Todos temos uma missão na vida. Os pais devem ajudar cada filho a descobrir a sua vocação, a fim de lhe dar um motivo grande para viver, não apenas sobreviver ou acumular bens (motivação extrínseca), mas ser feliz ao sair de si e ter um projeto de vida para servir aos demais com os próprios dons (motivação transcendente).
Porém, o empobrecimento das relações familiares tem conduzido a conversas de curta duração e de pouco significado. Muitos pais se preocupam mais com o dinheiro para pagar as contas, do que abordar temas que configurem o caráter do filho e o ajude a desenvolver sua personalidade por meio de virtudes ou valores assumidos que esclareçam a inteligência e movam a vontade em direção a um ideal maior.
O vício das telas digitais
A geração atual de jovens cresceu sob a influência das telas digitais, utilizadas de forma desmedida para o entretenimento. Isso a faz padecer de inúmeros defeitos que os pais precisam diagnosticar e enfrentar com paciência e carinho, pois a escola não os substituirá nessa tarefa: falta de vontade, pouca resiliência diante das dificuldades, busca incessante de conforto e entretenimento, consumo de pornografia, atraso na maturidade, enfraquecimento da vontade e sobrevalorização dos sentimentos e emoções como regras de conduta, medo de arriscar-se, tendência ao imediatismo e ao resultado a curto prazo, fuga do silêncio necessário para o pensar com profundidade, incapacidade para ver além do óbvio, desprezo pelo trabalho e o estudo…
Construir um ambiente familiar formativo
O pouco tempo que a vida moderna permite aos pais conviver com cada filho deve ser um tempo de qualidade, não apenas de convivência sob o mesmo teto. Por isso, é importante examinar se o próprio lar é formativo, ao tratar de questões profundas, ou se nele prevalecem temas supérfluos.
Como construir um ambiente familiar que edifique a personalidade do filho e o ajude a concluir que o tempo não é interminável, mas algo que se esvai? Como conscientizá-lo de que o vício das telas digitais, que adquiriu, enfraquece seu caráter para abraçar projetos mais altos? Como ajudá-lo a desenvolver as virtudes necessárias para suas circunstâncias atuais e futuras responsabilidades familiares, profissionais, sociais e pessoais?
Para construir um ambiente familiar formativo, os pais precisam ajudar cada filho a assumir valores ou modelos de conduta em direção ao bem e à verdade como atitudes próprias. Porém, transmitir valores não se restringe a dizer para não utilizar drogas, não acessar pornografia na internet, não namorar na adolescência, nem gastar o tempo em redes sociais ou games. Serão necessárias razões antropológicas que ajudem ao jovem a ter elementos para compreender sua dignidade, valor, identidade e lugar n mundo. Para isso, os pais podem ler, por exemplo, as razões humanas que Catecismo da Igreja Católica oferece na parte dedicada aos atos morais (o catecismo está disponível gratuitamente no site do Vaticano), selecionar no Youtube vídeos de orientadores familiares com doutrina segura acerca da pessoa humana, indo à página “Boletins por temas”, no site www.ariesteves.com.br… Com isso, oferecerão a cada filho respostas esclarecedoras e convincentes sobre os interrogantes atuais, ajudando-o a desenvolver o hábito da reflexão pessoal, tão necessário para cultivar convicções pessoais fortes e profundas para mover a vontade a agir em direção à verdade, ao bem e à beleza, e saber explicar as razões desse comportamento.
Desenvolver as habilidades pessoais
Ajudar cada filho a desenvolver a habilidade que nele se destaca − seja no campo da literatura, arte, esporte, religião, humanidades, saúde, ciência, tecnologia ou outro −, e ter um projeto de vida para se dedicar. Cada adolescentes possui uma competência ou aptidão especial, que talvez nem a perceba ou valorize. Cabe aos pais fazê-lo notar isso, se necessário ao trocar impressões entre si para diagnosticar a capacidade do filho, buscar conselho com professores, ler artigos ou ouvir palestras no Youtube de psicólogos e pedagogos sobre como identificar as aptidões do filho, além de animá-lo a preencher testes vocacionais gratuitos na internet, caso a dúvida ainda permaneça. Ver também nosso boletim: O adolescente e a escolha da profissão.
Competência é um comportamento observável e habitual que facilita o êxito em alguma atividade ou função, e resulta de características inatas, conhecimentos, motivações e habilidades da pessoa (gosto é diferente de aptidão: posso gostar de futebol, mas não ter habilidade para praticar esse esporte).
Certas profissões exigem inteligência relacional para entrosar-se com pessoas; outras, inteligência mecânica para destrinchar problemas práticos; algumas, inteligência abstrata dotada para estudos teóricos. Cada qualidade se manifesta no dia a dia da vida familiar: habilidade para consertar objetos; aptidão para ouvir, aconselhar e fazer amizades; talento para prever e organizar; liderança; capacidade de manter atenção e aprofundar nos assuntos, etc.
Além da competência técnica, conhecida como habilidades difíceis (hard skills), as empresas valorizam hoje em dia os virtuosismos comportamentais ou habilidades sociais (soft skills). Os soft skills são mais subjetivos e requerem o desenvolvimento interpessoal como empatia, capacidade de ouvir, habilidades para comunicação, interagir positivamente em equipes, entre outras. A união das habilidades técnicas com os virtuosismos comportamentais faz cada filho se destacar em sua área de atuação.
Para o desenvolvimento das habilidades sociais (soft skills), os pais devem observar como os filhos cuidam de seus objetos, como reagem às contrariedades, se são responsáveis ou preguiçosos, corajosos ou covardes, indiferentes ou preocupados com os demais, respeitosos ou grosseiros, serviçais ou egoístas. Depois, trata-se de ajudá-los a desenvolver as virtudes que lhes faltam, e que apoiarão os talentos e habilidades técnicas que possuem para melhor servir aos demais: generosidade, espírito de serviço, solidariedade, austeridade, responsabilidade, fortaleza, temperança, castidade e sinceridade. Essas virtudes devem ser desenvolvidas com mentalidade alegre e espírito esportivo e pronto para recomeçar após cada falha, vendo nas dificuldades um modo de treinamento das virtudes.
Os pais e a qualidade do tempo que oferecem aos filhos
A família é o ambiente mais próximo da pessoa e o primeiro âmbito para a formação integral: inteligência, vontade e afetividade (sentimentos, emoções e paixões). Nela se aprende que os verdadeiros valores não dependem de estados de ânimo ou da opinião pessoal, porque são guias e critérios de conduta que orientam para bens elevados e não mudam ao sabor das opiniões pessoais ou com o passar do tempo. Se alguém assume como valor a riqueza, o bem-estar, poder, divertimentos, ficará à mercê da instabilidade própria desses bens passageiros. Porém, se busca valores estáveis e permanentes como amizade, honra, fidelidade, solidariedade, Deus, verdade, família, servir com seus talentos, dará grande sentido à sua vida.
Como foi afirmado no início deste texto, o pouco tempo que a vida moderna oferece aos pais para estar com os filhos, deve ser um tempo de qualidade, não apenas de convivência sob o mesmo teto. Por isso, fazer o filho perceber o que todos notam: que o vício das telas que adquiriu está desfigurando sua personalidade e projetando-o como alguém sem responsabilidade e ávido por frivolidades, e que impedirá sua inteligência e vontade de abraçar ideais mais elevados. O tempo não é interminável, mas algo que se esvai, e gastá-lo apenas em entretenimento é deixá-lo escorrer para o ralo. O melhor é utilizar o tempo para desenvolver a competência pessoal que possui e se preparar para a futura profissão.
Texto de Ari Esteves para o site www.ariesteves.com.br. Imagem: ChatGPT
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