Os sentimentos formam-se sobretudo na infância, sendo os pais os principais responsáveis por ensinar a amar e a servir. A boa formação afetiva dos filhos depende de pais emocionalmente equilibrados, que sabem ser a educação dos filhos continuação do amor dos pais entre si, pois isso dá segurança às crianças, ajudando-as a crescerem felizes e prepararem-se para a vida. Educar bem os filhos começa desde cedo pela educação dos afetos (sentimentos, emoções, paixões). Crianças educadas com equilíbrio emocional enfrentam melhor as dificuldades da adolescência, juventude e maturidade, além de desenvolverem mais fortemente a inteligência e a vontade, pois sem a harmonia afetiva é mais difícil o desenvolvimento do espírito (inteligência e vontade).

          Os sentimentos não devem escapar ao controle da vontade, mas serem orientados por ela. Os afetos têm origem no coração humano e são um motor importante das ações, quando direcionados para o bem pela inteligência. Bem formados, os sentimentos incentivam comportamentos corretos e ajudam a evitar o mal ao apoiar o raciocínio na direção do bem. A vida moral não deve basear-se apenas nos sentimentos, mas também não deve ignorá-los. Os afetos devem ajudar o agir correto, sem dominar a razão. Os sentimentos dão força e entusiasmo às ações, enquanto a razão orienta e harmoniza essas emoções.

         As paixões não são más em si; pelo contrário, dão força para agir corretamente, quando bem orientadas. Em vez de suprimi-las, é necessário educá-las e direcioná-las para o amor a Deus e ao próximo. Assim, os pais devem ajudar os filhos a encontrar alegria em fazer o bem e servir, formando um coração equilibrado e virtuoso. Atribuir às crianças tarefas no lar, apropriadas à idade de cada uma, faz com elas cresçam em espírito de serviço, e comecem a compreender que o amor está em servir e não em ser servido. Por isso, os pais não devem substituir as crianças naquilo que elas conseguem fazer. A superproteção, que retira das crianças o que elas poderiam fazer, as torna individualistas e unicamente metidas em seus interesses, sem participar dos afazeres do lar e na ajuda aos pais e irmãos. As crianças gostam de colaborar com os pais e se sentem felizes ao fazerem isso.

         A formação da afetividade começa por ajudar os filhos a se conhecerem e a compreenderem seus sentimentos, a fim de equilibrá-los para reagir em proporção à realidade, sem darem notas dissonantes, ou exageradas . Isso inclui aceitar as situações que não podem ser mudadas, e confiar em Deus.

         Os pais devem dialogar com os filhos para os ajudar a entender e superar emoções como medo, irritação ou antipatias. A educação dos sentimentos também pode valer-se dos exemplos retirados da literatura, histórias e filmes que ensinam a reagir e a enfrentar corretamente as situações. Essas experiências ajudam a desenvolver emoções positivas, como compaixão, justiça, fortaleza, determinação e incentivam o desejo de viver de forma mais nobre e equilibrada. O contato com boas histórias ajuda a desenvolver o gosto estético e o sentido crítico, prevenindo a vulgaridade e a falta de pudor. Os pais devem ensinar os filhos a rejeitar ambientes que banalizam os sentimentos e empobrecem a sensibilidade.

         A educação da afetividade é mais ampla do que a educação da sexualidade, mas um ambiente familiar de confiança facilita o diálogo sobre o amor humano e ajuda a orientar corretamente essa dimensão da vida. (ver boletim Filhos: informação sexual, em www.ariesteves.com.br). A educação das emoções visa formar um coração capaz de amar a Deus e aos outros, com compreensão, perdão e espírito de sacrifício, sem contabilizar as obras de amor. Um ambiente familiar de amor, confiança e serenidade ajuda os filhos a crescerem com equilíbrio emocional, favorecendo sentimentos positivos e ensinando a lidar com os negativos de forma construtiva.

         É importante orientar o coração para o que realmente importa, sobretudo para Deus. Assim, ao ordenar e disciplinar os sentimentos, a pessoa torna-se mais livre para amar o que realmente interessa de forma profunda, plena e verdadeira.

         O coração é visto como o centro da pessoa, que precisa ser formado e orientado para o bem, afastando-o do egoísmo e do comodismo. Ao viver segundo o exemplo de Cristo, a pessoa amadurece afetivamente, tornando-se mais generosa e capaz de agir segundo a vontade de Deus. Mesmo diante de dificuldades, esse crescimento permite compreender e controlar melhor as emoções, encontrando apoio em Deus.

Resumo do texto de J.M. Martín, J. Verdiá, em https://opusdei.org/pt-br/article/educar-o-coracao/ Imagem: ChatGPT. Veja também o nosso boletim “Educar o coração” https://www.ariesteves.com.br/2023/02/educar-o-coracao/

O Autor

Gostou deste Boletim?

Se puder contribuir com nosso trabalho, envie sua contribuição para o PIX: 

ariesteves.pedagogo@gmail.com