Para ensinar a pensar é preciso falar à inteligência, apresentando razões, transmitindo ideias, levando à reflexão. Os pais muitas vezes utilizam linguagem exclusivamente exortativa e tendem a ser repetitivos: “faça isso”, “tem que”, “quero que”, etc., chegando a cansar.

        Mais do que apresentar o que se deve ser feito, é preciso oferecer ideias que levem a compreender o motivo para agir. A simples repetição das consequências práticas (senão fizer acontecerá isso ou aquilo) não educa. Certamente, oferecer boas ideias não é fácil. Mas é preciso tentar: quem tenta muitas vezes consegue, quem não tenta nunca conseguirá.

        Educa-se um filho não apenas para que cumpra ordens, mas para que queira fazer porque compreendeu os motivos. Querer fazer o bem deve partir do próprio interesse, e não porque foi mandado. A formação profunda conduz a fazer o bem reconhecido, mesmo que isso custe sacrifício. Essa conaturalidade com o bem e a verdade faz a pessoa agir livremente. Ao contrário, quem não faz o bem reconhecido como tal, é porque se deixa vencer pela preguiça ou comodidade, o que o torna escravo desses vícios.

        Julio Diéguez diz que para ensinar uma pessoa a pensar bem implica formar nela a virtude da prudência que, no plano prático, é ensiná-la a colocar os problemas de forma correta para encontrar a solução moralmente boa. Significa ajudar a pessoa a tornar-se progressivamente capaz de decidir bem, identificando por si mesma os problemas e colocando em prática as respostas moralmente adequadas às situações que enfrenta.

        Não se trata de formar pessoas autossuficientes, fechadas ao conselho dos outros e incapazes de aceitar ajuda. Pelo contrário, um dos atos da prudência – afirma Diéguez -, é saber pedir conselho e estar aberto à opinião alheia, sobretudo quando ela vem de alguém com experiência e autoridade. O conselho, porém, não substitui a reflexão pessoal: trata-se de uma ajuda. Quem acolhe as orientações recebidas não transfere a responsabilidade a quem orienta, mas deve agir com plena liberdade ao assumir livremente o conteúdo do conselho, formando pessoalmente seu juízo sobre o problema e sobre a decisão adequada. O conselho ajuda a levar em consideração alguns aspectos que, se faltassem, poderia conduzir a uma decisão errada.

        As indicações e critérios recebidos devem ser avaliados e confrontados pessoalmente com a realidade, antes de serem levados em consideração. Quem orienta a outros não pode esquecer que as pessoas são mais importantes do que os critérios, pois estes existem precisamente para ajudá-las.

O sentido do conselho

        É importante compreender bem o sentido das consultas que fazemos no exercício prático da prudência. Uma consulta não é simplesmente mera informação, nem solicitação de permissão. O que distingue a consulta de uma sugestão é o sujeito que deve decidir: consulta-se quando a própria pessoa deve decidir; se a decisão cabe ao outro, podemos fazer a ele uma sugestão.

        Consultar é pedir a opinião de alguém com experiência ou autoridade, para que essa opinião ajude a esclarecer os aspectos da questão a quem deve decidir. A consulta ajuda a discernir sem retirar da pessoa a sua responsabilidade.

        A missão de quem responde uma consulta não é garantir que o resultado seja sempre bom. Sua missão é formar a pessoa, ensiná-la a pensar corretamente. Ao responder consultas ou ao dar orientações, é necessário oferecer o contexto e explicar as razões, evitando dar a impressão de que não é preciso que o outro compreenda, mas que apenas confie na autoridade de quem já compreendeu o assunto. É indispensável que cada um pense por conta própria e procure compreender tudo o que for possível, mantendo, ao mesmo tempo, a abertura e a capacidade de confiar no outro.

        Fica claro que para oferecer aos filhos razões que o ajudem a pensar, os pais devem preparar-se continuamente por meio de leituras, cursos, vídeos, podcasts. Não basta apenas o bom senso para educar hoje em dia. Os males atuais chegam por diversos meios e exigem respostas profundas para que sejam evitados. Quando os filhos compreendem as verdades acerca de um comportamento, encontram forças para agir por conta própria. Não está bem formado aquele que apenas acumula conhecimentos teóricos, mas não vive de acordo com o que pensa. A formação verdadeira transforma o modo de ser porque se age de acordo com convicções próprias e com uma consciência bem formada pelo estudo e a reflexão pessoal, que conduz a pessoa não apenas saber o que é o bem a realizar, mas desejar realizar esse bem.

Siga o canal “Ari Esteves – Pedagogo” no WhatsApp e receba semanalmente temas sobrevalores, virtudes humanas, família, educação do comportamento de crianças e adolescentes, importância da literatura para a formação humana e espiritual, entre outros: https://whatsapp.com/channel/0029VajxYZL9Bb5sDBqASU09

O Autor

Gostou deste Boletim?

Se puder contribuir com nosso trabalho, envie sua contribuição para o PIX: 

ariesteves.pedagogo@gmail.com