1 – A verdadeira comunicação é estrada de duas mãos: a de falar e a de ouvir. 2 – Ouvir de forma passiva incentiva a criança a falar. 3 – Ouça ativamente se os filhos buscam respostas. 4 – Não se escandalizar com as perguntas. 5 – Deixar os filhos manifestarem seus sentimentos. 6 – Animar as crianças a resolverem os próprios problemas.
1 – A verdadeira comunicação é estrada de duas mãos: a de falar e a de ouvir
É comum ouvir de crianças e adolescentes que os pais não lhes dão atenção quando falam, porque não se interessam pelo que dizem ou sentem, e que só ouvem deles sermões e reclamações. Ter boa comunicação com os filhos é o que todos os pais têm de ansiar, pois se esta porta se fecha não há como educar. A verdadeira comunicação é uma estrada de duas mãos: a de falar e a de ouvir de forma aberta e interessada. Ou seja: falar com o filho (dialogar) e não falar para o filho (monologar).
Muitos pais falam apenas o que lhes interessa, e recheiam o diálogo com sermões, cobranças, ordens, críticas, sem permitir que os filhos expressem seus sentimentos e pensamentos, e com isso afastam de si os seus rebentos, que preferem ficar na defensiva e evitar novas críticas de pais reclamões, mas vão se abrir com amigos e colegas por vezes mal preparados para ajudar.
2 – Ouvir de forma passiva incentiva a criança a falar
Para incentivar o filho a falar, a fim de compreendê-lo, é necessária uma atitude de apreço salpicada de algumas perguntas feitas com delicadeza para incentivar a que continue a exposição. Demonstra receptividade à informação que está sendo passada, a atitude de ouvir de forma passiva, sem emitir juízos ou interromper o que a criança ou adolescente diz. Quando a mãe deixa a criança contar algo, e apenas lança palavras de incentivo, tais como ”entendo”, “que bom”, “puxa, interessante!”, “verdade!”, são comentários que não eliminam na criança o desejo de falar. Poucos pais entendem isso, e logo se põem a corrigir, interpretar, dar lições… Ouvir de forma passiva permite a criança expressar seus sentimentos em atmosfera de aceitação, e isso fomenta a autonomia dela e ajuda a que ela conclua como resolver sozinha o problema que a aflige.
Os filhos precisam se sentir aceitos pelos pais, com demonstrações práticas de afetos: – Compreendo, filho, o que você está me dizendo; ou por meio de linguagens não verbais que revelam os sentimentos paternos ou maternos pela postura, sem que digam palavra alguma: olhar nos olhos, ouvir com atenção, expressões faciais e tom de voz são mensagens positivas que abrem caminho para uma grata conversação.
Pais que omitem elogios ou simpatia desapontam os filhos quando estes fazem bem as coisas. Não reconhecer o esforço de crianças e adolescentes é um modo negativo de educar, e ocorre porque os pais julgam que se fizeram o que se esperava deles, nada há que dizer. Trata-se de clamorosa injustiça tal atitude, cujo foco fica apenas naquilo que não sai bem. Pais que não reconhecem o esforço dos filhos por melhorar, promovem nestes o mutismo e o afastamento.
3 – Ouça ativamente se os filhos buscam respostas
Ouvir de modo passivo tem seu momento, e não pode ser algo permanente, já que os filhos buscam respostas que determinarão a confiança nos pais. Uma resposta eficaz, dada com bons modos, incentiva o filho a continuar com a fala. Esse tipo de comunicação abre as portas porque não julga ou critica: “-Interessante é essa pergunta”, “- Fico feliz em saber disso”, “- Compreendo o que você está me dizendo”, “- Puxa, explique mais”. Tais frases, ou outras semelhantes, expressam interesse pelos assuntos dos filhos e revela atitude humilde de pais que aprendem com os filhos e apreciam ouvir seus pontos de vistas. Tudo isso contribui para fomentar o diálogo com os filhos, e evita a monopolização da conversa com sermões, instruções e conselhos não procurados. Todos, inclusive as crianças, se sentem gratificados quando são respeitados e suas falas são recebidas com interesse.
A forma ativa e interessada de ouvir não é técnica para manipular os filhos, mas verdadeira caridade, amor ao próximo. Não se trata de animar um filho a falar para descobrir seus sentimentos ou para tentar corrigi-lo, pois se percebe tal atitude artificial perderá a confiança e se calará. Ouvir o filho é estar disposto a se desprender do próprio tempo, em atitude generosa de abertura à opinião dele, mesmo parece um pouco estranha a forma como ele raciocina ou sente o problema. Porém, se o filho não quiser falar de seus sentimentos não o force nem insista, mas respeite a privacidade dele. Os pais, ao expressarem com as próprias palavras sobre o que compreenderam da explicação dos filhos, fará com que estes se certifiquem de que foram entendidos. Ao ouvir com atenção, os pais podem até mudar de opinião e compreender as razões do filho e como este se sente.
4 – Não se escandalizar com as perguntas
O que sempre deve ser evitado na comunicação com qualquer pessoa, principalmente com os filhos é a discussão. Atitudes de ataque e defesa, onde um diz algo e o outro se defende e contra-ataca, faz com que ambos não cheguem a conclusão alguma, pois estarão fechados em atitudes de orgulho, sem se importar com o que o outro diz.
Os pais precisam estar abertos para ouvir também assuntos desagradáveis, sem nunca se escandalizar com o que os filhos lhes dizem. Crianças, adolescentes e jovens querem ser ouvidos acerca de seus problemas, sem que seus pais se indignem com suas confidências, nem os recriminem. Ao manifestar erros, preocupações, dúvidas, angústias ou temores, os filhos buscam ajuda. Mais do que dizer “- Eu não falei!”, “- Bem que desconfiava”, “- Agora se vire”, é melhor dizer “- Bem, acho que isso tem solução”, “- Nada nos acontece sem que Deus o permita”, “ – Sempre podemos ganhar experiências com nossos erros”…
5 – Deixar os filhos manifestarem seus sentimentos
Conhecer os sentimentos dos filhos é importante: se a criança manifesta raiva do irmão, mais do que ser recriminado por isso, que seria negar seus sentimentos, é preciso perguntar o motivo que o fez se sentir assim, e arrazoar com ele o modo de resolver a questão e aliviar seus sofrimentos. As crianças querem dividir seus sentimentos com os pais, e estes não podem de antemão negar os estados de ânimo ou julgá-los sem importâncias. Os sentimentos negativos são uma realidade na vida de todos, e surgem sem que se possa evitá-los: ciúmes, invejas, raivas… Todos, inclusive os pais, precisam saber lidar com seus sentimentos negativos, e ajudar os filhos a lidarem com eles também. O primeiro passo é nunca julgar as intenções das pessoas, privilégio que pertence só a Deus. Pensar o melhor das pessoas ajuda a redirecionar os próprios sentimentos: – Fez tal coisa por fraqueza ou por ignorância.
Qualquer pessoa abalada por um problema emocional não pensa com clareza. Ao dialogar com o filho sobre o que o incomoda, os pais o ajudam a ver melhor o problema e como resolvê-lo. Por isso, é bom que o filho desabafe seus sentimentos negativos, pois assim não explodirá de forma intemperada, já que ao colocar para fora algo que incomoda elimina as amarguras da alma. Dizer a um adolescente que manifestou um sentimento negativo que isso é algo inaceitável, terrível, o fará esconder seus estados anímicos no futuro, ao julgar que nunca será compreendido, e com isso a repreensão terá efeito contrário. Ouvir com simpatia e atenção ao filho alterado emocionalmente, compreender seus sentimentos e oferecer-lhe argumentos que talvez não tenha pensado, o ajudará avaliar melhor a situação que provocou a irritação, pois às vezes colocamos demasiados sentimentos em realidades que merecem menos sentimentos e, ao contrário, colocamos poucos sentimentos em realidades que mereceriam mais. Isso o fará amadurecer psicologicamente diante das situações difíceis que terá que enfrentar na vida.
Mais do que responder perguntas, os pais devem perceber o que sentimentos há por trás delas. O Dr. Haim Ginott, em seu livro Between Parent and Child, dá o clássico exemplo da criança que ao visitar pela primeira vez o jardim de infância onde passaria a frequentar, pergunta à mãe sobre quem havia feito os desenhos tão feios pendurados nas paredes, e a mãe pediu para que ele ficasse quieto; depois, ele perguntou sobre quem havia quebrado o carrinho que estava ao lado, e a mãe também obrigou-o a calar-se, já que ele não conhecia nenhuma criança da escola, e achava desnecessária tal preocupação. Porém, a professora intuiu os sentimentos da criança – coisa que a mãe não percebeu –, e respondeu que não era necessário que se fizesse desenhos bonitos, e que o fato de brinquedos se quebrarem era algo fácil de ocorrer. A professora ofereceu respostas que fizeram a criança se sentir segura, caso seus desenhos não agradassem ou se quebrasse algum brinquedo. Ouvir com atenção e de forma ativa abre as portas da comunicação com o filho, e faz perceber não apenas o problema que o aflige, mas o sentimento que se oculta sob suas palavras.
6 – Animar as crianças a resolverem os próprios problemas
Quando a criança ou o adolescente expõe uma dificuldade, os pais devem resistir à tentação de resolver o problema para ele dizendo-lhe como fazer, a fim de que aprenda a raciocinar e encontrar a solução, sem esperar que os demais sempre resolvam suas questões. Se a criança vem com os tênis trocados de pés e pergunta se estão corretos, indague sobre o que ela acha. Com certeza o pirralho examinará os pés e chegará sozinho à conclusão de que estão trocados, e começará a resolver as coisas por conta própria. Outras vezes manifestará chateação porque o irmão lhe quebrou o brinquedo, sendo preciso concordar com esse desagradável fato, e compreender sua tristeza sem contestá-la. Mas, pergunte a ele como o assunto poderá ser resolvido: poderá afirmar que o irmão deverá consertar o brinquedo à custa da própria mesada, ou que deverá lhe dar outro brinquedo.
Outro aspecto de péssima comunicação com o filho é quando este se encontra atento em alguma atividade ou jogo, e o pai ou a mãe o interrompe para oferecer ajuda. Tal atitude sinaliza que os pais não confiam nas habilidades do filho, levando-o a concluir que não vale a pena continuar suas tentativas, pois o julgam incapaz de finalizar o jogo. Demonstre confiança nas habilidades do filho para resolver as próprias questões, sem impor a sua opinião nem o influenciar, para que não os culpem caso a sugestão não dê certo. Os filhos desde pequenos precisam aprender a resolver seus problemas por conta própria, pois não terão os pais sempre presentes nas diferentes situações escolares e sociais. Isso lhes dá confiança em si mesmos.
Sugerimos a leitura do boletim “Como falar com seu filho adolescente“
Texto elaborado por Ari Esteves para o site www.ariesteves.com.br, com base no artigo “Benefícios da comunicação adequada”, de Nancy Van Pelt, do livro “Como formar filhos vencedores”, Casa Publicadora Brasileira, Tatuí-SP, 2011. Imagem de Anastasia Shuraeva.
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