida é um eterno começar sem nunca acabar, e o caráter se torna inconstante, inseguro e superficial.

Um projeto de vida não se fundamenta só nos sentimentos 

     Quem se deixa levar pelos sentimentos soma desenganos e decepções em seus projetos de vida, porque não sabe avaliar com acerto a realidade. Se pretende montar uma família com alguém e sua relação se baseia apenas na sensibilidade, desaproveitando o tempo de namoro e noivado para conhecer a outra pessoa (caráter, temperamento, disposições), poderá ter desenganos e decepções durante a vida em comum.

O amor a uma pessoa é diferente do afeto por um gato     

     O sentimental, ao desprezar o valor objetivo de cada realidade, pode se inclinar a coisas ou condutas de menor significado e nelas colocar todo o seu afeto. Por exemplo, o amor é um sentimento que deve se dirigir a alguém ou a metas de alta relevância (uma profissão para melhor servir aos demais; um projeto social de grande valia), mas os sentimentos de alguém podem fazê-lo não perceber a diferença entre amar uma pessoa ou um gato, inclinando-o fortemente ao animal, e vendo com indiferença, por exemplo, as crianças carentes de amor em orfanatos ou os idosos de um asilo que fica em seu bairro. Com isso, sua intenção se torce e leva-o a priorizar o que não deveria ser o primeiro.

A educação dos sentimentos começa na infância

     A educação dos sentimentos começa desde a infância, quando os pais percebem desajustes nos afetos dos filhos: reagir mal ao perder em um jogo; suscetibilidades duradouras porque não lhe permitiram fazer algo; colocar demasiada afeição em realidades banais e pouco carinho e cuidado com os irmãos ou à mãe… As crianças precisam aprender a ser solidárias para saírem de si mesmas. Os pais devem ensiná-las a ter compaixão pelas crianças pobres ou doentes, e serem animadas a doar seus brinquedos a elas; ou, diante de uma notícia trágica, condoer-se pelo sofrimento dos que padecem dores físicas ou morais.

Texto produzido por Ari Esteves

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