1 – Caráter, o que é? 2 – É fácil perceber a ausência de caráter. 3 – Ensinar as crianças a ter caráter.
1 – Caráter, o que é?
O caráter, palavra latina que significa marca, impressão ou símbolo da alma, é uma qualidade que reside na pessoa como um todo (inteligência, vontade e afetos), e se constrói ao longo do tempo pelas influências recebidas no ambiente familiar, na escola, na rua, com os amigos, pelos meios de comunicação e leituras realizadas, etc. Essa vivência desenvolve conceitos (e preconceitos) que atuam sobre as decisões e ações pessoais. Já o temperamento é a parte fixa, o modo de ser da pessoa – seu jeitão −, recebido como herança genética ou constituição corporal: colérico, sanguíneo, melancólico ou fleumático. Tanto o temperamento quanto o caráter devem ser corrigidos, ao se perceber neles vícios ou defeitos.
O caráter necessita que se reconheçam as verdades, custe o que custar. É fácil compreender que há verdades no campo das ciências exatas (química, física, matemática), e todos são unânimes em aceitá-las, pois a existência delas não depende de opiniões. Porém, o certo e o errado, o bem e o mal existem também para as decisões morais ou comportamentais dos homens, e essas verdades não dependem da opinião pessoal para aceitá-las ou não: roubar, mentir, trabalhar desonestamente, desrespeitar os pais, não cumprir com a palavra dada, são princípios imutáveis da conduta humana. Em qualquer época a fortaleza foi admirada e a covardia condenada; a solidariedade foi louvada e a avareza rechaçada.
O alicerce do caráter são as virtudes, que se desenvolvem por meio da prática constante de ações que vão se sedimentando na inteligência, na vontade e nos afetos. As principais virtudes são: Prudência, como capacidade de julgamento criterioso, consciente (radica na inteligência); Justiça, que envolve a responsabilidade de dar a cada um o que lhe pertence (radica na vontade); Fortaleza para fazer o que deve ser feito e Temperança para o domínio de si e autodisciplina (essas duas virtudes radicam na sensibilidade).
2 – É fácil perceber a ausência de caráter
Não confundir caráter com habilidades intelectuais, artísticas ou técnicas, pois se pode ter alguma dessas qualidades e possuir um mau caráter ao ser pessimista, indeciso, desordenado; ou inseguro, suscetível e dependente de estados de ânimo; ou não saber relacionar-se com os demais. É tão comum taxar as pessoas pelos seus defeitos de caráter: esquentado, mentiroso, frívolo, indeciso, confuso. Talvez esses até gastem tempo e dinheiro para melhorar suas habilidades profissionais ou artísticas, mas pouco se esforçam para melhorar o caráter.
Se é difícil definir o caráter, mais fácil é perceber a ausência dele, porque existe um ideal de comportamento que nos faz reconhecer se uma pessoa tem bom ou mau caráter. Defeitos como a gula, preguiça, sensualidade, inveja, ódio, sempre revelaram falhas de personalidade. Já a vida de uma pessoa que não se deixou aliciar por lucros indevidos; ou que se manteve forte e não traiu a confiança da esposa, filhos ou amigos; ou que deu a vida por um ideal nobre, sempre edificou a todos e revelou a riqueza desse caráter.
3 – Ensinar as crianças a ter caráter
As crianças vêm ao mundo carentes de virtudes: imponderadas e de raciocínios imprecisos que as tornam impulsivas, inconstantes e irresponsáveis; procuram impor suas vontades e manipular com o choro ou insistência os que estão ao seu redor; egocêntricas e centradas no próprio eu, tornam-se egoístas e pouco preocupadas com os demais; comodistas, tendem a fugir do esforço e a satisfazer imediatamente suas paixões e apetites (são hedonistas). Cabe aos pais ajudá-las a ter autocontrole e a ser generosas, solidárias e prestativas (ter bom caráter!).
Crianças são adultos potenciais. Os pais devem vê-las por cima do muro do dia a dia, e projetá-las em atuação na vida social, com caráter. Desde a infância elas necessitam aprender a não mentir, a ser leais aos compromissos que assumiram, a manter a palavra dada, a não falar mal dos companheiros, a ser honestas e admitir os erros, a ter coragem para enfrentar a lição de casa e os encargos do lar, a não serem lamurientas e enjoadas. Para fracassar nessa tarefa, basta aos pais se omitirem e deixar vingar os maus hábitos nos filhos, tal como crescem as ervas daninhas em terreno baldio. Esse comodismo os fará presenciar um grande desastre, pois aos 13, 18 e 25 anos, os filhos apresentam os mesmos defeitos da infância.
Pessoas de caráter não nasceram assim, mas se construíram: 1°) Pelo exemplo, pois as crianças são muito observadoras e não escapa ao olhar delas o modo como seus pais se conduzem: se virtuosos, irão adquirir um profundo respeito por eles e repetirão suas atitudes e valores; 2°) Pelas palavras dirigidas a elas de forma positiva e reiterada – apesar das resistências iniciais dos filhos –, a fim de desenvolverem bons hábitos; 3°) Porque ouviram incansáveis explicações de seus pais para cumprirem seus deveres, e com isso ganharam critérios de conduta.
Honra e integridade são duas palavras que as crianças devem ouvir com frequência, pois crescerão dando importância a elas. Honra pessoal é uma das lições mais úteis que os pais devem ensinar às crianças (uma pessoa mentirosa perde sua honra, sua credibilidade). Integridade significa ser inteiro, feito de uma peça só, e não ter dupla personalidade: se o filho prometeu chegar em casa às 21 horas, deve cumprir com a palavra dada!
Texto produzido por Ari Esteves www.ariesteves.com.br
Ariovaldo Esteves Roggerio
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