1 – Adolescentes precisam de argumentos convincentes. 2 – A idade dos ideais. 3 – Posturas ante a vida. 4 – Motivações dos adolescentes. 5 – Colaborar nas necessidades sociais. 6 – Revelar ao adolescente o sentido do amor humano.

1 – Adolescentes precisam de argumentos convincentes

     Os pais por vezes estão imersos em grandes correrias familiares, profissionais e sociais e não percebem o quanto o ambiente age de modo negativo sobre os filhos. Ao não lerem, nem estudarem os assuntos atuais e polêmicos, não podem oferecer argumentos convincentes aos filhos. Muitos pais desconhecem o modo atual de dizer as coisas e o tom de voz a ser utilizado, já que não se pode falar de qualquer maneira com um adolescente: uma ordem dada de modo atravessado soa-lhes como provocação; uma resposta fraca e incompleta oferecida a eles, os fará buscar as razões com os amigos, por vezes bastante mal informados. É a idade! Também não se pode impor uma proibição sem oferecer com ela argumentos convincentes. Quando os motivos oferecidos a eles satisfazem a inteligência, já não é preciso temer que o ambiente os afete de modo danoso, porque saberão se impor, inclusive ajudarão os amigos e colegas aos esclarecer-lhes as verdadeiras razões do comportamento humano.

2 – A idade dos ideais

     O adolescente com sua imaginação faz vasta sondagem sobre o futuro, examina e experimenta mil possibilidades; esquadrinha desejos, debate com os amigos e calibra a autenticidade dos valores que lhe inculcaram os adultos. Este novo período predispõe o adolescente para captar as razões das regras morais, os fundamentos dos valores que os animaram a assumir, incluído o religioso que antes era sustentado pelo emotivo, mas que agora necessita se fundamentar em razões mais profundas.

     A mediocridade é desprezada pelo adolescente, inclusive tem desapreço por si mesmo quando se vê medíocre. Por amar a coerência, manifesta rechaço por meio da gozação àqueles adultos com duas caras ou despersonalizados. Sua preocupação pelo futuro − rumos da pátria, destino do mundo, combate às injustiças, defesa dos mais fracos, desejos de realizar algo grandioso − pode desaparecer se vive imerso em ambiente egoísta e fechado em si mesmo, e tenderá a se refugiar no mundo aburguesado dos adultos que o cercam. Sonha em ser defensor ou libertador, mas se encontra em seu entorno um ambiente frívolo, facilmente abandonará as armas para viver na mediocridade, em mimetismo com um ambiente sem ideal. Se ele não encontra um meio de colaborar para o bem comum, a justiça e a paz, tudo ficará em meras utopias. Só o poder iluminador dos valores vividos em plenitude pela sua família e por ele tornará capaz de mover o adolescente a uma vida de generoso serviço aos demais.

3 – Posturas ante a vida

     No período mais intelectual que é o da adolescência, o objetivo educativo que se propõe deve apoiar a predisposição natural do jovem por conhecer a essência e o fim de cada ser: sentido da vida humana, família, trabalho, liberdade, profissão… Nesse período o adolescente se vê na necessidade de ter uma postura ante a vida, de adotar sua própria escala de valores ou de aceitar a que propuseram seus pais em períodos anteriores.

     Aos seis anos inicia-se o desenvolvimento do pensamento lógico, a associação de ideias, e as razões que gradualmente vão se tornando mais abstratas até se transformar em pensamento analítico, com enfoque no mais imediato. Com isso, a educação da inteligência avança e se adapta à verdade.

     No período intelectual (15 a 18 anos), o adolescente necessita desenvolver o que se chama pensamento ontológico, que é aquele que investiga a natureza da realidade e da existência. O ontológico, do ponto de vista filosófico, aborda questões relacionadas ao ser. Não é casual que há séculos os jovens nestas idades se propõem sempre as mesmas questões; como não é casual que os primeiros princípios da filosofia devem ser ensinados na época do ensino médio.

4 – Motivações dos adolescentes

     Com frequência o adolescente cai na tentação de ficar na eficácia externa, e se esquece da alegria que representa trabalhar por convicção, por valores transcendentes (que ultrapassam a si mesmo). Níveis de motivações que podem mover um adolescente:

1. Motivação extrínseca (exterior): comer, vestir-se, ter muitas coisas materiais, se divertir. Este nível de motivação é primário, egoísta, transitório, e não suficiente para alcançar a verdadeira felicidade, que está no amor (o egoísmo encerra a pessoa na infelicidade, na inveja);

2. Motivação intrínseca (interior): inclui o desejo de saber mais para apossar-se do mundo da cultura, da ciência ou da arte. Esta motivação é mais perfeita e duradora que a anterior, mas pode levar facilmente ao orgulho, ao envaidecimento diante das qualidades pessoais ao mostrar a sua própria valia e obter reconhecimento, sem perceber que suas habilidades foram dadas gratuitamente por Deus;

3. Motivação transcendente: ultrapassa a própria pessoa, que quer doar-se aos demais. Esta motivação aperfeiçoa e fortalece a vontade porque a faz vivenciar o verdadeiro amor, que é doar-se àquilo onde vale a pena gastar a vida. Nesta motivação estão os sonhos dos jovens que querem mudar o mundo para melhor. Os motivos transcendentes plenificam com a verdadeira alegria. A felicidade que proporciona o ato virtuoso não se pode comparar jamais com a satisfação puramente sensível do “ter”, e nem sequer pelo prazer que proporciona o “saber fazer” ou o desfrutar do saber. Somente quem trabalha por convicções assentadas no amor, que é o mais alto valor, poderá realizar-se a si mesmo e conquistar a verdadeira felicidade ao dar um fim útil à própria liberdade.

     Uma menina de treze anos que tinha como encargo limpar a cozinha às tardes, comentava desanimada com sua preceptora que detestava fazer isso, e que preferia limpar a casa inteira a ter que limpar a cozinha. Porém, a mãe não cedia e a menina não entendia isso. A preceptora animou a menina a buscar motivos que a ajudassem a decidir-se pela cozinha, ao tentar fazer sua mãe contente, mas sem querer que a mãe cedesse ou trocasse seu encargo. Pediu que a menina refletisse que, além de deixar a mãe feliz, tivesse a certeza de que estaria se preparando para fazer coisas mais difíceis que certamente a vida lhe reservaria, e que oferecesse esse sacrifício por tantas pessoas que sofrem provas difíceis, doenças incuráveis… Tais argumentos foram decisivos e a menina percebeu que estava sendo egoísta e que faltava a ela a virtude da fortaleza para enfrentar situações que não a agradavam.

     Sempre será um motivo persuasivo o imperativo de fortalecer o próprio caráter, de crescer na humildade, de oferecer a Deus sacrifícios por amor aos demais, de participar no bem comum da família e da sociedade em que se vive… São motivos transcendentes que proporcionam grande alegria e ajudam a crescer em liberdade e maturidade.

5 – Colaborar nas necessidades sociais

      Na vida de infância e na pré-adolescência prevalece fortemente o vivencial e o emotivo. Já os adolescentes para reafirmar sua autonomia e estrear a intimidade recém-descoberta, necessitam de esclarecimentos lógicos, breves, concretos e convincentes, ou seja: sem longos discursos, que detestam. Mover o adolescente para uma vida de serviço generoso será um desafio se na infância e na pré-adolescência isso não se concretizou.

   Os adolescentes são capazes de decidir seu destino, arriscando-se por algo que vale a pena! Animá-los a participar de tarefas que sejam ajuda aos demais, é um grande bem que se pode fazer a eles. As oportunidades que os pais têm para que os filhos sejam fortes e possam enfrentar a vida, está nas ações para o bem do próximo: visitar e prestar ajuda em asilos, orfanatos, comunidades carentes, enfermarias, etc.

     Os adolescentes que despertam para as necessidades sociais dificilmente se deixarão arrastar por frivolidades e caprichos, porque descobriram o valor de sua própria existência e não irão desperdiçá-la em planos mesquinhos. Criar oportunidades para os adolescentes participarem do bem comum se concretiza inicialmente nas pequenas ações frente às necessidades do meio em que vivem. Se fogem disso, ao abandonar seus bons desejos, perceberão um dia que poderiam ter mudado para melhor muitas situações injustas.

     No período da adolescência a inteligência reclama razões práticas aplicadas às realidades concretas e cotidianas que impulsionem a agir. Quantos pais de família se perguntam, angustiados, pelo método adequado para tirar seus filhos de uma vida cômoda, egoísta, a fim de que se abram às necessidades do próximo.

     Certo garoto semanalmente ia com seus amigos a uma ONG para ajudar os idosos lá internados. O ambiente que presenciaram inicialmente era triste. Porém, com o passar do tempo tudo foi se transformando: limparam, consertaram, semearam flores e árvores, pintaram a cozinha, ensinaram alguns idosos a jogar dominó e xadrez, e outros a ler e escrever; ajudaram a escrever cartas ou simplesmente os escutavam e os consolavam. Os garotos logo se deram conta de que a maior transformação ocorrida não foi a do local físico, mas a da alma deles, que se curou da vida frívola em que viviam.

     Quando a personalidade se fundamenta no amor, na preocupação pelos demais; quando se ensina a desprezar o supérfluo e a renunciar a uma vida cômoda, estéril, e a aproveitar melhor o tempo; quando se incentiva a ter motivos transcendentes e a não temer o esforço exigido pelos ideais mais altos, a opção por servir aos demais será uma consequência natural, como também a verdadeira felicidade que isso traz.

6 – Revelar ao adolescente o sentido do amor humano

     O amor humano, como força que se orienta à vida, se abre ante nossos olhos como um mistério que revela e esconde ao mesmo tempo a profundidade e a riqueza do encontro entre duas pessoas. Pode-se dizer que o amor humano recria a vida por seu próprio dinamismo, em uma chamada superior que reclama a fecundidade e a fidelidade definitiva. Por isso, o verdadeiro amor só pode crescer no calor da família, e se mostra ao adolescente quando a união entre seu pai e sua mãe vai mais além do corporal e alcança o espírito, a alma, revelando toda a profundidade e a dignidade do encontro amoroso. Isso explica que o amor dos pais participa do mistério do amor divino, e flui em uma nova vida na qual se dilatam os corações de seus pais em um amor que se torna cada dia maior, não somente pelo prazer que o fecunda, mas pela vontade de amar e de doar-se a vida inteira.

     A grandeza do fiel amor conjugal ilumina a inteligência dos filhos para a compreensão do sentido verdadeiro da sexualidade humana. Trata-se de uma vocação à qual se orienta a existência e à qual se realiza um projeto definitivo, porque nele se descobre a missão pela qual vale a pena o sacrifício e a entrega, como um pacto formal do amor verdadeiro.

     Muitos jovens estão entediados por viver uma vida sem verdadeiros valores. Agem apenas em busca do prazer e com isso alteram o sentido da sexualidade e do amor, na etapa da vida em que a consciência reclama razões sólidas que permitam encontrar um modo de colocar as qualidades pessoais ao serviço dos demais. Preferem que o instinto rompa qualquer ideal de serviço que os faria verdadeiramente felizes.

     A sexualidade humana começa a ser despertada na adolescência. Mas é preciso ensinar a cada jovem que ela deve ocupar o quinto ou sexto lugar em sua vida, pois antes disso estão outros ideais: o estudo, aprender línguas ou um instrumento musical, direcionar-se para uma profissão, apoiar ONGs que cuidam de pessoas necessitadas, mergulhar nos clássicos da literatura para conhecer as profundezas da alma humana, penetrar no conhecimento da fé em Deus para tornar vida essa vivência e para ter respostas para si e para ajudar os amigos… O namoro não é um mero passatempo, pois quando é utilizado nesse sentido acaba sendo utilizado de má maneira. O namoro é o momento para conhecer melhor a pessoa com quem se pretende montar um projeto familiar. Porém, antes disso, é necessário solidificar a formação humana e espiritual para crescer em maturidade e fortalecer a personalidade.

     Na verdade, não se deveria falar de “educação sexual”, mas de “educação da afetividade”. A falsa “Educação sexual” desumaniza o amor e o substitui pelo comércio genital, pela busca de sensações que desembocam no prazer momentâneo. Pretende-se atar os jovens a uma corrente de sensações físicas, que inclui, além do sexo, o luxo, a velocidade, o conforto, o álcool, os tranquilizantes ou os excitantes, as grifes, as modas, a fim de manter neles um falso sentido de felicidade (artificial e passageiro).

     Na etapa vital da criança (0 a 6 anos) é preciso iniciar com clareza, e de acordo com a incipiente curiosidade infantil, que ainda não tem caráter libidinoso, as conversas sobre o verdadeiro sentido da sexualidade humana. Para isso, sugerimos ler o boletim Filhos: informação sexual, no site www.ariesteves.com.br/boletins. A criança, desde muito pequena vai necessitando de informações à medida de sua capacidade de compreensão, e os pais não devem ter medo de dar essa necessária informação. Não se trata de falar a uma criança de 4 ou 5 anos do mesmo modo com que se deve falar a um adolescente, como bem explica o boletim acima citado. Quando chegar à adolescência, torna-se necessário oferecer razões mais profundas e definitivas a respeito da sexualidade humana.

Texto adaptado e completado por Ari Esteves com base na obra “Para Educar Mejor”, de Maria Teresa Aldetre de Ramos, Colección Hacer Familia, Editorial Palabra, Espanha. Imagem de Katrin Bolovtsova.

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