1 – Corrigir as crianças com paciência.  2 – Cada cônjuge deva dar mais do que espera receber. 3 – Na família deve haver regras claras.

1 – Corrigir as crianças com paciência

    As crianças têm traços encantadores e defeitos que precisam ser pacientemente corrigidos desde pequenas, a fim de não adentrarem na pré-adolescência e adolescência com as mesmas deficiências. A missão dos pais consiste em educar a vontade e formar o caráter, ajudando-os a adquirirem bons hábitos. A família que não souber educar os filhos na infância, porque os pais apenas se preocupam em mantê-las ocupadas com muitas diversões, e contam com a passagem do tempo para que elas melhorem, logo se verá metida em apuros e perderá a falsa paz angariada ao custo de não exigir dos filhos.

    Junto com os traços maravilhosos, as crianças apresentam sérios defeitos e vícios que vão se tornando cada vez mais evidentes com a passagem do tempo. A partir dos dois anos de idade começam a dizer não e aferrar-se em teimosias, egocentrismos e em desejos de dominar pela birra ou manipulação aos que a cercam, para que ajam como elas querem. São impulsionadas a agir por apetites e paixões, que devem ser constantemente corrigidas.

    Para ensinar os bons hábitos às crianças pequenas é necessário repetir muitas vezes a explicação, tendo a certeza de que a reiteração não será eterna, e que em determinado momento elas passarão a incorporar o hábito. A criança precisa ser ajudada a corrigir seus modos sempre que necessário. Por exemplo, insistir para que digam “por favor”, “obrigado”, “com licença”, mesmo que pareça não haver progresso. Os pais devem ter a convicção de que a semente lançada produzirá efeito e um dia testemunharão a criança dizer essas expressões ao se dirigir aos outros. Os pais devem considerar o sacrifício da persistência como investimento que dará frutos permanentes.

 2 – Cada cônjuge deva dar mais do que espera receber

   O casamento não é um contrato onde os lucros são divididos na proporção 50/50, mas em 80/20 ou 90/10. Ou seja, cada cônjuge dá muito mais do que espera receber. O amor verdadeiro não significa partilha justa, mas em esquecer-se de si mesmo e entregar-se ao outro até o sacrifício. Pais que vivem dessa forma transmitem aos filhos profundas lições, porque a atitude da criança para com a mãe e o pai reflete a conduta que estes têm entre si. Quando o casal se respeita, os filhos seguem o mesmo exemplo dos pais. 

   Portanto, os filhos ganham hábitos em primeiro lugar vendo o exemplo dos pais, porque os imitam inconscientemente. Berros e grandes discursos têm pouco ou nenhum efeito sobre eles, se não veem os pais praticarem as virtudes que exigem deles. Em segundo lugar, ganham hábitos pela prática dirigida que os estimula a fazer uma e outra vez determinada ação. Em terceiro, pela explicação verbal do que se espera deles, desde que observem os pais praticarem o que ensinam.

3 – Na família deve haver regras claras

    Desde pequenas, as crianças mostram grande amor aos pais e irmãos, e o pior pesadelo delas é o receio de serem separadas da família. Têm grande prazer em viver e acordam alegres porque veem o seu dia como uma dádiva ou oportunidade para brincar e ajudar nas tarefas do lar, quando são ensinadas a fazer isso. A criança está sempre disposta a rir e a agir. Quando pequenas, elas não sabem mentir e têm grande amor à verdade; só aprendem a enganar a si mesmas e aos outros quando se tornam mais velhas.

    Na família, como em qualquer outra sociedade ou instituição, deve haver regras claras e razoáveis para serem vividas por todos, inclusive pelos pais. As regras fazem as crianças saberem o que se espera delas e, com isso, ganham confiança em si mesmas para agir. As regras funcionam como o guard rail de uma autoestrada, pois dão segurança e revelam a fronteira do certo e do errado: ultrapassar as regras causará estragos a si e aos demais.

    Exemplos de regras que vão formando o caráter dos filhos, e que precisam ser anunciadas com frequência no lar: “Em casa nunca falamos mal de ninguém”, “Não interrompemos as pessoas quando falam”, “Ao sermos corrigidos, não retrucamos ou damos desculpas”, “Cumprimos com a palavra dada”, “Não discutimos durante as refeições”, “Só entramos em casa com os sapatos limpos”, “Cada um guarde as roupas e objetos próprios”, “Não comemos fora de hora”, “Quando usamos um prato ou copo, lavamos e o colocamos no lugar”, “Voltamos direto do trabalho (os pais) ou da escola (os filhos) para casa”, “Não assistimos televisão durante as refeições”.

    Certamente o lar não é um quartel com regras frias e sem alma. Junto às normas, que ao serem vividas demonstram a preocupação de uns pelos outros, deve haver muito carinho entre pais e filhos. Um lar para ser luminoso e alegre constrói-se com o generoso e sorridente sacrifício de todos.

Texto produzido por Ari Esteves, baseado na obra “Enquanto é tempo”, de James B. Stenson, Editora Quadrante, São Paulo.

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