1 – A influência da família é profunda e duradora. 2 – Os pais devem educar com mentalidade profissional. 3 – A Ciência Pedagógica Familiar é acessível e apoia os pais.
1 – A influência da família é profunda e duradora
A vida familiar aporta a influência mais profunda e duradoura na vida de qualquer pessoa. Esse influxo é para o bem ou para o mal, pois dependerá da maior ou menor preparação dos pais, que incidirá na qualidade educativa que eles proporcionam.
Cada pessoa recebe diferentes tipos de estímulos educativos nos ambientes em que vive: família, escola, relações sociais, rua, amizades. O pedagogo suíço Pestalozzi (1746 a 1827), em sua obra “Como Gertrudes ensina seus filhos”, sustenta que a autêntica educação social, fundada na educação moral e da personalidade, não a pode dar o Estado, que se preocupa só com o comportamento exterior, e que da educação interior se ocupa a família: a sociedade pode civilizar, mas não educar. Acrescenta Pestalozzi que o fundamento de toda cultura humana e social é o lar, cuja obra educadora gira em torno da atitude familiar do amor, sacrifício e abnegação dos pais. Podemos acrescentar que é no lar onde os filhos aprendem a viver todas as virtudes humanas.
2 – Os pais devem educar com mentalidade profissional
Aos pais não lhes basta o sentido comum e a experiência de ser pais: necessitam preparar-se seriamente − cientificamente − para educar bem seus filhos. A capacitação dos pais como educadores inclui saber analisar a própria situação familiar, detectar os possíveis problemas e aplicar as soluções educativas: para cada problema existe uma solução; basta estudar para encontrá-la. Para isso, devem dedicar algum tempo diário (mesmo que sejam dez minutos) à sua própria formação.
Ainda que os pais não sejam profissionais da educação, devem educar com mentalidade profissional. As condições para essa ação educativa são as seguintes:
- Perseverança nas metas e na dedicação de tempo aos filhos;
- Personalização das ações educativas, sabendo como tratar a necessidade de cada filho;
- Otimismo, pois não se pode educar se não há confiança na natureza perfectível da pessoa humana;
- Coerência no pensamento e na ação: dar exemplo, pois não basta só falar;
- Profundo respeito à pessoa de cada filho;
- Capacidade de serviço para se entregar a cada filho;
- Valentia para enfrentar os inumeráveis problemas ligados ao desenvolvimento da criança.
3 – A Ciência Pedagógica Familiar é acessível e apoia os pais
A Pedagogia Familiar ou ciência pedagógica da educação familiar é uma ciência prática baseada no método do caso, além de se apoiar em fundamentos teóricos. Essa pedagogia se enquadra dentro da Pedagogia Diferencial, que considera a educação em função das diferenças pessoais de idade, sexo, personalidade e ambiente em que vive cada pessoa. Uma coisa é ter ideias universais sobre educação e outra bem diferente é aplicar a cada caso concreto os postulados educativos. Quando se deseja trazer as ideias gerais à prática, é preciso aplicá-las não em pessoas abstratas, mas em uma ou várias pessoas com suas características próprias, distinta das demais.
Este texto está baseado nos ensinamentos de Gerardo Castillo, em sua obra “La realización personal en el ámbito familiar”, EUNSA, 2009, Navarra, Espanha.
Ariovaldo Esteves Roggerio
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