O que faz uma família manter o hábito de atividades conjuntas de entretenimento? Não é nada fácil. Eu, por exemplo, gosto de filmes de ação, futebol e séries da National Geographic, minha esposa aprecia séries românticas dos streamings. Por sua vez, meus dois filhos não abrem mão de filmes da Marvel e DC, vídeos do YouTube e, obviamente, futebol.
É possível que uma programação atraia a todos nós e consigamos realizar coisas juntos? Certamente, é difícil isso acontecer de forma tal que todos se divirtam de forma autêntica. Quando isso se dá, parece quase um milagre. Idas ao parque, casa de amigos em comum, refeições em família em casa ou em bons restaurantes são boas pedidas. Mantenho a firme a convicção de pai de que quanto mais fazemos as atividades em conjunto, mais fortificado fica a família.
Encontramos há pouco um jogo de tabuleiro chamado Hister que está fazendo o maior sucesso aqui em casa! O objetivo é simples, porém viciante: organizar as músicas em ordem cronológica na sua linha do tempo musical! Não somos uma família musical, porém a combinação de um jogo das antigas que envolve cartas com músicas do catálogo do Spotify acaba divertindo a todos!
Outro sucesso que empolgou toda a família nestas férias foi o seriado Jovem Sheldon (Young Sheldon). Trata-se de uma série de televisão criada e produzida por Chuck LorreeBill Prady que estreou na CBS em 25 de setembro de 2017. A série é um Spin Off de Big Bang Theory e acompanha o genial Sheldon em sua infância e adolescência em que vive com sua família no Texas. O tema central do enredo mostra as agruras do convívio de um menino superdotado com sua “família normal” da década de 80.
Inicialmente você pode pensar que a série é sobre o pequeno Sheldon Cooper, o qual vai crescendo no decorrer da série, e as esquisitices de um gênio egocêntrico e incompreendido na infância. Todavia, no decorrer da série, você começa a perceber que os irmãos e os pais ganham relevância e toda a família desperta interesse. E as estratégias utilizadas por essa família normal para fazer o melhor pelo gênio da família constroem um enredo bastante envolvente.
A irmã gêmea Missy, não herdou a genialidade de Sheldon. Porém, tem uma inteligência emocional gigante, vive intensamente como uma menina da sua idade e com o tempo aprende a conviver com o irmão gênio. O irmão mais velho Georgie é um típico adolescente da década de 80. Se arrisca em novas aventuras e não tem medo de nada. Sabe recuar e ter a humildade de pedir desculpas. A mãe, Mary, é uma pessoa bastante religiosa que conduz a família com sensibilidade e compreensão em relação a todos. Seu marido, George, é um técnico escolar de futebol americano que de maneira simples procura atender as necessidades de todos os familiares. Por fim, temos avó materna, figura debochada e liberal, que traz leveza e, de alguma forma, representa um ponto de equilíbrio no ambiente.
Por que esse seriado funcionou tão bem em nosso contexto familiar? A título de esclarecimento, citamos a frase “é a economia, estúpido!”, cunhada em 1992 por James Carville, então estrategista de campanha do ex-presidente Bill Clinton. Tal frase tornou-se um mantra político mundial desde então para destacar a importância do desempenho econômico nas eleições. E, para explicar o sucesso de Jovem Sheldon que tão profundamente uniu nossa família, parafraseamos a citação de James Carville: “é a família, estúpido”.
Lembro-me de quando meus filhos tinham 3 e 6 anos e estávamos com dificuldades de encontrar estes momentos. O professor Pablo me deu de presente o DVD do filme A Noviça Rebelde (The Sound of Music). Ele me disse que na sua infância, as músicas cantadas por junto às crianças e a conquista do coração do durão capitão Von Trapp (Cristopher Plummer) deram certo. Tentei, imaginando que o filme estava ultrapassado e que não funcionaria… Para a minha surpresa, deu muito certo. Já vimos a Noviça Rebelde em família umas 20 vezes desde então. Todos concentrados no filme, ninguém distraído com celular ou outras telas…
Acredito que é necessário ser feliz individualmente sempre. Por outro lado, conseguir em alguns momentos que o entretenimento e a felicidade sejam usufruídos em um grupo familiar representa uma grande vitória em nossas vidas. Assim, encerro essa reflexão, parafraseando James Carville novamente: “é a família, estúpido”.
Texto de Marcelo Levites: veja este e outros artigos no blog https://pablogonzalezblasco.com.br/
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