Não nascemos prontos como as tartarugas, que saem dos ovos e agem instintivamente sem necessitar que lhes ensine algo, pois a fêmea, após botar e enterrar os ovos na areia, parte para o oceano. As pequenas criaturas ao romper a casca que as prendia correm mar adentro, onde passarão a viver por conta própria. Já os filhos dos homens necessitam de um paciente aprendizado que dura mais de uma década, indo até o momento em que possam utilizar a liberdade bem formada para agir por conta própria.
A educação comportamental humana é um processo que se inicia na mais tenra infância, quando os pais começam a ensinar aos filhos os bons hábitos que gradativamente irão se transformar em virtudes, aperfeiçoando-os como pessoas. A palavra virtude significa força, pois fortalece a vontade para atingir metas mais difíceis. Os pais, ao insistirem com paciência e carinho para que as crianças desde pequenas vivam a disciplina de cumprir os horários de brincar, banho, refeições, dormir e acordar; quando reiteram para que guardem no lugar seus brinquedos e roupas e colaborem para com a boa ordem da casa, vão incutindo nos filhos hábitos que fortalecem a vontade deles para vencer a preguiça ou moleza, e isso será eficaz na hora de estudar e de cumprir outros deveres mais exigentes. Crianças rijas não se encerram comodamente apenas em suas coisas, têm autodomínio para não serem arrastadas pela gula que as leva a abrir a geladeira a qualquer hora, nem se postam comodamente durante longas horas diante de telas digitais.
Para ter filhos rijos e não molengões é preciso não perder tempo no processo da educação comportamental, que deve começar na pré-infância (0 a 6 anos), e ter continuidade na infância, adolescência e juventude. Com isso, eles entrarão em cada etapa com a vontade fortalecida para enfrentar os desafios que vão modelando o caráter. Há mães que com sabedoria incutem bons hábitos nos filhos a partir de 1 ano e 8 meses ao fomentar neles a autonomia ou a capacidade de agir por conta própria, por exemplo, encarregando-os de jogar na lixeira a fralda suja (tarefa que as crianças fazem com alegria e retornam sorrindo após realizá-la); também indicam que guardem seus brinquedos e roupas no lugar certo. Pais prudentes não oferecem celulares ou telas digitais às crianças, mas ajudam-nas a empregar melhor o tempo em atividades manuais, quebra-cabeça, jogos de sala, brincadeiras ao ar livre, lego, leitura de contos (começam por ler às crianças), passeios em parques e na natureza. Para ampliar e apurar o gosto estético dos filhos, há pais que visitam com eles exposições e museus e os introduzem no mudo da pintura, boa música popular ou clássica, filmes selecionados, teatro infantil… O processo educativo-comportamental iniciado desde a infância evita que os filhos se tornem frouxos e escravos de seus sentimentos e estados de ânimo, que os leva a agir apenas quando as coisas são fáceis ou prazerosas de se fazer.
Outros aspectos práticos que os pais devem também ter em conta com os filhos:
- Insistir para que vivam diariamente o minuto heroico ao se levantar pontualmente pela manhã, sem conceder um minuto a mais à preguiça (inclusive nos fins de semana e nas férias escolares), e que durmam também no horário combinado;
- Para torná-los rijos, ensinar a não se queixar diante de qualquer incomodidade: pequena dor de cabeça, calor, comida que não apreciou, passeio que não lhes agradou tanto, encargos que não gostam de realizar…;
- Estimulam a que sejam constantes e chegam até o final das tarefas iniciadas, sem desistir delas no meio do caminho por falta de gosto;
- Exigem que vivam as virtudes da ordem e limpeza – cavalo de batalha de muitos adolescentes -, e não se deixem guiar pela lei do menor esforço, mas mantenham ordenados o quarto, armários e objetos pessoais e enxuguem o banheiro após o banho, lavem os próprios tênis, estudem no horário combinado, etc. (os pais não devem fazer esses serviços para eles, a fim de que não se sintam reizinhos ou senhorzinhos das cortes;
- Insistem a que combatam posturas de excessiva comodidade, como o hábito de estar sempre na horizontal em casa, ou tombados de lado em poltronas ou sofás.
Todas essas medidas explicadas aos filhos com bom humor e em conversas pacientes, serenas, descontraídas e oportunas e conscientizando-os de que a autoexigência os tornará fortes, os levará a não temer conquistar grandes ideais para construir uma vida feliz e uma sociedade mais justa e solidária ao seu redor.
Leia também o boletim Ensinar o adolescente a trabalhar bem
Texto elaborado por Ari Esteves para o site www.ariesteves.com.br. Imagem de RF_Studio.
Siga-nos no Telegram, pois nele também há links para todos os boletins publicados: https://t.me/ariesteves_pedagogo
Ariovaldo Esteves Roggerio
Gostou deste Boletim?
Se puder contribuir com nosso trabalho, envie sua contribuição para o PIX:
ariesteves.pedagogo@gmail.com

Chave Pix copiada!