1 – Observe como sua criança reage diante da natureza. 2 – Como resolver o problema do tédio da criança?

1 – Observe como sua criança reage diante da natureza

    A natureza é uma das primeiras janelas de curiosidade da criança; é onde ela conclui que as coisas não são imediatas e possuem ritmo próprio: o arrastar do caracol, o broto da planta que surge lentamente da terra, o ovo no ninho, a incansável formiga em sua sinuosa trilha, o casulo da borboleta debaixo da folha, a pequenina aranha tecendo sua teia… Todas as coisas belas e valiosas requerem tempo de maturação: a gravidez, a árvore, a amizade, o amor. Ajude seu filho a se encantar com as coisas simples!

    Nos feriados ou fins de semanas vá a espaços abertos na natureza (parque, praça arborizada, jardim, campo), onde não haja atividades estruturadas, brinquedos ou alguém que dite como brincar, e observe se a sua criança sabe se divertir sozinha ao imaginar brincadeiras e jogos, ou se logo fica entediada e quer voltar para casa.

2 – Como resolver o problema do tédio da criança?

    Não é normal o tédio ou apatia em criança de 3 e 6 anos, pois sua criatividade é infinita. Se ela passar pela prova da natureza, passará pela prova do comportamento na igreja, na sala de espera do consultório, supermercado, shopping… Se age com birra ou impaciência, se bate, se grita e joga as coisas, talvez seja porque – além da falta de autoridade dos pais – anda hiperestimulada pelas telas digitais, e não suporta aguardar o ritmo real das coisas, pois o excesso de mídias dá a ilusão de que tudo se resolve com apertar botões de aplicativos para obter na hora o que quiser.

    Einstein dizia que não podemos resolver problemas usando o mesmo padrão de pensamento que tivemos ao criá-los, o que significa que não será por meio de telas que a hiperatividade se consertará. Como resolver essa questão? A resposta foi dada há mais de sete séculos por Tomás de Aquino: a admiração, que é o desejo de conhecimento.

    A infância é mágica e tem sede de curiosidades, sendo desnecessário artificializá-la. A estrutura, que é meio, deve ser mínima para estimular a criatividade, a observação silenciosa e a descoberta que faz extasiar. Deixe a criança se entreter em sua quietude misteriosa ao manipular pequenos objetos; não interrompa nem ofereça tabletes ou TV, pois ela está fazendo suas próprias descobertas. Educar com menos brinquedos eletrônicos faz com que as pilhas e os botões estejam dentro da criança, e não fora dela.

Texto produzido por Ari Esteves com base na obra “Educar na curiosidade”, de Catherine L´Ecuyer, Editora Fons Sapientiae, 3ª. Edição, São Paulo, 2016.

O Autor

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