Vivemos numa época em que as crianças aprendem muito cedo a falar sobre seus direitos. E isso é bom, pois toda criança deve ser respeitada, protegida e amada. Mas existe uma pergunta que precisamos fazer também: Quando ensinaremos aos filhos que eles têm deveres?

         A criança que deixa tudo espalhado e encontra sempre alguém para recolher aprende, sem perceber, uma lição perigosa: “Alguém sempre resolverá o que eu não fizer.” Mais tarde, a mesma criança poderá esperar isso da escola, do trabalho, do casamento e até da sociedade.

         A família é o primeiro lugar onde aprendemos que liberdade e responsabilidade caminham juntas, e que o bom uso da liberdade está em escolher sempre o bem não só para si, mas também para os demais:

– Posso brincar?

– Sim, mas depois guarde seus brinquedos.

– Quero brincar com o carrinho do meu irmão!

– Peça a ele e diga que cuidará bem do brinquedo.

– Derramei água no chão da cozinha!

– Acidentes acontecem, filho. Agora pegue um pano e enxugue o chão.

         Educar é ensinar os filhos a fazer aquilo que precisa ser feito, mesmo quando não estão com vontade de o fazer. Isso tem um nome antigo e precioso: virtude, que se adquire com a repetição de hábitos bons.

         A criança não nasce responsável, mas aprende a ser por meio de pequenas responsabilidades. Por isso, uma das melhores perguntas que um pai ou uma mãe possa fazer hoje é: “Meu filho dedica seu tempo para os demais da família?”.

         Na casa dos Larletos, a resposta aparece na vida cotidiana. Os filhos participam das tarefas domésticas e cada um deve cuidar das próprias coisas e se preocupar pelos demais. Ninguém é empregado de ninguém na família, diz Mariana aos seus 8 filhos.

Reflexão inspirada em Família em Contos: Os Larletos, de Ari Esteves.

O Autor

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