1 – O Estado deve priorizar a família. 2 – O Estado tem nos pais seus melhores e mais econômicos educadores. 3 – Como poderia o Estado ajudar mais as famílias?

1 – O Estado deve priorizar a família

 O Estado ainda não percebeu que a família é a instituição mais indicada para pôr fim à violência social, pois os estímulos dos pais são profundos e ajudam os filhos a formar sua personalidade. Pode-se afirmar que os adultos são o que seus pais promoveram. 

     O Estado deve priorizar sua atenção à família por muitas razões. Uma delas, bastante lógica e de constatação estatística, é que a faixa etária de maior violência na criminalidade − e que maior dor de cabeça dá aos poderes públicos − campeia entre os 13 e 25 anos. Se os pais forem auxiliados a dar uma educação integral no período áureo da criança (0 aos 12 anos), que envolve a inteligência, vontade, afetividade (sentimentos, emoções, paixões), temperamento e caráter, a faixa de risco não será mais retroalimentada e reduzirá fortemente em poucos anos.

     Infelizmente a pedagogia familiar não tem o reconhecimento que merece, mesmo sendo o âmbito mais importante na educação da criança. Foi muito descuidada essa pedagogia e substituída por mil teorias que deixaram os pais à parte. Uma coisa é ter ideias universais sobre educação, outra bem diferente é aplicá-las em cada caso concreto, disse Gerardo Castillo em sua obra “La realización personal en el ámbito familiar”.

     Só edificaremos uma sociedade justa e solidária se o custo do crescimento do PIB deixar de recair sobre nossas crianças e suas famílias. Se o Estado brasileiro valorizar a instituição familiar, se tornará em poucos anos referência mundial no IDH (índice de Desenvolvimento Humano).

2 – O Estado tem nos pais seus melhores e mais econômicos educadores

     Hoje o Estado opera com grande esforço de tempo e dinheiro dentro da faixa de risco (13 a 25 anos), ao criar centenas de órgãos especializados no combate ao crime, o que é de indiscutível mérito. Mas, ao não concentrar esforços na prevenção ou educação infantil dada pelos pais, o Estado não verá diminuída sua luta contra o crime, e será obrigado a atuar permanentemente no combate às condutas lesivas, imitando o mitológico Sísifo, condenado a empurrar uma grande pedra até o alto de uma montanha, para depois soltá-la e fazê-la retornar ao sopé pelo próprio peso, tornando a empurrá-la até o topo uma vez e outra, eternamente.

     O Estado não percebeu que tem nos pais os seus melhores educadores: não fazem greve, não exigem salário, não necessitam de autarquias para fiscalizar seu trabalho, não tiram férias e nem se ausentam de suas funções nos fins de semana, e por conhecer profundamente seus “alunos” oferecem uma educação personalizada.

     Se o Estado colaborasse com a formação dos pais, auxiliando-os a enfrentarem os novos desafios na educação comportamental da criança e do adolescente, atuaria com inteligência na prevenção da violência e poderia dedicar mais tempo às outras necessidades sociais.

     Gerardo Castillo ensina que as primeiras bases de uma verdadeira pedagogia familiar se deve ao suíço Pestalozzi (1746-1827), com sua obra “Como Gertrudes ensina a seus filhos” (1801). Pestalozzi sustenta que a autêntica educação social, fundada na educação moral e da personalidade, não pode dá-la o Estado (com suas creches, digo eu), que se preocupa só com o comportamento exterior, e não interior como a família. A sociedade civil pode civilizar, mas não educar. Acrescenta o pedagogo suíço que o fundamento de toda cultura humana e social é o lar, cuja obra educadora gira em torno da atitude familiar do amor, sacrifício e abnegação desenvolvida pela mãe.

3 – Como poderia o Estado ajudar mais as famílias?

    O Estado poderia ajudar a família primeiramente não sendo um corpo que ataca suas célula sadias − as famílias − como se fossem cancerígenas, ao impor sobre elas pesados fardos, e minando-as em seus esforços de subsistência ao permitir que uma economia perversa obrigue pai e mãe a ausentarem-se do lar o dia inteiro, a fim de prover o sustento da prole. Também poderia desonerar as famílias ao permitir que no imposto de renda fossem deduzidas integralmente (não parcialmente) todas as despesas com a educação – tanto a deles, pais, quanto a dos filhos. Excelente medida seria se os órgãos públicos da administração escolar incentivassem as escolas − por meio de pontuações, premiações, recursos financeiros − a promoverem atividades para aproximar dos pais a excelente produção acadêmica e prática no campo da orientação familiar.

     Também deve o Estado deixar de produzir leis que facilitam a desintegração das famílias por motivos banais (lei do divórcio), cujas vítimas principais são os filhos, e não incentivar a saída das mães para o mercado de trabalho ao criar milhares de creches para entupi-las de crianças que passarão os anos mais importantes da sua educação afastadas de seus principais educadores, pois as “tias das creches” jamais poderão ocupar o lugar dos pais.

     Com os recursos tecnológicos existentes hoje, interessante seria se o Estado incentivasse com isenção de impostos as empresas que autorizassem as mães desenvolverem seu trabalho desde o lar.

Texto produzido por Ari Esteves www.ariesteves.com.br

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