1 – Não se acostumar com os palavrões. 2 – As palavras revelam a interioridade da pessoa. 3 – Palavrões ditos por crianças. 4 – Como reagir diante de quem fala muitos palavrões
1 – Não se acostumar com os palavrões
Qualquer pessoa que reflita um instante acerca do palavrão que ouviu ou proferiu, chegará à conclusão de que foi uma grosseira que deve ser evitada por todos, sejam adultos, adolescentes ou crianças. É desgastante e incômodo conviver com pessoas que falam palavrões a torto e a direito, porque revelam pobreza interior e embrutecimento do espírito.
Parece que praguejar e dizer palavrões alivia as dores de quem se machucou, irritou-se ou não soube expressar com exatidão sua admiração. Os palavrões mais utilizados têm conotação provenientes de desordens sexuais, e há pessoas acostumadas a pronunciá-los, mesmo sem intenção de ofender alguém, e que mal percebem a estranheza que causam, tal como aquele cuja sudorese cheira mal e não capta que desagrada aos demais.
Se nos policiamos para evitar o “né” enquanto falamos, com mais razão devemos nos resguardar dos palavrões, que podem revelar o que trazemos por dentro, e que determinam o modo como pretendemos ser tratados nos ambientes em que frequentamos. Palavrões são formas pouco eloquentes de expressar emoções, e revelam um vocabulário limitado e atrofia da capacidade de expor com precisão os próprios sentimentos. Tal vazio verbal provém da fuga dos livros de literatura, cuja leitura estimula a atenção que se deve dar às palavras, e sua falta empobrece o rol de expressões e conceitos, e induz empregar palavrões como tentativa de realçar o que se quer dizer. Quem leu Dom Quixote, de Miguel Cervantes, poderá constatar o modo rico e criativo com o qual o Cavaleiro Andante, que reproduzia a fala do homem de sua época, maldizia algumas ações de seu escudeiro; Jesus Cristo não utilizou palavrões, mas serviu-se de expressões fortes para enquadrar algumas pessoas ou situações: “sepulcros caiados”, “raça de víboras”, “tardos de inteligência”, “hipócritas”. Ou seja, há maneiras mais ricas e criativas para expressar desacordo ou admiração.
2 – As palavras revelam a interioridade da pessoa
O bom emprego da palavra é manifestação de justiça e promoção do bem comum material e espiritual, ao que todos devem contribuir. A cortesia e a delicadeza no trato com os demais temperam os diálogos. Não se trata de medir ou calibrar milímetro a milímetro o sentido preciso e o alcance de nossos gestos e palavras, mas tampouco devemos dar rédeas soltas a tudo que nos vem à boca, sem discernir bem sobre o que estamos nos referindo. A falta de educação e as incorreções verbais revelam ausência de fineza espiritual e pouco domínio do próprio temperamento e dos estados de ânimo.
O emprego do palavrão pode estar na maledicência, na crítica destrutiva, no ridicularizar, no bancar o engraçado ao utilizar-se de imagens sexuais como fazem os maus humoristas, na admiração ou estupefação diante de algo que assombrou. Todo indivíduo deve acomodar seus atos e palavras à lei moral, pois se trata de uma exigência fundamental da verdade e do respeito à dignidade das pessoas. Como afirma Matheus (XII,16), os palavrões não deixam de ser expressões ociosas que cada um deverá dar conta no dia do juízo. Tomás de Aquino ensina que a ordem das palavras e das ações exige que estas sejam conformes à realidade que expressam, tal como o sinal se adequa à coisa significada, sendo isso exigência da virtude da veracidade. A verdade enquanto conhecida pertence ao entendimento, e as palavras devem ser utilizadas para expressar a verdade. Se é próprio da virtude da veracidade a adequação entre o que se fala e o que se pensa (a interioridade se extravasa para a exterioridade), parece lógico que os palavrões tendem a se opor à verdade, pois sua malícia está na mentira ou no modo irrefletido de enunciar algo que é falso, e se não for falso, trata-se, então, de não difamar ninguém.
Ouvir palavrões pela boca de mulheres é experiência que dói aos ouvidos dos homens, porque a delicadeza e os sentimentos femininos, tão necessários para humanizar e tirar as asperezas deste mundo, se estilhaçam como uma peça de cristal lançada ao chão; ouvir palavrões de crianças causa estranheza, perplexidade, porque faz desmoronar a ingenuidade e simplicidade próprias da idade, tão necessárias para desarmar o coração dos adultos de sua autossuficiência. Entre os adolescentes os palavrões parecem ser um modo de autoafirmação, de querer se integrar a um grupo ao tentar reproduzir as falas deste, mas se o adolescente é respeitado e ouvido pela família, não necessitará de palavrões para se fazer querido e objeto de atenções.
3 – Palavrões ditos por crianças
A criança pequena não entende o que diz, e repete o palavrão porque percebe a reação de choque ou, infelizmente, de riso dos adultos, o que a fará repetir o dito para receber a atenção que lhe falta; ou porque reproduz palavras que ouviu em casa ou na escola. Não achar divertido os palavrões pronunciados por elas, a fim de não as incentivar a repeti-los em outras ocasiões, muitas vezes embaraçosas. É importante explicar às crianças que há palavras que não devem ser ditas nem casa, nem na escola ou na rua, monitorando-as diante do que é sofrível. O ambiente familiar representa muito na educação das crianças: se a família é educada e as pessoas se tratam com respeito e carinho, o palavrão será naturalmente desestimulado, pois surgirá como nota estridente na harmonia de uma sinfonia; se há indelicadezas e desrespeitos, os palavrões serão reproduzidos de forma espontânea.
Não exagere em suas reações diante de um palavrão pronunciado por uma criança, pois melodramas reforçam o comportamento com o qual ela quis chamar a atenção; também não ria, como já dissemos, a fim de não incentivá-la a repeti-lo: considere que a criança é uma aprendiz da fala, e não percebe a gravidade do que possa dizer; porém, alerte-a de que tal palavra é feia e não deve ser dita porque machuca e desagrada a todos. O vício dos palavrões vem sendo incentivado por filmes, videogames, novelas ou músicas cujo falso naturalismo faz os personagens dizerem palavras inadequadas. Na escola, os adolescentes costumam seguir o exemplo de amigos, sendo este mais um motivo para os professores enriquecerem o vocabulário dos alunos.
4 – Como reagir diante de quem fala muitos palavrões
Devemos nos empenhar para respeitar a pessoa e sua liberdade, e tratar a todos com extrema delicadeza. Se quem diz palavrões for um adulto, de modo simpático e respeitoso podemos lembrá-lo de não dizer tais palavras, até que aos poucos a indicação penetre na consciência dele. Se excepcionalmente for necessário corrigir um adulto com mais energia, nunca deixar-se arrastar por apaixonamentos a fim de que as palavras não o venham a ferir ou magoar; após a correção, lançar o balsamo da simpatia para curar, e afirmar que naquele momento foi necessário proceder daquele modo. Se a correão deve ser feita em uma criança, como já foi dito acima, explicar com calma e simplicidade que certas palavras não devem ser pronunciadas porque são feias e ofensivas. Já com os adolescentes, explicar as vantagens e importância de se comunicar de maneira limpa, saudável e criativa.
Texto elaborado por Ari Esteves para o site www.ariesteves.com.br. Imagem de Sara Shimazaki.
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